Dr Plínio Leal

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09/09/2026

Existe um tratamento para a dor que muitas vezes é subestimado: a atividade física.

Quando nos exercitamos, nosso próprio organismo libera substâncias envolvidas na modulação da dor, além de promover benefícios para o humor, o sono, a força muscular e a capacidade funcional. Por isso, o exercício pode ser um importante aliado no tratamento de diferentes condições dolorosas.

Na fibromialgia, por exemplo, a atividade física regular é uma das estratégias fundamentais do tratamento. Em doenças ortopédicas e na recuperação após cirurgias, o movimento e a reabilitação também são essenciais para recuperar força, mobilidade e função.

É claro que, para quem sente muita dor, começar pode ser difícil. Em alguns casos, precisamos primeiro controlar os sintomas com medicamentos ou procedimentos para que o paciente consiga iniciar ou avançar na reabilitação. E o exercício deve ser adaptado às condições e limitações de cada pessoa, preferencialmente com orientação profissional.

Medicamentos e procedimentos podem abrir uma janela de oportunidade para reduzir a dor. Mas é a reabilitação que ajuda a recuperar e manter a funcionalidade.

02/09/2026

Essa é uma situação muito comum no consultório. Durante a avaliação de pacientes com dor crônica, frequentemente encontramos alterações importantes na qualidade do sono.

Sono e dor estão diretamente relacionados. Quando o descanso é insuficiente ou de má qualidade, nosso organismo pode apresentar maior sensibilidade aos estímulos dolorosos, prejudicando a recuperação e contribuindo para a manutenção de um ciclo difícil de interromper.

Algumas medidas simples de higiene do sono podem ajudar: manter horários regulares para dormir e acordar, praticar atividade física regularmente, criar um ambiente adequado para o descanso e reduzir o uso de celulares, televisão e outras telas próximo ao horário de dormir.

Quando a dificuldade para dormir é persistente, também é importante investigar sua causa. Insônia e outros distúrbios do sono podem precisar de avaliação e tratamento específicos.

Se você convive com dor crônica, não olhe apenas para o local que dói. Sono de qualidade também é parte do tratamento.

25/08/2026

Existem, sim, dores complexas e de difícil controle. Mas antes de pensar em novos medicamentos ou procedimentos, existe um passo fundamental: entender qual é o tipo de dor que aquele paciente apresenta.

Nem toda dor é igual. Ela pode ser nociceptiva, neuropática ou nociplástica, e cada uma possui mecanismos diferentes e, consequentemente, pode exigir estratégias de tratamento diferentes. Em alguns pacientes, inclusive, mais de um mecanismo pode estar presente ao mesmo tempo.

Por isso, simplesmente acumular medicações sem compreender adequadamente a origem e os mecanismos envolvidos na dor pode não trazer o resultado esperado.

Se você convive com uma dor persistente e sente que os tratamentos realizados até agora não estão funcionando, talvez seja necessário reavaliar o diagnóstico e a estratégia terapêutica.

O diagnóstico correto é o ponto de partida para um tratamento individualizado, mais seguro e com maiores possibilidades de devolver funcionalidade e qualidade de vida.

20/08/2026

O diabetes é uma das doenças crônicas mais comuns no mundo e, quando não é adequadamente controlado, pode trazer complicações que vão muito além da alteração da glicemia.

Uma delas é a **neuropatia diabética**, uma lesão dos nervos relacionada à exposição prolongada a níveis elevados de glicose no sangue. Muitas vezes, o diabetes permanece silencioso por anos e, quando o diagnóstico acontece, o paciente já apresenta sintomas como formigamento, dormência, queimação ou dor, principalmente nas mãos e nos pés.

É comum que esses sintomas apareçam de forma simétrica, especialmente nos pés e nas pernas, podendo progredir para as mãos. Em quadros mais avançados, também podem ocorrer alterações de sensibilidade, equilíbrio e força muscular.

Por isso, controlar adequadamente o diabetes é fundamental não apenas para reduzir a glicemia, mas também para prevenir ou retardar suas complicações. Alimentação adequada, atividade física, acompanhamento médico e o uso correto das medicações prescritas fazem parte desse cuidado.

E se a neuropatia diabética já estiver causando dor, também existem tratamentos específicos para controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida. O acompanhamento do diabetes e o tratamento da dor precisam caminhar juntos.

Se você tem diabetes e começou a sentir queimação, formigamento, dormência ou dor nos pés e nas mãos, não normalize esses sintomas. Procure avaliação médica.

11/08/2026

Infelizmente, muitas pessoas que convivem com dor crônica acabam ouvindo comentários como: “Mas você nem parece estar com dor” ou “Você reclama demais.” Com o tempo, elas deixam de falar sobre o que estão sentindo e passam a enfrentar esse sofrimento em silêncio.

Isso é muito comum em condições como a fibromialgia, em que a dor nem sempre é visível, mas é absolutamente real. E, muitas vezes, ela vem acompanhada de ansiedade, depressão e outras alterações emocionais que podem intensificar ainda mais o sofrimento.

Por isso, nunca desvalorize a sua dor ou a dor de outra pessoa. A dor crônica não é sinal de fraqueza, nem de exagero. Ela merece acolhimento, investigação e tratamento.

O controle da dor vai muito além de uma medicação. É um processo multiprofissional que considera o paciente como um todo, incluindo os aspectos físicos, emocionais e sociais. Cuidar da saúde mental também faz parte do tratamento e é fundamental para recuperar a funcionalidade e a qualidade de vida.

27/07/2026

Os opioides são medicamentos muito importantes no tratamento da dor, especialmente em pacientes com câncer. Em outras situações de dor crônica, eles também podem ser indicados, mas sempre de forma criteriosa, após avaliação médica individualizada.

Assim como é importante saber quando iniciar um opioide, é igualmente fundamental saber como interrompê-lo. Essas medicações não devem ser suspensas de forma abrupta.

Quando chega o momento de reduzir ou interromper o tratamento, a retirada deve ser feita de maneira gradual, diminuindo a dose aos poucos e sempre com acompanhamento médico. Essa estratégia reduz o risco de sintomas de abstinência, como irritabilidade, sudorese, tremores, ansiedade e outros desconfortos.

Por isso, se você faz uso de medicamentos como tramadol, codeína, morfina, metadona ou outros opioides, nunca interrompa o tratamento por conta própria. Cada paciente possui uma necessidade diferente, e o desmame deve ser planejado de forma individualizada.

O uso seguro dos opioides depende não apenas da prescrição correta, mas também de uma retirada responsável, sempre orientada pelo médico. Esse cuidado faz parte de um tratamento eficaz e seguro para o controle da dor.

17/07/2026

Nos últimos meses, uma pergunta tem aparecido com frequência no consultório: “Doutor, será que eu tenho neuroinflamação?”

Esse é um tema que ganhou destaque nas redes sociais e que realmente vem sendo cada vez mais estudado pela medicina.

A neuroinflamação acontece quando o sistema nervoso central passa a produzir substâncias inflamatórias que aumentam a sensibilidade à dor. É como se o sistema nervoso ficasse em estado de alerta constante, amplificando os estímulos dolorosos. Uma forma simples de entender esse processo é imaginar um fio elétrico com a proteção danificada: qualquer pequeno estímulo passa a provocar uma resposta exagerada.

Esse mecanismo está presente em diferentes condições, especialmente nas dores neuropáticas, como as causadas por lesões do plexo braquial. Além disso, pesquisas recentes também investigam sua participação em doenças como a fibromialgia e a endometriose.

Embora ainda estejamos avançando no desenvolvimento de tratamentos específicos para combater a neuroinflamação, já sabemos que alguns fatores podem influenciar esse processo. Cuidar da saúde mental, dormir bem, praticar atividade física e seguir o tratamento orientado pelo seu médico são medidas importantes para um melhor controle da dor.

A neuroinflamação é um conceito real e promissor, mas o mais importante continua sendo o diagnóstico correto e um tratamento individualizado. Se você convive com dor persistente, procure um especialista. Entender a causa da dor é o primeiro passo para tratá-la da melhor forma.

Mais uma história de dor sendo transformada em qualidade de vida.Desta vez, realizamos um procedimento minimamente invas...
07/07/2026

Mais uma história de dor sendo transformada em qualidade de vida.

Desta vez, realizamos um procedimento minimamente invasivo com infiltração e radiofrequência das articulações facetárias e dos discos lombares em uma paciente com dor lombar crônica.

A lombalgia é uma das principais causas de afastamento do trabalho em todo o mundo. Entre as causas mais comuns estão o desgaste das articulações da coluna (artrose das facetas) e as hérnias ou protrusões discais. Com o processo degenerativo, essas estruturas podem inflamar e comprimir os nervos da região, fazendo com que a dor irradie para a coxa, a perna ou até o pé.

Quando há indicação, procedimentos intervencionistas como a infiltração e a radiofrequência podem proporcionar um importante alívio da dor, melhorar a funcionalidade e devolver qualidade de vida ao paciente.

Cada caso deve ser avaliado de forma individual, pois o tratamento mais adequado depende da causa da dor e das características de cada pessoa.

26/05/2026

Quando abordamos a dor de uma forma mais ampla, é importante entender que ela não é apenas física. Muitas vezes, os pacientes têm dificuldade de compreender isso, mas a dor envolve também emoções, comportamento e a forma como o cérebro interpreta aquele sofrimento.

Quando sentimos um estímulo doloroso, como uma lesão na ponta do dedo, por exemplo, esse sinal é enviado ao cérebro. E o cérebro não apenas identifica a dor, mas também processa emoções relacionadas a ela. Existem áreas cerebrais diretamente ligadas ao humor, à ansiedade, à tristeza e à maneira como cada indivíduo reage ao sofrimento. Por isso, a dor pode trazer desânimo, irritabilidade, tristeza e impactar profundamente a qualidade de vida.

Além disso, cada pessoa percebe a dor de maneira diferente. Dois indivíduos podem ter o mesmo problema físico e reagirem de formas completamente distintas. Isso acontece porque o processamento da dor depende de fatores emocionais, psicológicos, sociais e até espirituais.

Por esse motivo, tratar dor vai muito além de prescrever uma medicação ou realizar um procedimento. É necessário compreender o paciente como um todo, entender como aquela dor está afetando sua vida, suas relações, seu emocional e sua rotina. Muitas vezes, a reabilitação adequada depende justamente dessa abordagem mais ampla e multiprofissional.

Então, quando um paciente com dor se sente mais triste, desanimado ou emocionalmente abalado, isso não é exagero. Dor e emoção caminham juntas, porque os mecanismos cerebrais que processam ambos estão profundamente conectados.

Essa semana acompanhamos um caso desafiador de um paciente com hérnia de disco cervical volumosa, quadro de dor intensa ...
22/05/2026

Essa semana acompanhamos um caso desafiador de um paciente com hérnia de disco cervical volumosa, quadro de dor intensa e resposta limitada até mesmo após abordagem cirúrgica prévia.

Em situações como essa, a dor pode persistir mesmo após o tratamento cirúrgico, exigindo uma avaliação individualizada e estratégias específicas para controle dos sintomas e recuperação da qualidade de vida.

Realizamos um procedimento intervencionista para controle da dor, com melhora significativa do quadro clínico já nos primeiros dias.

Casos como esse reforçam a importância de uma abordagem especializada e multiprofissional no tratamento da dor crônica, principalmente em pacientes com patologias complexas da coluna cervical.

O objetivo é sempre o mesmo: devolver funcionalidade, conforto e qualidade de vida ao paciente.

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São Luís, MA

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