08/09/2026
Todo mundo entrou na trend mostrando os anos 80 cheios de neon, cores e exageros.
Mas quem viveu sabe: tinha muito bege, marrom, madeira escura e telefone creme por aí.
E quando olho para as alergias naquela época, penso que esse universo também era um pouco mais “bege”.
Não porque não existisse boa medicina. Muito do que fazemos hoje começou décadas atrás — a imunoterapia para alergias, por exemplo, é muito mais antiga que os anos 80.
Mas tínhamos menos ferramentas.
Na alergia alimentar, a exclusão era o principal caminho. Hoje, para pacientes selecionados, podemos trabalhar com aumento do limiar de reação e imunoterapia oral.
Na dermatite atópica e na asma grave, surgiram terapias-alvo e imunobiológicos que mudaram completamente nossas possibilidades de tratamento.
O diagnóstico também ganhou precisão. Hoje conseguimos, em determinadas situações, investigar não apenas a fonte alergênica, mas componentes moleculares específicos.
E existe uma ironia nessa história: enquanto o tratamento das alergias ganhou novas “cores”, várias doenças alérgicas se tornaram mais frequentes ao longo das últimas décadas.
Ainda temos muito a descobrir.
Mas, se eu pudesse escolher entre tratar alergias na década de 1980 ou em 2026, ficaria com 2026.
A medicina evolui. E acompanhar essa evolução é uma das coisas que mais gosto na minha especialidade.
Salve este post e mande para alguém que ainda jura que os anos 80 eram só neon.