Psicologia em Diáspora

Psicologia em Diáspora Atendimento psicoterapêutico centralizado na perspectiva clínica racializada. Psicólogas Ana Carolina Cruz e Tainara Cardoso

Há dias em que alguma coisa acontece, ou deixa de acontecer, e parece que o corpo inteiro perde o eixo.Nesses momentos, ...
21/08/2026

Há dias em que alguma coisa acontece, ou deixa de acontecer, e parece que o corpo inteiro perde o eixo.

Nesses momentos, é comum buscar distrações, ruídos e formas de anestesiar aquilo que estamos sentindo. E não estamos aqui para dizer o que você deveria ou não fazer. Cada pessoa encontra, ao longo da vida, os recursos possíveis para atravessar os dias difíceis.

Mas talvez exista outra possibilidade: voltar ao corpo.

Não necessariamente através de grandes mudanças ou práticas elaboradas. Às vezes, o cuidado pode começar justamente naquilo que já fazemos todos os dias.

Um banho pode deixar de ser apenas banho. Uma roupa pode se transformar em abraço. Um copo d'água pode nos devolver à percepção do próprio corpo. Uma refeição pode ser uma experiência de presença. A respiração pode nos lembrar que ainda estamos aqui.

E o toque das nossas próprias mãos pode ser uma maneira simples de oferecer carinho a um corpo que passou o dia inteiro nos sustentando.

Ritualizar o cotidiano é, nesse sentido, criar pequenos espaços de presença dentro da própria vida. Não para fazer desaparecer o que dói.
Mas para lembrar que, mesmo nos dias difíceis, você continua merecendo cuidado.

🧡  Experimente um desses pequenos rituais hoje e, se fizer sentido, conte para nós como foi.

E estamos preparando novas oficinas e práticas de cuidado para ampliar essas possibilidades de encontro.

Uma pergunta pode carregar muito mais do que parece: “Mas é psicoterapia social?”Nós sabemos que a psicoterapia privada ...
14/08/2026

Uma pergunta pode carregar muito mais do que parece: “Mas é psicoterapia social?”

Nós sabemos que a psicoterapia privada não está ao alcance de todas as pessoas. Existem desigualdades concretas de acesso ao cuidado e, justamente por reconhecê-las, queremos construir outras possibilidades para que mais pessoas possam acessar a saúde mental.

Mas ampliar o acesso não significa que a psicoterapia realizada por nós precise valer menos. Existe formação, estudo, supervisão, experiência, tempo, trabalho e presença por trás de cada atendimento. E existe também o direito de quem cuida a ter uma vida digna, descansar, realizar sonhos e construir uma existência que não esteja limitada à sobrevivência.

Por isso, precisamos perguntar: por que, diante de um trabalho realizado por duas Mulheres Negras em um território periférico, a primeira associação é a de que ele deveria ser social, gratuito ou mais barato?

Não estamos dizendo que discutir preço não seja importante. Estamos dizendo que é preciso olhar para aquilo que, muitas vezes, determina o valor atribuído ao trabalho de pessoas negras antes mesmo que elas apresentem seu preço.

Queremos defender o acesso ao cuidado sem reproduzir a lógica de que, para que outras pessoas tenham acesso, quem cuida precisa abrir mão do próprio direito à dignidade.

Podemos fortalecer o SUS, criar políticas públicas, construir projetos e novas formas de acesso. E podemos, ao mesmo tempo, reconhecer que o trabalho de profissionais negras também tem valor.

Essa é uma reflexão que o Psicologia em Diáspora quer continuar construindo coletivamente. Queremos ampliar o acesso ao cuidado sem diminuir o valor de quem cuida.

E queremos ouvir vocês também: como essa reflexão chega por ai?

Talvez o sofrimento não esteja apenas nas dificuldades que enfrentamos, mas também na exigência permanente de correspond...
12/08/2026

Talvez o sofrimento não esteja apenas nas dificuldades que enfrentamos, mas também na exigência permanente de corresponder a uma história que nunca foi escrita por nós.
Aprendemos a comparar nossos caminhos usando referências que desconsideram os diferentes pontos de partida. Como se todas as pessoas tivessem recebido as mesmas condições para crescer, estudar, trabalhar, descansar, amar, sonhar e existir.
Mas não receberam.
Para pessoas negras na diáspora, essa comparação pode ser ainda mais perversa. Nossas histórias foram muitas vezes contadas a partir da falta, da violência e da sobrevivência. Enquanto isso, tantos saberes, afetos, invenções, estratégias e possibilidades produzidos em nossos territórios foram invisibilizados.
Por isso, talvez seja preciso perguntar menos “por que eu ainda não cheguei lá?” e mais:
Quem definiu onde é esse “lá”?
Quem escreveu essa régua?
E por que eu deveria medir a minha vida por ela?
Abandonar a comparação não significa deixar de desejar mudanças ou reconhecer aquilo que queremos transformar. Significa compreender que cada trajetória é atravessada por histórias, condições, violências, privilégios, encontros e possibilidades diferentes.
Seu processo não precisa caber em uma história única. Nenhuma vida precisa.

Faz sentido pra você? 🧡

Com a colonização, aprendemos a enxergar a natureza como um conjunto de recursos disponíveis para exploração. A terra pa...
31/07/2026

Com a colonização, aprendemos a enxergar a natureza como um conjunto de recursos disponíveis para exploração. A terra passou a ser propriedade. As florestas, matéria-prima. Os rios, canais de abastecimento.

Mas essa nunca foi a única maneira de compreender o mundo.

Em Ideias para adiar o fim do mundo, Ailton Krenak nos lembra que, para o povo Krenak, o rio é um avô, um ancestral. Não porque seja uma metáfora bonita, mas porque a vida de uma comunidade depende da relação de cuidado construída com ele. Quando um rio morre, uma parte da memória, da cultura e da própria possibilidade de existir também morre.

Em São Gonçalo, o Rio Imboaçu carrega essa história. Antes caudaloso e navegável, hoje traz as marcas da poluição e da urbanização sem planejamento. Ainda assim, sua nascente permanece viva, na APA do Engenho Pequeno, lembrando que todo curso começa em algum lugar.

Talvez esse provérbio africano também fale sobre nós.

Voltar à nascente não significa viver no passado. Significa reconhecer os territórios, as pessoas, os saberes e as ancestralidades que continuam alimentando quem somos.

🧡 E você? Quando pensa na sua própria nascente, o que ainda segue correndo dentro de você?

Referências:
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo; A vida não é útil.
Comitê da Baía de Guanabara – Rio Imboaçu.
Projeto de Restauração Florestal da APA do Engenho Pequeno.

Permanecer em São Gonçalo é uma escolha vai além de um endereço. Para nós, permanecer também é um gesto político. É cont...
24/07/2026

Permanecer em São Gonçalo é uma escolha vai além de um endereço. Para nós, permanecer também é um gesto político. É contracolonizar a ideia de que sempre precisamos nos afastar do nosso território para sermos reconhecidas, valorizadas ou produzir cuidado de qualidade.

São Gonçalo é um território majoritariamente negro. Um território atravessado por desafios, mas também por histórias, afetos, criatividade, resistência e comunidade.

Acreditamos que o cuidado não deve ser um privilégio dos grandes centros urbanos. Ele também precisa existir onde as pessoas vivem, trabalham, criam seus filhos e constroem suas histórias. Foi por isso que escolhemos ficar. Porque acreditamos que cuidar também é fortalecer vínculos com o nosso território e com a nossa gente.

🧡 E você? Como o seu território atravessa a história de quem você é?

📸 Imagens por Ana Carolina Cruz em São Gonçalo

A quem pertence o nosso tempo?Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes da nossa época.Vivemos em uma sociedad...
18/07/2026

A quem pertence o nosso tempo?
Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes da nossa época.
Vivemos em uma sociedade que nos ensinou a medir a vida pelo relógio, pela produtividade e pela capacidade de produzir cada vez mais. Mas essa relação com o tempo não é natural. Ela foi construída historicamente.

A lógica colonial e capitalista transformou o tempo em mercadoria e os corpos em instrumentos de produção. Descansar passou a parecer culpa, amadurecer virou atraso e cuidar de si, perda de tempo.

As filosofias africanas nos oferecem outra possibilidade.
O pensador congolês Bunseki Fu-Kiau apresenta Kitembo como um tempo que ultrapassa o relógio. O tempo é vida em movimento. Está na natureza, na comunidade, na ancestralidade e nas transformações que acontecem quando respeitamos o ritmo de cada existência.

Pensar nisso também é olhar para a experiência da população negra. A escravização sequestrou o tempo: roubou infâncias, interrompeu histórias e acelerou corpos para produzir riqueza para outros. Muitos desses efeitos permanecem quando somos pressionados a provar nosso valor o tempo inteiro ou acreditar que descansar precisa ser merecido.

Como nos ensina Luiz Rufino, há saberes que só aparecem quando caminhamos pelas encruzilhadas, sem a obsessão de chegar primeiro.
Talvez por isso uma criança não aprenda porque foi apressada. Um processo terapêutico não amadureça porque recebeu urgência. E uma ferida histórica não cicatrize porque alguém decidiu que já passou da hora.
Há curas que acontecem na velocidade da confiança.

🧡 E você? Quando foi que a pressa começou a decidir o ritmo da sua vida?

Referências
FU-KIAU, Kimbwandende Kia Bunseki. African Cosmology of the Bântu-Kôngo: Principles of Life and Living. Brooklyn: Athelia Henrietta Press, 2001.
RUFINO, Luiz. Pedagogia das Encruzilhadas. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2019.

Qual foi a primeira palavra que o mundo usou para chamar você?Muito antes de respondermos quem somos, aprendemos a respo...
03/07/2026

Qual foi a primeira palavra que o mundo usou para chamar você?

Muito antes de respondermos quem somos, aprendemos a responder ao nosso nome.

Foi por ele que nos chamaram na família, na escola, nas instituições. Foi por ele que muitas histórias começaram. E, às vezes, também foi por ele que recebemos afeto, violência, pertencimento ou silêncio.

Na Psicologia em Diáspora, acreditamos que identidade também faz parte do cuidado em saúde mental. Por isso, na psicologia racializada, não olhamos apenas para os sintomas. Olhamos para a história que atravessa cada pessoa: seu território, sua ancestralidade, sua cor, seus vínculos, suas memórias e os sentidos que construiu sobre si ao longo da vida.

Seu nome não é apenas uma forma de ser identificado.

Ele também pode guardar histórias de resistência, pertencimento e continuidade.

Hoje, faça um pequeno exercício.

Pronuncie o seu nome em voz alta.

Depois, complete a frase:

"Eu, ________, mereço..."

Talvez esse seja um jeito de começar a se escutar com mais gentileza.

🧡 E você? Conhece a história do seu nome? Ela diz algo sobre quem você é hoje?

Começar um processo psicoterapêutico é, muitas vezes, entrar em um lugar desconhecido. É comum chegar com dúvidas, medos...
28/06/2026

Começar um processo psicoterapêutico é, muitas vezes, entrar em um lugar desconhecido. É comum chegar com dúvidas, medos ou sem saber exatamente o que dizer. Não existe uma forma certa de começar. Basta chegar como você consegue.

Na nossa clínica, partimos de um princípio que sustenta todo o nosso trabalho: não existe neutralidade. A forma como enxergamos a vida, interpretamos o que vivemos e sentimos a nossa própria dor é atravessada pela nossa história, pelas experiências que tivemos e pelos nossos marcadores sociais, como a nossa raça, gênero, idade, o lugar onde moramos e as nossas condições de vida.

Por isso, durante todo o processo, uma pergunta nos acompanha: Qual é a relação da sua dor com a sua cor?
Essa pergunta não procura uma resposta certa. Ela nos convida a compreender que nenhum sofrimento nasce isolado da realidade em que vivemos. Cada dor tem um contexto e diferentes atravessamentos que merecem ser vistos, nomeados e acolhidos.

Sabemos que a psicoterapia não é uma estrada reta. Existem avanços, pausas, recaídas e recomeços. Transformar-se não é caminhar sem tropeços. É aprender a seguir, mesmo quando o percurso muda de direção.

Por isso, não temos receitas prontas nem prazos fixos. O tempo do processo é o seu tempo, e esse caminho será construído junto com você. Aqui, não dizemos quem você deve ser. Construímos um espaço seguro, livre de julgamentos e censuras, para fazer perguntas e ampliar possibilidades.

Mais do que aliviar uma dor, a psicoterapia é a possibilidade de você se ouvir com mais clareza, reconhecer quem é e, aos poucos, se reapresentar ao mundo e à própria vida.

Agora que a porta já está aberta, entre. Fique à vontade. Este espaço também pode ser seu. 🤎

Endereço

EStrada Raul Veiga, 500/sala 518, Alcântara
São Gonçalo, RJ
24710-480

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Psicologia em Diáspora posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Entre Em Contato Com O Negócio

Envie uma mensagem para Psicologia em Diáspora:

Atalhos

Compartilhar