10/12/2025
Quem em acompanha de perto aqui conhece a nossa saga do brócolis. Isabella, hoje com 7 anos, desde os 4-5 vive uma montanha russa de amor e ódio com esse vegetal. Tem fases em que ama e come um monte, tem outras em que simplesmente enjoa e não aceita mais.
Essa história dela ilustra muito bem o que deveria ser a condução do adulto nos casos de recusas de alimentos que a criança antes comia. Mas o que mais presencio são verdadeiras guerras na mesa quando a criança se recusa a comer qualquer item do prato.
Frases como:
“Que bobeira, você sempre comeu.”
“Tem que comer pelo menos 1, senão não ganha a sobremesa.”
“Você gosta de brócolis, não vai comer por quê?”
“Que foi? Está ruim? Me dá aqui que eu tiro pra você. Vou fazer um ovinho.”
Isso quando não tem mil tentativas de coação. Briga, choro, ansia de vomito, esconde embaixo do feijão, cospe, briga de novo.
Ah se vocês soubessem o quanto a gente f**a leve quando aprende de verdade a deixar a criança dizer não. Ah se vocês conhecessem o poder da rotina, da leveza, do lúdico, do modelo.
“Mas eu como sempre, ele me vê comendo, mas não adianta” - come e f**a o tempo todo mostrando? “Olha, mamãe esta comendo brócolis, está toa gostoso, prova um pedaço” - não é com pressão que a criança vai voltar a comer.
Se sempre comeu, é capaz de comer ainda. Provavelmente foi um enjoo passageiro. Aqui, sempre que começou a recusar o brócolis, fizemos o seguinte:
Sigo ofertando, sempre que a familia for comer. Mas sem nenhuma tentativa de convencer a comer. As vezes eu brinco com ela, dizendo “ih, Isabella brigou com o brocolis de novo gente. Quando você vai fazer as pazes?” - f**a leve e divertido, ela sempre ri e não se sente pressionada.
Exploro bastante ele na cozinha, com ajuda dela. Fazemos receitas diferentes e ele se mantem no cardápio de uma maneira mais mascarada (não escondida!), que ela consegue naquele momento.
As vezes fico umas 2 semanas sem aparecer com ele em casa e então volto.
Nunca, nunquinha - e isso é o mais importante - uso de punição, recompensa ou negociação para comer. Ela vai comer se e quando quiser.