23/05/2026
O que em você ainda quer florescer?
Essa pergunta parece simples, mas talvez ela toque em um lugar muito profundo da existência. Porque florescer não é apenas realizar um desejo, conquistar algo ou mudar uma fase da vida. Florescer é permitir que uma parte verdadeira de nós encontre espaço para existir no mundo.
Muitas vezes, ao longo da vida, vamos aprendendo a caber em lugares pequenos. Cabemos nas expectativas da família, nos medos que herdamos, nas relações que nos diminuem, nas obrigações que nos afastam de nós mesmas. E, sem perceber, vamos deixando para depois aquilo que pulsa dentro da alma. Um desejo, uma coragem, uma expressão, uma escolha, uma liberdade.
Mas o que é verdadeiro em nós não desaparece tão facilmente. Às vezes, apenas silencia. F**a recolhido, esperando um tempo mais seguro, um olhar mais amoroso, uma consciência mais madura. E talvez o florescimento comece exatamente aí: quando paramos de tratar nossos anseios como bobagem e começamos a escutá-los como sinais de vida.
Nem todo desejo é vaidade. Nem toda vontade é fuga. Nem todo sonho é ilusão. Às vezes, aquilo que insiste dentro de nós é justamente a parte mais viva tentando nos lembrar que ainda há caminho, ainda há expansão, ainda há possibilidade.
Florescer exige coragem, porque toda flor rompe alguma camada antes de aparecer. Rompe a terra, rompe o escuro, rompe o tempo da espera. E talvez nós também precisemos romper certas ideias sobre quem deveríamos ser para, enfim, nos aproximarmos de quem somos.
Então, nesta sexta, em vez de perguntar apenas o que falta fazer, talvez valha perguntar com mais delicadeza:
O que em mim ainda pede vida?
Porque talvez exista uma parte sua que não morreu.
Ela só está esperando você voltar a cuidar dela.