25/09/2024
𝗔𝘀 𝗔𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮𝘀 𝗢𝗻𝗹𝗶𝗻𝗲, 𝗮 𝗦𝗮ú𝗱𝗲 𝗠𝗲𝗻𝘁𝗮𝗹 𝗱𝗼𝘀 𝗕𝗿𝗮𝘀𝗶𝗹𝗲𝗶𝗿𝗼𝘀, 𝗲 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗮 𝗛𝗼𝗺𝗲𝗼𝗽𝗮𝘁𝗶𝗮 𝗽𝗼𝗱𝗲 𝗮𝗷𝘂𝗱𝗮𝗿
Recentemente, uma entrevista com o CEO de uma rede atacadista levantou um ponto intrigante sobre a queda nas vendas no varejo. O executivo sugeriu que os consumidores estavam desviando seus gastos para apostas online, em vez de adquirir produtos, incluindo alimentos. Inicialmente, poderia parecer uma tentativa de desviar a atenção das dificuldades enfrentadas pela empresa, mas dados de uma pesquisa conduzida pela AGP em parceria com a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) parecem corroborar essa afirmação.
𝗠𝘂𝗱𝗮𝗻ç𝗮𝘀 𝗻𝗼𝘀 𝗣𝗮𝗱𝗿õ𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗖𝗼𝗻𝘀𝘂𝗺𝗼
A pesquisa revelou que muitos brasileiros estão priorizando apostas online em detrimento de compras essenciais. De acordo com os dados, em primeiro lugar, as pessoas deixaram de comprar roupas, seguidas pela redução das compras de alimentos. Além disso, as despesas com lazer, como viagens e cinemas, também foram comprometidas. Isso sugere que as apostas online estão impactando não apenas o comércio, mas também o orçamento doméstico das famílias.
𝗢 𝗣𝗲𝗿𝗳𝗶𝗹 𝗱𝗼𝘀 𝗔𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮𝗱𝗼𝗿𝗲𝘀
Os dados indicam que 63% dos brasileiros que apostam online comprometem parte de sua renda em jogos. Entre aqueles afetados financeiramente devido às apostas, 23% relataram que pararam de comprar roupas, 19% reduziram gastos com supermercados, e 11% diminuíram despesas com saúde e medicamentos. Este cenário destaca um mercado crescente e preocupante, com gastos com apostas alcançando 55 bilhões de reais em 2023, e que está projetado para superá-los em 2024.
𝗢 𝗩í𝗰𝗶𝗼 𝗲𝗺 𝗝𝗼𝗴𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗔𝘇𝗮𝗿
As razões que levam as pessoas a se tornarem viciadas em jogos de azar são variadas: desde a busca por alívio da solidão até a tentativa de resolver problemas financeiros. Esse comportamento, conhecido como “Ludopatia”, pode afetar profundamente a vida de um indivíduo, semelhante à dependência de substâncias como álcool e dr**as. Estudos indicam que a liberação de dopamina durante as apostas gera um ciclo vicioso, onde o prazer temporário leva a comportamentos compulsivos.
𝗔𝘀 𝗮𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮𝘀 𝗼𝗻𝗹𝗶𝗻𝗲 𝗻𝗼 𝗕𝗿𝗮𝘀𝗶𝗹 𝗲𝘀𝘁𝗲 𝗮𝗻𝗼
Brasileiros gastaram neste ano cerca de R$ 20 bilhões por mês em apostas online, estima BC em que aproximadamente 24 milhões de pessoas físicas participaram de jogos de azar e apostas online, realizando pelo menos uma transferência via Pix durante o período analisado.
Ainda segundo levantamentos realizados, a empresas de apostas online receberam em agosto R$ 3 bilhões de beneficiários do Bolsa Família [G1 - 24/09/2024].
𝗦𝗶𝗻𝘁𝗼𝗺𝗮𝘀 𝗲 𝗖𝗼𝗻𝘀𝗲𝗾𝘂ê𝗻𝗰𝗶𝗮𝘀
O vício em jogos de azar apresenta sintomas alarmantes, como a incapacidade de controlar o impulso de jogar, priorizar o jogo em relação a outras atividades importantes, e ocultar o verdadeiro tempo e dinheiro gastos no vício. Esses comportamentos não só têm implicações financeiras, mas também trazem prejuízos significativos para a saúde mental e bem-estar dos indivíduos e suas famílias.
𝗟𝗮𝘃𝗮𝗴𝗲𝗺 𝗱𝗲 𝗱𝗶𝗻𝗵𝗲𝗶𝗿𝗼
Facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), e “capos” do jogo do bicho já disputam fatias do mercado de apostas esportivas, além das notícias da participação e divulgação das apostas online por Influenciadores digitais, que já foram presos e soltos por influências políticas ou por serem sócios em empresas de apostas.
𝗥𝗲𝗳𝗹𝗲𝘅õ𝗲𝘀 𝗙𝗶𝗻𝗮𝗶𝘀
O fenômeno das apostas online não é exclusivo do Brasil, mas torna-se cada vez mais relevante no contexto da economia e da saúde mental. É imperativo que haja um aumento na conscientização sobre os riscos associados ao vício em jogos de azar, especialmente entre grupos mais vulneráveis. A promoção de campanhas educativas e a adoção de políticas públicas podem ajudar a mitigar os problemas gerados por essa prática crescente.
As diversas pesquisas indicam uma diminuição nas compras e revelam o interesse por parte dos investidores de recuperar e aumentar os investimentos no setor econômico, nada além disso. Porém o impacto negativo das apostas online sobre a saúde dos trabalhadores brasileiros exige uma ação proativa no setor da saúde para acolher essas pessoas e mitigar os danos associados ao vício.
𝗔 𝗛𝗼𝗺𝗲𝗼𝗽𝗮𝘁𝗶𝗮 𝗲 𝗮 𝗰𝗼𝗺𝗽𝘂𝗹𝘀ã𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼 𝗷𝗼𝗴𝗼
A dependência, tanto de substâncias como de comportamentos compulsivos, é uma questão complexa e multifacetada. Gabor Maté, psicoterapeuta canadense, observa que, muitas vezes, o vício surge de uma tentativa de preencher um vazio espiritual ou emocional. A sociedade consumista apenas aprofunda esse sentimento de vazio, exacerbando comportamentos de dependência.
No tratamento homeopático, certos grupos de remédios parecem ser mais indicados para lidar com as causas subjacentes do vício. No entanto, o tratamento eficaz vai além da Homeopatia, exigindo uma abordagem psicossocial competente. Como citado por Hammond, "o vício prospera no isolamento", o que reforça a importância de apoio comunitário e de programas de 12 passos para promover a recuperação e a reintegração social dos indivíduos dependentes.
Essas terapias integradas, unindo Homeopatia e suporte psicossocial, têm mostrado resultados promissores em estudos de casos, sugerindo que é possível tratar tanto as causas profundas quanto os sintomas comportamentais das dependências.
Sendo assim, compartilho um caso.
J.A., um homem casado de meia-idade com dois filhos, enfrentava um grave problema com jogos de azar. Após sua esposa encontrá-lo escrevendo uma nota de suicídio, ele foi hospitalizado e posteriormente encaminhado para tratamento. Embora estivesse frequentando Jogadores Anônimos (JA) e não jogasse há um mês, ainda tinha pensamentos obsessivos sobre jogos.
J.A. descreveu um forte medo de altura, comum entre jogadores, relacionado ao medo de ascender e depois perder tudo. Ele também revelava inseguranças profundas, sentindo-se incapaz e com medo de ser descoberto como inadequado. Esses sentimentos remontavam à infância, quando buscava aprovação de irmãos e primos mais velhos, mas era constantemente excluído e rejeitado.
Durante o tratamento, várias tentativas com remédios homeopáticos foram feitas sem sucesso. No entanto, após uma longa entrevista, identificou-se que ele precisava de um remédio da família dos lírios, que trata sentimentos de exclusão, rejeição e medo de perder o status social. O remédio V.a. foi administrado, conhecido por tratar compulsão por jogos e medo de ser expulso ou rejeitado socialmente. Um mês após tomar a dose, J.A. relatou uma diminuição significativa em seus pensamentos sobre jogos.
J.A., além de seu vício em jogos de azar, carregava um profundo medo de ser inadequado e rejeitado, sentimentos que o perseguiam desde a infância. Quando criança, ele ansiava por aceitação de seus irmãos e primos mais velhos, mas era frequentemente deixado de fora das brincadeiras, o que o fez sentir-se excluído e "não divertido". Essa insegurança permaneceu com ele na vida adulta, refletindo-se em sua carreira e vida pessoal. Ele acreditava que, para ser aceito e valorizado, precisava ocupar posições de destaque e ter sucesso, mas vivia com o medo constante de que as pessoas descobrissem que ele "não era bom o suficiente".
Essa combinação de ambição por status e o medo de perder sua posição social é comum em jogadores, que sonham em ascender financeiramente, mas temem a queda. Esse padrão se repetia na vida profissional de J.A., onde ele alcançava altos cargos, mas sempre se sentia inadequado e com medo de falhar. O vício em jogos surgia como uma tentativa de alcançar algo maior e preencher esse vazio emocional, agravando suas inseguranças e colocando sua vida financeira e familiar em risco.
No tratamento homeopático, depois de várias tentativas com remédios que não trouxeram resultados, J.A. foi submetido a uma análise mais profunda de sua personalidade e suas raízes emocionais. Ficou claro que ele precisava de um remédio relacionado à família dos lírios, que lida com sentimentos de exclusão, rejeição e medo de perder o lugar social. O remédio específico, V.a., é conhecido por tratar comportamentos compulsivos, como o jogo, e por ajudar pessoas que têm medo de perder seu status ou serem subitamente expulsas de suas posições.
Após a administração de uma dose única de V.a., J.A. relatou uma melhora significativa. Ele quase não pensava mais em jogos de azar e parecia mais seguro em sua recuperação. O tratamento homeopático, juntamente com o suporte psicossocial e os encontros em Jogadores Anônimos, permitiu que ele controlasse melhor seus impulsos e enfrentasse as inseguranças profundas que estavam na raiz de seu vício.
Sigo acompanhando J.A. e ele as reuniões dos JA.