20/01/2026
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Pepino, laranja e couve foram os alimentos com mais problemas relacionados à presença de agrotóxicos em 2024, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As informações fazem parte do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), inserido no Plano Plurianual 2023–2025, que monitora a presença dessas substâncias nos alimentos mais consumidos no Brasil.
Ao todo, foram analisadas 3.084 amostras de 14 alimentos. O conjunto monitorado representa cerca de 37% dos alimentos de origem vegetal consumidos pela população brasileira. O relatório avaliou os seguintes grupos: cereais (trigo, milho e aveia); hortaliças folhosas e não folhosas (couve, pepino e abobrinha); frutas (maçã, uva, banana, pera, laranja e mamão); e leguminosas e bulbos (cebola e soja).
O pepino aparece no topo da lista, com 46% das amostras irregulares, seguido pela laranja (39%) e pela couve (35%). Também apresentaram índices elevados a uva, a maçã, a abobrinha e o mamão.
Apesar de o percentual geral de irregularidades ser o menor desde 2017, os dados não devem ser analisados de forma ingênua. Mudanças nos critérios de análise, a retirada de alguns alimentos do monitoramento e a flexibilização de regras ajudam a ocultar a dimensão real do problema.
O programa analisa exclusivamente alimentos in natura. Esse recorte, no entanto, não exclui outro problema grave presente na alimentação da população brasileira: os alimentos ultraprocessados. Se os dados sobre alimentos in natura já são preocupantes, a situação dos ultraprocessados é ainda mais alarmante.
A pesquisa “Tem veneno nesse pacote”, realizada pelo Idec, identificou a presença de resíduos de agrotóxicos em produtos populares, inclusive aqueles voltados ao público infantil, como bolos prontos e bebidas lácteas. Dos 24 produtos ultraprocessados analisados na terceira e mais recente edição do estudo, 12 apresentaram resíduos de agrotóxicos, e o glifosato foi identificado em sete das amostras.