02/09/2026
FILHOS X REDES SOCIAIS: PSICÓLOGA ANA AMÉLIA JUNQUEIRA DESTACA A RESPONSABILIDADE DOS PAIS NO CONTROLE AO ACESSO
As redes sociais fazem parte do dia-a-dia de crianças e adolescentes, isso é fato. As novas gerações ‘nasceram conectadas’, porém a utilização destes meios de comunicação e entretenimento pelos menores precisam ser monitorados de perto pelos pais ou responsáveis, já que essas mesmas redes também podem oferecer perigos, problemas e riscos àqueles que realmente são mais vulneráveis aos conteúdos.
Para falar sobre o tema, a psicóloga credenciada SAVISA, Ana Amélia Junqueira foi entrevistada pelo radialista Paulo Sérgio Rodrigues, no Jornal do Meio Dia, programa veiculado pela Rádio Difusora 107,3 FM, na tarde de terça-feira, 01/09.
Ela iniciou a entrevista falando sobre a decisão da ANPD - Agência Nacional de Proteção de Dados de multar o TikTok, rede muito utilizada por crianças e jovens, para reforçar a fiscalização sobre seus conteúdos. “Os conteúdos dessa rede social não tem filtro às idades e eu achei pertinente a multa justamente para também responsabiliza-la acerca dos mesmos, porém, essa responsabilidade não deve ser somente das redes ou até mesmo de espaços como a escola, que, inclusive, em alguns estados já proibiu o uso de celulares no ambiente escolar, mas essencialmente dos pais ou responsáveis”, observou.
Sobre o tempo que crianças e jovens devem permanecer nas telas, a psicóloga recomendou 2 horas diárias. “É tempo suficiente para se divertirem, se entreterem, pois realmente há bons conteúdos, mas tudo isso precisa ser acompanhado de perto pelos pais para garantir a segurança de tudo que os filhos estão ‘consumindo’ virtualmente”.
Ela também falou a respeito da idade recomendada para que os pais deem celular aos filhos. “Costumo orientar a partir dos 16 anos, mas sei que isso é quase impossível devido às facilidades da Internet, inclusive para estudos. Portanto, a recomendação é que papai e mamãe controlem e monitorem tempo e conteúdo, mesmo quando os filhos já tiverem 16 anos. Crianças e jovens até essa idade ainda não tem discernimento e vivência necessários para uso sem nenhum acompanhamento, e isso pode se tornar um perigo iminente, pois sempre haverá pessoas mal intencionadas e conteúdos perniciosos sendo difundidos”.
PROBLEMAS RELACIONADOS AO USO EXCESSIVO DAS REDES SOCIAIS
Ana Amélia falou, ainda, sobre problemas relacionados ao uso excessivo das redes pelos menores, o que inclui principalmente a irritabilidade, a agressividade, falta de concentração, ansiedade, e esses impactos podem ser ainda maiores em menores portadores de transtornos do neurodesenvolvimento.
E, meninos e meninas, têm razões diferentes para acessarem as redes. “As meninas procuram por conteúdos de beleza, identif**ação, autoestima, estética ou até por ‘paqueras’, ‘namorinhos’. Já os meninos utilizam quase sempre para jogos online”.
Mas, e quando é preciso impor limites e isso gera conflitos entre pais e filhos? “Acredito que os ‘nãos’ dos pais relativos ao controle de tempo e conteúdos sempre gerarão conflitos. Por isso é tão necessário que eles dialoguem com os filhos, expliquem os motivos de imporem esses limites, dos ‘nãos’, com clareza, com transparência. Não adianta nada impor uma condição sem explicar o porquê dela”, orientou.
Ana Amélia afirmou que se for preciso decisões mais drásticas dos pais, como retirar o aparelho celular dos filhos, também podem ocorrer episódios de irritabilidade, agressividade, mas dentro de 15 a 20 dias, os sintomas passam gradativamente, e é preciso que os pais continuem firmes nas decisões tomadas, sempre limitando e monitorando o acesso às redes.
A IMPORTÂNCIA DO CONVÍVIO, DA TROCA ENTRE PAIS E FILHOS
O uso equilibrado das redes sociais também deve começar pelos próprios pais, conforme observou Ana Amélia. “Muitas vezes os pais passam muito tempo nas redes, mas querem cercear os filhos à utilização. Crianças e jovens são levados pelo exemplo. E também é pertinente que os pais fiquem atentos aos exemplos que estão proporcionando aos filhos com relação à permanência nas redes”.
A psicóloga sugeriu que ao menos uma vez na semana se promova o ‘dia da família’, com a participação de todos, sem celular, realizando jogos em família, leituras, passeios, momentos de lazer, mas sem o uso da Internet.
“Além disso, sugiro que ao menos nos momentos das refeições não se faça o uso do celular à mesa. É muito triste quando vamos a um restaurante ou mesmo em casa e a família está com celular em mãos sem a troca de nenhuma palavra ou gesto naquele momento tão importante. Atualmente, a família precisa, mais do que nunca, de trocas, de experiências, de convivência entre seus membros. Esse tempo de interação junto a pais e filhos é essencial, portanto, menos celular e mais proximidade, conversas, atividades juntos, e incluo aqui a prática de esportes, tão necessários à manutenção da nossa saúde, em todas as idades”.
A BUSCA POR AUXÍLIO PSICOLÓGICO
Acerca de quem busca mais auxílio psicológico na questão do uso excessivo das redes, Ana Amélia disse que atende majoritariamente as crianças e jovens, entretanto que também seria interessante que os pais procurassem apoio psicológico, caso sintam essa necessidade.
“Atendo crianças e jovens, levados pelos pais, para terem esse acompanhamento à situação das redes sociais, que, na verdade, muitas vezes são parte de um tratamento mais complexo. Mas, aos pais, quando sentirem que estão sem saber o que fazer sobre o uso excessivo de telas pelos filhos, sugiro a busca por psicólogos para que possam, também, orienta-los. Todos precisamos de cuidados, de acolhimento, de direcionamento, principalmente sobre esse assunto. A orientação psicológica aos pais pode contribuir à resolutiva junto aos filhos para esse problema específico”, concluiu.
Texto e fotos: Natália Tiezzi - Assessoria de Comunicação Santa Casa/SAVISA