Gustavo Schvartsman

Gustavo Schvartsman Oncologista
Hospital Israelita Albert Einstein
EPM-UNIFESP
Fellowship MD Anderson Cance

Carga tumoral é o termo que utilizamos para descrever a quantidade total de câncer presente no organismo em um determina...
26/05/2026

Carga tumoral é o termo que utilizamos para descrever a quantidade total de câncer presente no organismo em um determinado momento.

Esse conceito envolve não apenas o tamanho do tumor primário, mas também o número de lesões, a presença de metástases e, em alguns casos, até parâmetros metabólicos avaliados em exames como o PET-CT.

Do ponto de vista clínico, a carga tumoral tem impacto direto no prognóstico e na resposta ao tratamento. Estudos mostram que pacientes com menor carga tumoral tendem a apresentar melhores taxas de resposta, maior controle da doença e, em alguns cenários, maior chance de sobrevida.

Isso é especialmente relevante em tratamentos como imunoterapia e terapias alvo, onde o volume de doença pode influenciar a eficácia da resposta imunológica e a dinâmica de controle tumoral.

Além disso, a carga tumoral também orienta decisões terapêuticas. Em cenários de doença extensa, pode ser necessário iniciar tratamentos mais sistêmicos ou intensivos. Já em casos de baixa carga tumoral, estratégias mais direcionadas ou até abordagens locais podem ser consideradas.

Por isso, mais do que saber “qual é o câncer”, entender “quanto de doença existe” e “onde ela está” é fundamental para definir a melhor estratégia de tratamento.

Na oncologia, quantidade também importa.

Eu vejo muitos pacientes na consulta tentando fazer comparações com o tratamento que outro paciente conhecido recebeu.Do...
19/05/2026

Eu vejo muitos pacientes na consulta tentando fazer comparações com o tratamento que outro paciente conhecido recebeu.

Dois pacientes com o mesmo tipo de câncer podem ter tumores com comportamentos completamente diferentes. Isso depende da biologia tumoral, das mutações presentes, do estágio da doença e das características do próprio paciente.

Além disso, o objetivo do tratamento também muda. Em alguns casos buscamos cura. Em outros, controle da doença com qualidade de vida.

A medicina evoluiu para ser cada vez mais personalizada. O tratamento não é definido apenas pela doença, mas por quem está enfrentando ela.

Mesmo após um tratamento bem-sucedido, o câncer pode voltar anos depois. Isso não é raro, e tem explicação biológica.Em ...
12/05/2026

Mesmo após um tratamento bem-sucedido, o câncer pode voltar anos depois. Isso não é raro, e tem explicação biológica.

Em muitos tumores, pequenas quantidades de células cancerígenas podem permanecer no organismo mesmo após cirurgia, quimioterapia ou radioterapia. Essas células podem não ser detectáveis nos exames atuais, o que chamamos de doença residual mínima.

Em alguns casos, essas células entram em um estado de dormência tumoral. Elas permanecem viáveis, mas sem se dividir ativamente, podendo ficar assim por anos ou até décadas. Esse comportamento já foi descrito em diversos tipos de câncer, como mama, melanoma e próstata.

Com o tempo, por fatores ainda não completamente compreendidos, essas células podem voltar a se ativar. Alterações no microambiente tumoral, mudanças no sistema imune ou novas mutações podem favorecer esse “despertar”.

Esse é um dos motivos pelos quais o acompanhamento oncológico é prolongado, mesmo após o fim do tratamento. Não se trata apenas de monitorar, mas de identificar precocemente qualquer sinal de retorno da doença.

A recidiva não significa que o tratamento inicial falhou. Em muitos casos, essas células já estavam presentes de forma microscópica desde o início, mas não eram detectáveis ou tratáveis naquele momento.

Por isso, em oncologia, o tempo não encerra o cuidado.
Ele apenas muda a forma como acompanhamos o paciente.

Avaliar se um tratamento oncológico está funcionando é um processo estruturado e baseado em critérios bem definidos.Na p...
05/05/2026

Avaliar se um tratamento oncológico está funcionando é um processo estruturado e baseado em critérios bem definidos.

Na prática, utilizamos principalmente exames de imagem, como tomografia, ressonância magnética e PET-CT. Esses exames permitem medir as lesões ao longo do tempo, seguindo critérios padronizados como o RECIST, que classificam a resposta em redução, estabilidade ou progressão da doença. Porém, nuances na avaliação e mensuração das imagens permitem conclusões distintas - é sempre fundamental que eu veja as imagens, além do laudo.

Além disso, em alguns tipos de câncer, utilizamos marcadores tumorais no sangue. Eles podem ajudar a acompanhar a evolução da doença, mas não são suficientes isoladamente para definir resposta.

Outro ponto importante é a avaliação clínica. Melhora de sintomas, redução de dor, ganho funcional e qualidade de vida também fazem parte da análise.

É fundamental entender que nem todo tratamento tem efeito imediato. Algumas terapias levam semanas ou meses para demonstrar benefício. Em imunoterapia, por exemplo, pode ocorrer um fenômeno chamado pseudoprogressão, em que as lesões parecem aumentar antes de reduzir.

Por isso, a decisão de manter, trocar ou interromper um tratamento nunca é baseada em um único exame ou momento isolado.
Ela depende de uma análise contínua, criteriosa e individualizada.

O risco de câncer de próstata não é definido por um único fator. Ele resulta de uma interação complexa entre predisposiç...
28/04/2026

O risco de câncer de próstata não é definido por um único fator. Ele resulta de uma interação complexa entre predisposição genética e exposições ao longo da vida.

Dados publicados na Nature Reviews Urology mostram que a herdabilidade do câncer de próstata pode ser significativa, especialmente em casos familiares ou com variantes genéticas específicas. No entanto, a genética isoladamente não explica a maioria dos casos.

Fatores ambientais e comportamentais também têm papel relevante. Obesidade, padrão alimentar, nível de atividade física e exposições ao longo da vida influenciam não apenas o risco de desenvolver a doença, mas também sua agressividade e evolução.

Isso ajuda a entender por que dois pacientes com perfis genéticos semelhantes podem ter trajetórias completamente diferentes.
O câncer não é destino.

Ele é, na maior parte das vezes, o resultado de múltiplas interações ao longo do tempo.

Por isso, avaliar risco individual e atuar sobre fatores modificáveis continua sendo uma das principais estratégias de prevenção.

09/04/2026

Uma mensagem para quem está passando por um tratamento contra o câncer.

Nesse momento da vida, o apoio das pessoas ao seu redor faz uma diferença enorme. Família, amigos, pessoas próximas que caminham com você nos dias mais difíceis. Compartilhar angústias, dividir medos e permitir que essas pessoas estejam presentes no seu dia a dia pode tornar essa jornada menos solitária e menos pesada.

O carinho, o cuidado e o amparo emocional são parte importante do enfrentamento da doença. Muitas vezes, eles ajudam tanto quanto o próprio tratamento médico.

Também é comum perceber que alguns relacionamentos se afastam nesse período. E tudo bem. Momentos difíceis acabam revelando quem realmente permanece ao nosso lado.

Valorize quem está presente, quem demonstra cuidado e quem caminha com você nessa fase. Esses vínculos tendem a se fortalecer e muitas vezes se tornam ainda mais significativos ao longo da vida.

Apoio, presença e afeto fazem diferença.

Se essa mensagem fez sentido para você, compartilhe com alguém que esteja passando por esse momento.

Quando falamos em cuidados paliativos, muitas pessoas ainda associam essa palavra a desistência ou ausência de opções. N...
07/04/2026

Quando falamos em cuidados paliativos, muitas pessoas ainda associam essa palavra a desistência ou ausência de opções. Na prática, é exatamente o contrário.

O tratamento paliativo existe para colocar a pessoa no centro do cuidado. Ele atua no controle de sintomas físicos, como dor, falta de ar, náusea e cansaço, mas também no sofrimento emocional, psicológico e social que acompanha o diagnóstico de uma doença grave. Seu objetivo é preservar dignidade, conforto e qualidade de vida em todas as fases da doença, inclusive quando o tratamento oncológico ativo segue acontecendo.

Em muitos casos, o cuidado paliativo caminha junto com quimioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo. Não é uma escolha entre tratar ou cuidar. É fazer os dois de forma integrada, respeitando limites, valores e desejos do paciente.

Por causa dessa confusão comum, o termo mais adequado hoje é Cuidados de Suporte, para enfatizar que não deve ser iniciado apenas numa fase terminal.

Cuidar bem também é tratar. E tratar bem não é apenas combater a doença, mas cuidar de quem vive com ela.

02/04/2026

O câncer de pulmão de pequenas células é um subtipo agressivo, responsável por cerca de 15 a 20% dos casos de câncer de pulmão. Está fortemente associado ao tabagismo, costuma crescer rapidamente, causar sintomas precoces e, muitas vezes, já se apresenta com metástases no momento do diagnóstico.

O tratamento inicial geralmente envolve quimioterapia e imunoterapia. Quando a doença progride após essa combinação, historicamente as opções sempre foram mais limitadas.

Mais recentemente, um novo medicamento chamado tarlatamab foi aprovado para esse cenário. Ele pertence a uma classe chamada BiTE, uma molécula com dois braços. Um deles se liga à célula T do sistema imune do paciente. O outro se liga a um alvo chamado DLL3, presente na grande maioria dos tumores de pequenas células. Ao aproximar esses dois componentes, o medicamento faz o sistema imune reconhecer e atacar a célula tumoral.

Mesmo em uma doença bastante agressiva e já resistente a tratamentos anteriores, as taxas de resposta ficaram em torno de 40% e, em alguns casos, chegaram perto de 50%. Além disso, muitas dessas respostas têm sido duradouras, o que torna esse resultado ainda mais relevante.

Se você tiver dúvidas sobre o tarlatamab ou sobre o câncer de pulmão de pequenas células, pode deixar aqui nos comentários.

Vejo muitos casos no consultório que gostaria de ter visto alguns meses antes. Por pressa em querer rapidamente começar ...
24/03/2026

Vejo muitos casos no consultório que gostaria de ter visto alguns meses antes. Por pressa em querer rapidamente começar algum tratamento, algumas oportunidades de estratégia mais eficaz são perdidas.

Em muitos casos, procurar um oncologista antes da cirurgia é fundamental. Isso permite entender melhor o comportamento do tumor, avaliar se existe benefício em iniciar o tratamento antes da operação e definir a melhor sequência terapêutica desde o início. Em alguns casos, alguns te**es moleculares adicionais podem ser necessários para tomada de decisão. Os cirurgiões mais atualizados e especializados em tratamento de câncer rotineiramente envolvem a oncologia clínica já no diagnóstico.

Muitos cânceres (principalmente os mais perigosos) não são tratados apenas com cirurgia. Ele exige planejamento, integração entre especialistas e decisões baseadas em evidências. Quando cada etapa é pensada em conjunto, aumentam as chances de um tratamento mais eficaz, menos agressivo e com melhores resultados a longo prazo. Em muitos casos, a cirurgia pode sim ser a primeira etapa - mas que será enfrentado com muito mais convicção e segurança de que é o caminho certo.

Antes de qualquer procedimento, informe-se, tire dúvidas e participe ativamente das decisões. Um bom plano no começo muda toda a trajetória do tratamento.

Um estudo publicado na revista Nature trouxe um achado importante: gravidez seguida de amamentação está associada a um m...
17/03/2026

Um estudo publicado na revista Nature trouxe um achado importante: gravidez seguida de amamentação está associada a um menor risco de desenvolver câncer de mama, especialmente o subtipo triplo-negativo, que é um dos mais agressivos e de difícil tratamento.

Os pesquisadores observaram que, durante a gravidez e a amamentação, o sistema imunológico da mulher sofre alterações que levam ao acúmulo de células de defesa, especialmente linfócitos T CD8⁺ no tecido mamário.

Essas células permanecem por muitos anos e funcionam como “guardas” locais, capazes de reconhecer e responder mais rapidamente a alterações celulares anormais. Essa resposta imunológica mais ativa está associada a um risco reduzido de desenvolvimento de tumores e a uma infiltração imunológica mais eficaz quando o câncer ocorre, o que pode contribuir para melhores desfechos clínicos.

Embora amamentar não garanta que uma pessoa nunca desenvolva câncer de mama, este estudo ajuda a explicar biologicamente por que a amamentação está relacionada a uma redução do risco ao longo da vida, especialmente para formas agressivas como o triplo-negativo.

Endereço

Rua Ruggero Fasano
São Paulo, SP
05653120

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