27/09/2023
se eu morrer amanhã...
abram as janelas
deixem o sol entrar
liguem o rádio
ponham música para tocar
vistam branco
azul
cor-de-rosa
a cor que mais bonita
desejarem
sejam leveza
primavera
jardim colorido
voo de borboleta
e para a minha [tal] despedida
levem flores do jardim
pedras, conchas
pauzinhos
não gastem dinheiro
usem-no para doação
para vos fazer felizes
para algo útil
e vivo
para onde eu vou
não preciso de mais nada.
os mortos nunca precisam
de mais nada
separem as minhas coisas
assim que puderem
não guardem muito
se possível
nada
doam a maior quantidade do que se aproveitar
deitem fora
façam por não se apegarem
chorem
façam o luto
completem o [tal] processo
mas façam da saudade ação
transformem as minhas memórias
em eternos momentos de diversão
contem as minhas histórias
piadas
reinventem de mim
do que partilhamos
juntos
novas canções
para onde eu vou
não preciso de mais nada
eu vou estar bem
livre.
sem peso
nem preocupação
eu vou estar em casa
em paz
em celebração
e saber-vos bem
será a minha maior herança
maior honra
e me fará nessa vossa alegria
VIVA
no vosso coração
por isso,
se amanhã eu morrer,
no calendário sem hora marcada,
abram as janelas
deixem o sol entrar
liguem o rádio
ponham música para tocar
e brindem à minha [tal] missão
que cumprida,
aqui...
ACABOU!
brindem...
à eternidade que nos espera
porque nesse instante
para Mim
a verdadeira Vida
COMEÇOU
eu já Estarei Em CASA.
Texto de Sónia Machado Oliveira Araújo
Página Sem Hora Marcada
Foto Google