10/08/2026
ESQUECIMENTO E CANSAÇO , PIOR NOS IDOSOS. FAZER OQUE? Antiácidos “para o estômago”: qual é o risco de usar por muito tempo e ter falta de nutrientes?
O risco existe, mas costuma ser grande na maioria das pessoas. Os remédios que diminuem bastante o ácido do estômago — principalmente os inibidores da bomba de prótons (IBP), como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol — podem, com uso contínuo, atrapalhar a absorção de algumas vitaminas e minerais. A maioria das evidências vem de estudos observacionais (associação), mas a relação é biologicamente plausível.
Por que isso pode acontecer?
O ácido do estômago ajuda a “soltar” nutrientes dos alimentos e facilita a absorção no intestino. Quando o ácido f**a baixo por muito tempo, alguns nutrientes podem ser pior aproveitados.
Principais nutrientes que podem ser afetados (os mais importantes primeiro)
1) Vitamina B12
• A B12 dos alimentos (principalmente carnes, leite e ovos) precisa do ácido do estômago para ser liberada. Com pouco ácido, pode haver queda da absorção.
• Em geral, isso é mais provável em idosos, pessoas com alimentação pobre, quem já tem problemas no estômago (ex.: gastrite atróf**a) ou usa o remédio por muito tempo.
2) Magnésio
• Em algumas pessoas, o uso prolongado de IBP pode se associar a magnésio baixo, o que pode causar cãibras, formigamentos, fraqueza e, raramente, alterações do ritmo do coração.
• É considerado um evento incomum, mas potencialmente importante quando acontece.
3) Cálcio (e saúde óssea)
• Existe a possibilidade de o baixo ácido reduzir a absorção de alguns tipos de cálcio na dieta, o que pode contribuir para ossos mais frágeis em pessoas suscetíveis (ex.: idosos, pós-menopausa, quem já tem risco de osteoporose).
• Importante: diretrizes destacam que, para a maioria das pessoas sem outros riscos, não é necessário “tomar cálcio/vitamina D a mais” nem fazer exames de osso só por causa do IBP.
4) Ferro
• O ácido do estômago ajuda na absorção do ferro (especialmente o ferro “não-heme”, de origem vegetal). Em uso prolongado, pode haver associação com ferro baixo/anemia em alguns casos.
Quem tem mais chance de ter deficiência?
• Uso por muito tempo (meses a anos) e/ou dose alta.
• Idosos.
• Quem tem Helicobacter pylori persistente ou gastrite crônica (podem reduzir ácido e piorar absorção).
• Dieta restritiva, desnutrição, pós-cirurgia do estômago/intestino, ou outros remédios que também interferem em nutrientes (seu médico avalia caso a caso).
Preciso fazer exames de rotina por usar antiácido?
Na maioria das pessoas, não. Especialistas (gastroenterologia) recomendam que quem usa IBP por longo prazo não faça, de rotina, exames de B12, magnésio ou densitometria óssea se não houver outros fatores de risco ou sintomas.
Sinais de alerta para conversar com seu médico (pode ser deficiência)
• Cansaço forte, palidez, falta de ar aos esforços (pode sugerir anemia/ferro ou B12).
• Formigamento, dormência, desequilíbrio, “choques” nas mãos/pés (pode sugerir B12).
• Cãibras frequentes, tremores, palpitações (pode sugerir magnésio baixo).
Como reduzir o risco sem “sofrer de azia”
• Use o remédio na menor dose que controle os sintomas e reavalie de tempos em tempos com seu médico se ainda precisa dele.
• Evite “usar por conta própria” por tempo prolongado; se precisar sempre, vale investigar a causa (refluxo, gastrite, H. pylori, etc.).
• Mantenha uma alimentação variada com fontes de B12 (alimentos de origem animal ou fortif**ados), ferro, magnésio e cálcio.