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06/10/2026

Artrose avançada não signif**a ausência de resposta biológica.

Um ensaio clínico randomizado publicado em 2026 avaliou 90 pacientes com osteoartrite de joelho Kellgren-Lawrence 3 e 4, todos já em fila para artroplastia, comparando duas aplicações de PRP, uma infiltração de corticoide e tratamento com anti-inflamatório oral.

Aos 3 e 6 meses, o grupo PRP apresentou melhora mais consistente de dor e função. Mas o aspecto mais interessante do estudo foi além dos desfechos clínicos: os autores também observaram alterações em biomarcadores relacionados à inflamação, nocicepção e degradação da matriz.

Isso não signif**a regeneração de cartilagem.
Não signif**a reversão da artrose.
E não signif**a que um joelho grau 4 deixou de ter indicação cirúrgica.

Signif**a que, mesmo em uma articulação estruturalmente avançada, pode ainda existir espaço para modulação biológica com impacto clínico.

Essa distinção é central em Medicina Regenerativa: melhora biológica e funcional não deve ser confundida com regeneração estrutural.

O estudo tem limitações importantes, incluindo ausência de cegamento, diferença na intensidade dos tratamentos comparados e falta de caracterização quantitativa do PRP utilizado no próprio ensaio. Ainda assim, os resultados são relevantes e mostram que artrose avançada não é sinônimo de ausência de resposta ao tratamento biológico.

Ciência séria exige exatamente isso: reconhecer o benefício quando ele existe, sem extrapolar além do que os dados demonstram.

Lacko M, Awad O, Matúška M, Strážik M, Barej J, Filip V, et al. Intra-articular platelet-rich plasma demonstrates superior clinical and serum biomarker outcomes compared with corticosteroids and NSAIDs in late-stage knee osteoarthritis: a randomised controlled trial. J Orthop Surg Res. 2026;21:453. doi:10.1186/s13018-026-07013-w.

Ortopedia MedicinaBaseadaEmEvidencias PesquisaClinica

01/10/2026

A dor que tira você do esporte nem sempre começa como uma lesão grave.

Primeiro você diminui o ritmo. Evita um exercício. Muda a pisada. Protege o joelho, o ombro ou a lombar.

E, sem perceber, começa a treinar compensando.

O problema é que essa adaptação pode sobrecarregar outras estruturas. Por isso, uma dor recorrente que parece “normal do treino” merece ser investigada antes de começar a decidir o que você consegue — ou não — fazer.

O objetivo não é apenas treinar hoje. É continuar fazendo o que você gosta aos 50, 60 e além.

Conhece alguém que vive dizendo “é só dor de treino, daqui a pouco passa”? Envie este vídeo.

A discussão não é sobre abandonar a cirurgia. É sobre refinar a indicação.Nesta semana, a The Economist levou ao grande ...
29/09/2026

A discussão não é sobre abandonar a cirurgia. É sobre refinar a indicação.

Nesta semana, a The Economist levou ao grande público uma questão que a literatura ortopédica discute há anos: até que ponto alguns procedimentos cirúrgicos realizados rotineiramente em ombro e coluna acrescentam benefício clínico relevante quando comparados a estratégias menos invasivas?

No ombro, os estudos CSAW e FIMPACT mostraram que, em pacientes selecionados com síndrome dolorosa subacromial, a descompressão artroscópica não apresentou benefício clinicamente relevante sobre uma artroscopia placebo; no FIMPACT, essa ausência de superioridade persistiu após dez anos de acompanhamento.

Na coluna, revisões de alto nível também vêm questionando a magnitude do benefício de alguns procedimentos em indicações específ**as, como descompressão por estenose lombar e fusão por doença degenerativa discal.

Isso não signif**a que “cirurgia de ombro e coluna não funciona”. Signif**a que a indicação precisa ser cada vez mais precisa, individualizada e sustentada pela melhor evidência disponível.

E esse mesmo princípio vale para a medicina regenerativa.

PRP, BMA, ácido hialurônico, radiofrequência e outras intervenções não devem ocupar o lugar da cirurgia por simples oposição ao tratamento cirúrgico. Devem ser indicados quando houver coerência entre diagnóstico, mecanismo, expectativa de benefício e evidência clínica.

O rigor usado para questionar uma cirurgia deve ser exatamente o mesmo usado para justif**ar uma intervenção regenerativa.

Talvez esse seja o ponto central desta discussão: menos automatismo terapêutico e mais precisão na escolha do tratamento.

Referências
CSAW Trial — The Lancet
DOI: 10.1016/S0140-6736(17)32457-1

FIMPACT — 10 anos — BMJ
DOI: 10.1136/bmj-2025-086201

Blom AW et al. — Common elective orthopaedic procedures and their clinical effectiveness — BMJ
DOI: 10.1136/bmj.n1511

The Economist
Back and shoulder surgery is often worse than useless
https://www.economist.com/leaders/2026/09/24/back-and-shoulder-surgery-is-often-worse-than-useless

29/09/2026

ATUALIZAÇÃO CIENTÍFICA | Medicina Regenerativa

*Microfragmented Adipose Tissue Compared With Platelet-Rich Plasma for the Treatment of Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials.* The American Journal of Sports Medicine. 2025.

DOI: 10.1177/03635465251337759

**Mais invasivo e mais complexo signif**a necessariamente melhor?**

Esta meta-análise reuniu **6 ensaios clínicos randomizados, com 415 joelhos**, comparando tecido adiposo microfragmentado (MFAT) com plasma rico em plaquetas (PRP) na osteoartrite do joelho.

Na maior parte do acompanhamento, os tratamentos apresentaram resultados semelhantes para dor e função.

Aos 6 meses, algumas análises favoreceram estatisticamente o MFAT. Porém, as diferenças f**aram **abaixo do limiar de melhora clinicamente importante (MCID)**. Ou seja: diferença estatística não signif**a necessariamente uma melhora relevante para o paciente.

Outro ponto merece atenção: o “PRP” utilizado nos estudos não era uniforme. Houve PRP rico e pobre em leucócitos, uma ou três aplicações e, em alguns protocolos, associação com ácido hialurônico.

Isso torna a comparação MFAT × PRP mais complexa do que parece.

**Para mim, o principal aprendizado é este: mais complexo não signif**a necessariamente melhor.**

Quando acrescentamos invasividade, custo e complexidade, precisamos exigir um benefício clínico adicional que justifique essa escolha. E este estudo ainda não demonstrou esse ganho de forma consistente.

**Primum non nocere. Primeiro, não causar dano.**

24/09/2026

L4-L5 e L5-S1 aparecem com frequência nos laudos de ressonância. Mas por quê?

Esses níveis estão na parte inferior da coluna lombar e participam de muitos dos movimentos e cargas do dia a dia.

Com o tempo, podem surgir alterações no disco, como degeneração, protrusão ou hérnia. Quando há irritação ou compressão de uma raiz nervosa, podem aparecer sintomas como dor irradiada para a perna, formigamento ou dor ciática.

Mas encontrar uma alteração na ressonância não signif**a que a solução seja parar de se movimentar.
Manter-se ativo, fortalecer a musculatura do tronco, evitar longos períodos sentado e aprender a lidar melhor com as cargas do dia a dia podem fazer parte do tratamento — sempre de acordo com a avaliação de cada paciente.

Seu exame já mostrou alguma alteração em L4-L5 ou L5-S1? O que mais ajudou nos seus sintomas? Conta nos comentários.

22/09/2026

ATUALIZAÇÃO CIENTÍFICA | Medicina Regenerativa

Alshehri D, Sharaf RM, Almokhtar AA, Alamri MK, et al. Systematic Review Platelet-Rich Plasma Provides Greater Pain Relief and Functional Improvement Than Hyaluronic Acid for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. J ISAKOS. 2026.

DOI: 10.1016/j.jisako.2026.101218

Uma das maiores dificuldades na literatura sobre PRP é que produtos biologicamente diferentes continuam sendo agrupados sob o mesmo nome.

Esta revisão sistemática e meta-análise reuniu 28 ensaios clínicos randomizados, com 2.685 participantes, comparando PRP intra-articular com ácido hialurônico no tratamento da osteoartrite do joelho. O PRP apresentou maior melhora funcional pelo WOMAC e maior redução da dor pela VAS. A certeza da evidência, porém, foi moderada para função e baixa para dor.

Até aqui, nada muito surpreendente.

O ponto mais interessante aparece quando os autores tentam entender de onde vem a enorme heterogeneidade entre os estudos.

Nos subgrupos, os maiores efeitos foram observados em estudos com PRP pobre em leucócitos, protocolos com múltiplas aplicações e pacientes com osteoartrite leve a moderada. Além disso, a meta-regressão identificou a gravidade da osteoartrite e o número de aplicações como modif**adores estatisticamente signif**ativos do efeito.

Mas é justamente aqui que a interpretação precisa ser cuidadosa.

Essas análises são realizadas em nível de estudo, e não em nível individual. Portanto, não permitem concluir que um determinado paciente necessariamente responderá melhor porque recebeu LP-PRP ou porque foi submetido a múltiplas aplicações. Associação de subgrupo não é demonstração de causalidade.

Outro ponto importante é a heterogeneidade extremamente elevada, superior a 90% nas principais análises. Isso mostra o tamanho da variabilidade existente entre protocolos, populações, preparação do produto, concentração plaquetária, conteúdo leucocitário, número de aplicações, volumes, estágio da doença e estratégias de reabilitação.

E talvez esse seja justamente o principal aprendizado.

Perguntar apenas se

18/09/2026

Quase ninguém consegue esperar a consulta pra abrir o resultado do exame. Abre no carro, lê palavra por palavra e vai direto pro Google.
O problema é que aquele texto foi escrito numa língua que quase ninguém entende sem um médico do lado. E aí uma palavra lida fora de contexto começa a decidir o que a pessoa pode ou não pode fazer.

No vídeo eu explico o que realmente decide o seu dia.
⸻
🧑‍⚕️ Dr. Bruno Rossini · Ortopedista
CRM 52 79864-9 | RQE 23903
⚠️ Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. A avaliação é individual e deve ser feita por profissional que examine o seu caso.

15/09/2026

ATUALIZAÇÃO CIENTÍFICA | Medicina Regenerativa

Hernigou P, Centeno CJ, Berger DR, Dodson E, Murphy MB. Intraosseous bone marrow concentrate delays total hip arthroplasty in osteoarthritis: A fifteen year matched cohort study with dose–response analysis. International Orthopaedics. 2026.

DOI: 10.1007/s00264-026-06908-x

Este é um trabalho que considero particularmente interessante porque desloca a discussão da osteoartrite para além da cartilagem.

A osteoartrite é uma doença da articulação como um todo. Cartilagem, sinóvia, osso subcondral, medula óssea e interface osteocondral participam de forma integrada da progressão estrutural e da geração de dor. O osso subcondral, em especial, apresenta remodelação anormal, esclerose, microdanos trabeculares, alterações vasculares e aumento do turnover ósseo.

Foi justamente esse compartimento que Hernigou e colaboradores decidiram tratar.

O desenho do estudo é interessante: 217 pacientes que estavam sendo submetidos à artroplastia total de um quadril receberam, no mesmo ato anestésico, uma injeção intraóssea de concentrado de medula óssea no quadril contralateral, que também apresentava osteoartrite, mas ainda não havia chegado à indicação de prótese. Esses pacientes foram comparados com outros 217 controles pareados cujo quadril contralateral permaneceu em tratamento conservador. O seguimento chegou a 15 anos.

O desfecho principal foi clínico e extremamente objetivo: quanto tempo aquele quadril permaneceria sem necessidade de artroplastia.

Ao final de 15 anos, 16,1% dos quadris tratados com BMC intraósseo evoluíram para prótese, contra 40,1% no grupo controle. Aos cinco anos, as taxas eram 4,6% versus 28,6%; aos dez anos, 12,0% versus 35,9%.

Mas talvez o achado biologicamente mais interessante seja a relação dose-resposta.

A dose de CFU-F foi utilizada como marcador da quantidade de células progenitoras mesenquimais entregues. Quando os pacientes foram divididos em três grupos, a taxa de conversão para prótese foi de 38,8% no grupo de menor dose, 10% na dose intermediária e apenas 1,4% no grupo com maior dose de CFU-F. Além disso, maiores doses se associaram a perío

10/09/2026

Nos dias 4 e 5 de setembro de 2026 realizamos o curso Hands-On de Medicina Regenerativa em Coluna Vertebral.

E o principal diferencial desse formato é simples: não existe turma.

São apenas dois alunos.

Isso muda completamente a experiência. Em vez de assistir de longe, cada participante consegue discutir o caso, propor a estratégia terapêutica, executar os procedimentos, repetir etapas, corrigir técnica e tirar dúvidas em tempo real.

Durante os dois dias, todo o ambiente da clínica f**a disponível para treinamento prático.

Isso inclui ultrassonografia intervencionista em coluna lombar e cervical, radiofrequência pulsada, campo magnético pulsado, laser de alta intensidade e integração dessas terapias físicas ao raciocínio clínico e à reabilitação.

A proposta não é apenas ensinar onde posicionar uma agulha ou como preparar um ortobiológico.

É mostrar como combinar recursos diferentes dentro de uma estratégia de tratamento.

Os alunos acompanham e executam procedimentos guiados por ultrassonografia, discutem indicação de radiofrequência pulsada, parâmetros e aplicações de campo magnético pulsado e laser de alta intensidade, além de entender em que momento cada terapia pode contribuir para modulação da dor, controle inflamatório, recuperação funcional e retorno progressivo à carga.

Também trabalhamos o preparo e a utilização de plasma rico em plaquetas, aspirado de medula óssea e derivados de medula óssea, integrando indicação, processamento do produto, técnica de aplicação e acompanhamento pós-procedimento.

O objetivo é que o aluno saia entendendo o tratamento como um todo.

Não apenas o procedimento.

Não apenas o produto biológico.

Mas a combinação entre intervenção, ortobiológicos, terapias físicas e reabilitação.

E tudo isso com apenas dois participantes.

Sem plateia.

Sem f**ar olhando de longe.

É colocar a mão, testar, perguntar, errar, corrigir e repetir.

Porque, em técnicas intervencionistas e regenerativas, assistir ajuda.

Mas fazer muda tudo.

Nem todo mundo vê o que existe por trás de uma conquista como essa.São anos de estudo, incontáveis horas de dedicação, f...
09/09/2026

Nem todo mundo vê o que existe por trás de uma conquista como essa.

São anos de estudo, incontáveis horas de dedicação, finais de semana sacrif**ados, atualização constante e um compromisso diário em oferecer o melhor aos pacientes.

Por isso, hoje o sentimento é de muito orgulho.

Ver meu irmão, Thiago Rossini Montebello , passar a integrar como membro a Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC) representa o reconhecimento de uma trajetória construída com seriedade, ética e muito trabalho.

Quem conhece o Thiago sabe que essa conquista não muda quem ele é. Apenas reforça o compromisso que sempre teve com a excelência, a ciência e o cuidado com cada paciente.

Parabéns, meu irmão. Tenho muito orgulho da tua caminhada e de tudo o que ainda está por vir.

Endereço

Rio De Janeiro, Brazil
Rio De Janeiro, RJ

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