02/09/2026
Foram mais de dois meses enfrentando crises de ansiedade todos os dias. Muitas vezes, várias vezes durante o dia. Crises de pânico, medo, muita, muita angústia e a sensação de estar em alerta o tempo inteiro. Foram necessárias trocas de medicação, terapia, introspecção e uma busca constante por conteúdos e ferramentas que pudessem me ajudar a atravessar esse período. Vídeos de culinária, de psicólogos e psiquiatras explicando o que eu estava sentindo e como lidar com as crises, resenhas de lutas, que é algo que gosto e me distrai, doramas, quebra-cabeças, e até intensifiquei meu japonês no Duolingo.
E finalmente, depois de mais de dois meses, estou conseguindo me regular emocionalmente novamente.
Mas existe uma parte dessas crises que quase ninguém vê. A gente continua trabalhando, cumprindo compromissos, respondendo mensagens, resolvendo as coisas do dia a dia, continua funcionando. Mesmo, por dentro, estando em pedaços. E como é difícil explicar para quem está de fora o tamanho do esforço que existe por trás de uma pessoa que aparentemente está “normal”.
Infelizmente, não existe uma fórmula para encontrar essa regulação. Cada pessoa vai ter que descobrir, com ajuda e no seu próprio tempo, o que funciona para ela. E isso pode levar tempo. Dias, semanas, meses.
Penso que talvez eu pudesse ter evitado chegar a esse ponto. São notícias ruins o tempo todo, excesso de informação, violência, cobranças e uma quantidade enorme de conteúdo negativo chegando até nós através das redes e da hiperconectividade. Às vezes, se proteger também é se afastar um pouco, silenciar, colocar limites, escolher o que consumir e se permitir não acompanhar tudo. Precisamos aprender a nos proteger e, sempre que necessário, nos blindar do excesso. Isso também acontece com vocês?