Gustavo Schvartsman

Gustavo Schvartsman Oncologista
Hospital Israelita Albert Einstein
EPM-UNIFESP
Fellowship MD Anderson Cance

20/08/2026

Rouquidão pode acontecer por causas simples, como uma virose, refluxo, uso excessivo da voz ou inflamação nas cordas vocais.

Mas quando a rouquidão persiste por mais de 3 semanas, especialmente se está piorando ou vem acompanhada de outros sinais, ela merece avaliação médica.

Isso é ainda mais importante em pessoas com histórico de tabagismo, consumo frequente de álcool, refluxo crônico, nódulo no pescoço, dor para engolir, perda de peso ou feridas na boca que não cicatrizam.

Na oncologia, a rouquidão persistente pode ser um dos sinais de tumores de cabeça e pescoço, principalmente na região da laringe. Em alguns casos, também pode estar relacionada a alterações em regiões mais profundas, como o tórax, quando há compressão de nervos que participam do movimento das cordas vocais.

A maioria dos casos de rouquidão não é câncer.
Mas quando o sintoma não passa, investigar é a melhor forma de diferenciar causas benignas de situações que precisam de tratamento mais específico.

Rouquidão persistente não deve ser normalizada.

Se a voz mudou e não voltou ao normal, procure avaliação médica. E se você conhece alguém que tem normalizado a rouquidão, envie esse vídeo.

A imunoterapia já mudou o tratamento de vários tipos de câncer. Mas o que estamos vendo agora é uma nova etapa dessa his...
18/08/2026

A imunoterapia já mudou o tratamento de vários tipos de câncer. Mas o que estamos vendo agora é uma nova etapa dessa história.

Uma matéria recente da BBC trouxe um ponto importante: novas classes de imunoterapias vêm sendo estudadas para tentar superar uma das maiores dificuldades da oncologia, tratar tumores complexos que conseguem escapar do sistema imunológico.

Isso é especialmente relevante nos tumores sólidos, que muitas vezes criam barreiras físicas, moleculares e imunológicas para dificultar a ação das células de defesa.

Entre as estratégias em estudo estão vacinas terapêuticas contra o câncer, terapias celulares, células CAR-T adaptadas para tumores sólidos, anticorpos biespecíficos, vírus oncolíticos e combinações com radioterapia, quimioterapia ou outras imunoterapias.

A lógica por trás dessas abordagens é sofisticada: fazer com que o sistema imune reconheça melhor o tumor, encontre seus alvos, vença mecanismos de camuflagem e mantenha uma resposta ativa contra as células cancerígenas.

Um exemplo recente é a vacina ELI-002 2P, estudada em pacientes com câncer de pâncreas e colorretal associados a mutações em KRAS. Os resultados iniciais, publicados na Nature Medicine, mostraram respostas imunes persistentes, o que reforça o potencial desse caminho, embora ainda sejam necessários estudos maiores para confirmar benefício clínico.

Esse é o ponto mais importante: promissor não significa pronto para todos.

Muitas dessas estratégias ainda estão em fase de pesquisa, algumas disponíveis apenas em estudos clínicos, e outras indicadas para cenários muito específicos.

Ainda assim, esses avanços mostram algo muito importante: a oncologia caminha cada vez mais para tratamentos individualizados, baseados na biologia do tumor e na interação entre câncer e sistema imune.

A imunoterapia não é uma promessa simples.
É uma área complexa, em evolução, e uma das frentes mais importantes da medicina de precisão.

Tenho atendido cada vez mais pacientes jovens com diagnóstico de câncer, e essa percepção da prática clínica também tem ...
11/08/2026

Tenho atendido cada vez mais pacientes jovens com diagnóstico de câncer, e essa percepção da prática clínica também tem sido acompanhada por dados científicos.

Um estudo publicado no BMJ Oncology, mostrou aumento importante nos casos de câncer de início precoce, definidos como aqueles diagnosticados antes dos 50 anos.

Outro estudo, publicado no The Lancet Public Health, avaliou dados populacionais dos Estados Unidos e observou aumento da incidência em gerações mais jovens para 17 tipos de câncer.

Mas é fundamental ter cuidado na interpretação desses dados.

Não podemos reduzir esse aumento a uma única causa. A ciência ainda está investigando os mecanismos envolvidos. O que parece mais provável é uma combinação de fatores: mudanças metabólicas, obesidade, resistência à insulina, alimentação, álcool, sedentarismo, alterações do microbioma, exposições ambientais, fatores reprodutivos, além de maior acesso a exames e diagnóstico mais precoce em alguns contextos.

A mensagem não é gerar medo.

A mensagem é valorizar prevenção, individualizar rastreamento, investigar histórico familiar e não banalizar sintomas persistentes apenas porque o paciente é jovem.

06/08/2026

O câncer de pulmão tem cura? A resposta é: depende.

O principal fator que determina essa resposta é o estágio da doença no momento do diagnóstico.

Quando o câncer é identificado na fase inicial, especialmente no estágio 1, as chances de cura podem ultrapassar 90%, geralmente com tratamento cirúrgico e, em alguns casos, complementado por outras terapias. É exatamente por isso que o diagnóstico precoce faz tanta diferença.

À medida que o tumor cresce ou acomete os linfonodos, o tratamento se torna mais complexo e pode envolver cirurgia, quimioterapia, imunoterapia e radioterapia para aumentar as chances de cura.

Já no estágio 4, quando há metástases, a possibilidade de cura é menor. Mas isso não significa que não haja o que fazer. A oncologia evoluiu muito nos últimos anos. Hoje, alguns pacientes apresentam respostas profundas e duradouras à imunoterapia, especialmente aqueles com alta expressão de PD-L1. Outros podem permanecer por muitos anos com a doença controlada graças às terapias alvo, mantendo qualidade de vida e levando uma rotina próxima do normal.

Na oncologia, nosso objetivo é sempre o mesmo: oferecer o tratamento mais eficaz para cada paciente, buscando a cura quando ela é possível e, quando não é, prolongar a vida com qualidade, preservando ao máximo o bem-estar e a autonomia.

Se você ficou com alguma dúvida sobre o tratamento do câncer de pulmão, deixe sua pergunta nos comentários.

Durante muito tempo, o câncer de pulmão foi visto quase exclusivamente pela lente do tabagismo.E sim, o tabaco continua ...
01/08/2026

Durante muito tempo, o câncer de pulmão foi visto quase exclusivamente pela lente do tabagismo.

E sim, o tabaco continua sendo o principal fator de risco. Isso precisa ser dito com clareza.

Mas, na prática clínica, também atendemos pacientes com câncer de pulmão que nunca fumaram, pacientes jovens, mulheres, pessoas com sintomas pouco específicos e casos em que o diagnóstico acontece por um achado em exame feito por outro motivo.

No Dia Mundial do Câncer de Pulmão, talvez uma das mensagens mais importantes seja esta: não existe uma única história por trás desse diagnóstico.

Além do tabagismo, outros fatores podem estar envolvidos, como exposição ao fumo passivo, poluição do ar, radônio, exposições ocupacionais e predisposição individual.

Outro ponto essencial é que, muitas vezes, o câncer de pulmão pode ser silencioso nas fases iniciais. Quando sintomas como tosse persistente, falta de ar, dor no peito, escarro com sangue, perda de peso ou cansaço aparecem, a doença pode já estar mais avançada.

Por isso, o rastreamento com tomografia de baixa dose pode ser indicado para pessoas com alto risco, especialmente aquelas com histórico importante de tabagismo. Não é um exame para todos, mas pode salvar vidas quando bem indicado.

O câncer de pulmão não é uma doença simples.
Mas hoje sabemos mais, diagnosticamos melhor e tratamos de forma cada vez mais individualizada.

30/07/2026

Existe um sintoma que quase todos os pacientes com câncer apresentam, mas que muitas vezes passa despercebido: a angústia.

Ela pode surgir no momento do diagnóstico, acompanhar o tratamento e, em muitos casos, permanecer mesmo quando o câncer já foi curado.

Cuidar dessa angústia é tão importante quanto tratar a doença. Ela afeta a qualidade de vida, os relacionamentos e até a forma como o paciente enfrenta cada etapa da jornada.

Por isso, conversar sobre o que você está sentindo faz parte do tratamento. Divida seus medos com a família, com amigos e com sua equipe médica. Você não precisa enfrentar tudo isso sozinho.

E, aos poucos, cuide também daquilo que fortalece a mente: sono de qualidade, atividade física, alimentação, contato com a natureza, terapia e pessoas que fazem bem.

O câncer muda a vida de quem recebe o diagnóstico. Mas, com apoio e cuidado, essa mudança não precisa ser apenas marcada pela doença. Ela também pode ser o início de uma nova forma de viver, com mais significado, mais presença e mais valorização daquilo que realmente importa.

Nem sempre o câncer de cabeça e pescoço começa com um sintoma intenso.Muitas vezes, ele aparece de forma discreta, com s...
27/07/2026

Nem sempre o câncer de cabeça e pescoço começa com um sintoma intenso.

Muitas vezes, ele aparece de forma discreta, com sinais que parecem simples no dia a dia: uma ferida na boca que não cicatriza, uma rouquidão persistente, dor para engolir, um caroço no pescoço ou uma dor de garganta que não melhora.

E é justamente por isso que muitos pacientes demoram para procurar avaliação.

Quando falamos em câncer de cabeça e pescoço, estamos falando de tumores que podem surgir na boca, língua, garganta, laringe, faringe, cavidade nasal, seios da face e glândulas salivares. Entre os principais fatores de risco estão tabagismo, consumo de álcool e infecção pelo HPV, especialmente nos tumores de orofaringe.

A mensagem aqui não é causar medo.
É lembrar que sintomas persistentes não devem ser ignorados.

Perceber cedo faz diferença.

23/07/2026

Tosse depois de uma gripe pode acontecer.
Mas quando ela persiste por semanas, especialmente se já passaram 4, 6 ou 8 semanas do quadro infeccioso, é importante não tratar isso como algo “normal” automaticamente.

Na maioria das vezes, a tosse persistente tem causas benignas, como inflamação pós-viral, rinossinusite, refluxo ou asma. Mas em alguns casos, ela pode ser o primeiro sinal de algo que precisa ser investigado com mais cuidado.

Isso vale principalmente para pessoas com fatores de risco, como histórico importante de tabagismo, exposição ocupacional, fumo passivo, história familiar de câncer de pulmão ou sintomas associados, como falta de ar, dor no peito, perda de peso, sangue no escarro ou piora progressiva.

Em pacientes que fumam ou já fumaram muito, a investigação precisa ser ainda mais criteriosa. O raio-X pode ser útil em alguns contextos, mas pode deixar passar alterações pulmonares. Por isso, em casos selecionados, a tomografia de tórax é o exame mais adequado.

E aqui entra outro ponto essencial: para pessoas com alto risco, a tomografia de baixa dose pode ser indicada como rastreamento, mesmo antes de qualquer sintoma, com o objetivo de encontrar o câncer de pulmão em fases mais iniciais.

Tosse persistente não significa câncer. Mas tosse persistente merece atenção.

Investigar no tempo certo pode fazer diferença.

Muitos pacientes se surpreendem quando descobrem que um câncer pode ter crescido por muito tempo sem causar sintomas evi...
21/07/2026

Muitos pacientes se surpreendem quando descobrem que um câncer pode ter crescido por muito tempo sem causar sintomas evidentes.

Mas isso acontece.

Nem todo tumor cresce rápido. Nem todo câncer causa dor no começo. E nem sempre o corpo dá sinais claros nas fases iniciais.

Isso ocorre porque, em muitos casos, o tumor começa pequeno, em uma região que ainda não compromete a função do órgão. Enquanto ele não comprime estruturas, não causa sangramentos, não obstrui canais, não inflama tecidos próximos ou não altera de forma importante o funcionamento do corpo, ele pode passar despercebido.

Além disso, alguns órgãos têm uma grande reserva funcional. Ou seja, conseguem continuar funcionando mesmo com uma alteração inicial. É por isso que certos tumores só causam sintomas quando já cresceram mais ou quando atingem áreas específicas.

Os sintomas também dependem do tipo de câncer, da velocidade de crescimento, da localização, do tamanho do tumor e da relação dele com nervos, vasos, órgãos e tecidos ao redor.

Por isso, alguns cânceres podem ser encontrados apenas em exames de rotina ou durante a investigação de outro problema.

Essa é uma das razões pelas quais o rastreamento, quando bem indicado, é tão importante. Ele pode identificar alterações antes que o corpo consiga “avisar” por meio de sintomas.

O câncer pode crescer em silêncio.
Mas a prevenção e o acompanhamento médico ajudam a reduzir esse silêncio.

Todas as células do câncer carregam alterações genéticas. Isso faz parte da própria natureza da doença.Mas isso não sign...
07/07/2026

Todas as células do câncer carregam alterações genéticas. Isso faz parte da própria natureza da doença.

Mas isso não significa que essas alterações foram herdadas dos pais.

Na verdade, a maioria dos cânceres é causada por mutações adquiridas ao longo da vida, resultado do envelhecimento, de exposições ambientais e de erros naturais no processo de divisão celular.

Já os cânceres hereditários representam apenas 5 a 10% dos casos e estão associados a mutações herdadas, como BRCA1, BRCA2, TP53 e outras síndromes genéticas.

Essa diferença é importante porque influencia rastreamento, prevenção e, em alguns casos, o próprio tratamento.

Ter um câncer com alterações genéticas não significa automaticamente que filhos ou familiares terão a doença.

Por isso, a avaliação individual e, quando indicada, o aconselhamento genético são fundamentais.

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Rua Ruggero Fasano
São Paulo, SP
05653120

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