nutrifemigotto

nutrifemigotto Espaço para troca de experiências sobre a introdução alimentar dos bebês

21/08/2026

Proteína não é tudo igual — e “ter mais gordura” também não signif**a ser pior.

Quando escolhemos uma fonte proteica, não estamos consumindo proteína isolada. Junto dela vêm diferentes quantidades e tipos de gordura, micronutrientes e, consequentemente, diferentes densidades calóricas.

É por isso que duas porções com quantidades semelhantes de proteína podem entregar valores energéticos bem diferentes.

Em uma estratégia de emagrecimento, fontes mais magras podem ser interessantes quando precisamos atingir uma boa ingestão proteica com menor aporte calórico. Mas isso **não transforma salmão, contra-filé ou outros cortes mais gordurosos em alimentos proibidos.**

O salmão, por exemplo, tem maior teor de gordura, mas também é fonte de EPA e DHA, ácidos graxos ômega-3 associados a benefícios cardiometabólicos.

E tem outro detalhe que muda bastante essa conta: **o corte e o preparo.**

Retirar pele ou gordura aparente, escolher determinado corte e decidir entre grelhar, assar ou adicionar óleo e molhos pode modif**ar signif**ativamente a composição final da refeição.

Na prática, eu não quero que meu paciente decore uma lista de “pode e não pode”.

Quero que ele saiba escolher de acordo com **o restante do prato, sua necessidade de proteína, seu objetivo e sua rotina.**

Porque aprender a comer é muito mais sustentável do que passar a vida tentando obedecer listas.

Qual dessas fontes aparece mais no seu prato?

| Fernanda Migotto    
| Nutricionista 
| CRN3: 55006
| Jardins | SP


20/08/2026

A canetinha faz a parte dela. Mas três hábitos comuns trabalham contra o que ela está tentando fazer no seu corpo.

Álcool. O GLP-1 retarda o esvaziamento gástrico, então o álcool f**a mais tempo no estômago e é absorvido de forma mais intensa. Resultado, o efeito vem mais forte com menos quantidade, além do risco maior de pancreatite e de piora de náusea, refluxo e desidratação, efeitos que essa classe de medicamento já favorece sozinha.

Frituras e gordura em excesso. Elas somam ao retardo de esvaziamento gástrico que a medicação já causa. Isso signif**a mais náusea, mais distensão, mais desconforto. E com o apetite reduzido, o pouco espaço que sobra no estômago precisa ser ocupado por alimento denso em nutriente, não por gordura parada fazendo mal-estar.

Carboidrato refinado em excesso. Ele sacia com pouco volume, mas ocupa o espaço que deveria ser de proteína e vegetal. Com apetite reduzido, cada escolha alimentar pesa o dobro. O que você come na pouca fome que sobra define mais o resultado do que o que você comia antes do tratamento.

Não são regras por regra. É o seu corpo pedindo coerência com o que a medicação está tentando fazer.

| Fernanda Migotto
| Nutricionista
| CRN3: 55006
| Jardins - SP

19/08/2026

A canetinha não perdeu o efeito. O seu ambiente mudou.

No frio, o hipotálamo aciona termogênese para manter a temperatura do corpo, e isso aumenta o gasto energético. Só que o cérebro responde a esse gasto extra pedindo comida de alta densidade calórica, carboidrato e gordura principalmente, porque são as fontes de energia mais rápidas disponíveis.

Tem um segundo mecanismo que ninguém fala: no frio, a percepção de sede f**a prejudicada. Você bebe menos água sem perceber, e o hipotálamo processa esse sinal de desidratação em regiões próximas às da fome. Resultado, você sente fome quando na verdade está precisando de água.

O que muda a estratégia nessa época do ano:

Hidratação ativa e quente. Chá sem açúcar, caldo de legume, água morna. O volume quente gera saciedade e reduz a busca por comida calórica.

Não pular refeição. Jejum prolongado no frio potencializa a busca por carboidrato e gordura na refeição seguinte.

Adaptar o prato, não abandonar o plano. Ninguém quer salada fria no inverno, e não precisa. Troca por legumes assados, sopa com proteína, ovo mexido quente. O plano continua, o formato muda.

A medicação segue funcionando. O que mudou foi o ambiente, e alimentação inteligente responde ao ambiente.

| Fernanda Migotto    
| Nutricionista 
| CRN3: 55006
| Jardins | SP


19/08/2026

Depois dos 40, cuidado com caneta não é sobre dose. É sobre contexto.

A queda de estrogênio na perimenopausa já reduz, sozinha, a eficiência da síntese proteica e a densidade mineral óssea. Soma a supressão de apetite que essas medicações costumam causar, e o risco de perda de massa magra deixa de ser hipotético.

O consenso mais recente sobre o uso dessas medicações, publicado por três entidades europeias de referência em obesidade, é claro nesse ponto: a decisão de iniciar, ajustar ou pausar tratamento precisa ser compartilhada entre paciente e médico, olhando função física e composição corporal, não só o número da balança.

Não existe caneta que substitua treino de força e ingestão proteica adequada. Existe caneta que funciona melhor quando esses dois pilares estão no lugar.

Se você está nessa fase e em tratamento, essa conversa não é sobre desistir da medicação. É sobre não fazer isso sozinha.

| Fernanda Migotto    
| Nutricionista 
| CRN3: 55006
| Jardins | SP


17/08/2026

A obesidade é reconhecida como doença crônica pela Organização Mundial da Saúde desde 1997, não como falta de força de vontade. Envolve sinalização hormonal de saciedade, resposta do hipotálamo e histórico genético, não só comportamento à mesa. Os análogos de GLP-1 atuam exatamente nesse eixo, o mesmo que está desregulado em quem convive com obesidade.

O problema nunca foi a ferramenta. É o uso sem acompanhamento, a banalização para perder dois quilos antes do verão e os medicamentos manipulados fora de controle sanitário.

Créditos do vídeo: Mari Krüger, bióloga formada pela UFRGS e criadora de conteúdo conhecida por desmistif**ar desinformação em saúde.

| Fernanda Migotto    
| Nutricionista 
| CRN3: 55006
| Jardins | SP


14/08/2026

Aplicou Mounjaro e pensou que agora é só esperar a medicação fazer o trabalho? É justamente aí que muita gente erra.

A tirzepatida reduz o apetite, aumenta a saciedade e retarda o esvaziamento gástrico. E, principalmente nos períodos em que esses efeitos estão mais perceptíveis, o jeito como você se alimenta pode fazer muita diferença na tolerância ao tratamento.

Refeições muito volumosas, excesso de gordura, álcool e comer rápido podem piorar sintomas gastrointestinais em algumas pessoas, como náusea, refluxo, empachamento e desconforto abdominal.

Mas existe outro lado que eu observo muito no consultório: a pessoa sente tão pouca fome que simplesmente para de comer direito.

E menos fome não signif**a menor necessidade de nutrientes.

Se a ingestão cai demais, proteína, fibras, líquidos, vitaminas e minerais podem f**ar abaixo do necessário. Em um processo de emagrecimento, isso importa especialmente porque o objetivo não deveria ser apenas reduzir o número da balança, mas preservar massa muscular e qualidade nutricional enquanto o peso diminui.

Por isso, quando acompanho nutricionalmente pacientes em tratamento com Mounjaro, semaglutida ou outros medicamentos para obesidade, não penso apenas em “comer menos”.

Penso em como aproveitar o menor volume alimentar para entregar aquilo que o organismo continua precisando.

A medicação pode modif**ar sua fome.
A estratégia nutricional precisa acompanhar essa mudança.

É essa combinação que torna o tratamento muito mais inteligente.

Me siga para entender como ajustar sua alimentação durante o tratamento da obesidade com ciência e estratégia.

| Fernanda Migotto
| Nutricionista
| CRN3: 55006
| Jardins | SP

Tem coisa que eu acho chique de verdade.Comer comida de verdade sem precisar transformar cada refeição em um projeto de ...
13/08/2026

Tem coisa que eu acho chique de verdade.

Comer comida de verdade sem precisar transformar cada refeição em um projeto de alta performance.

Arroz e feijão no prato. Sobremesa quando dá vontade. Cozinhar em casa quando é possível. Sentar para comer. Perceber a fome. Respeitar a saciedade. E, principalmente, não precisar se punir depois.

Porque alimentação saudável não deveria ser sinônimo de viver em vigilância.

Na prática, quanto mais rígida f**a a relação com a comida, mais fácil é entrar naquela lógica do “já que eu comi, estraguei tudo”. E uma refeição vira culpa, compensação, restrição e, muitas vezes, um novo exagero.

Nutrição também é aprender a sair desse 8 ou 80.

É conseguir fazer boas escolhas na maior parte do tempo sem acreditar que um chocolate destruiu seu resultado. É entender que proteína importa, fibras importam, qualidade alimentar importa, mas a maneira como você se relaciona com tudo isso também importa.

Talvez o verdadeiro luxo hoje seja esse:

comer bem sem pensar em comida o dia inteiro.

E, para mim, isso é chique demais.

Fernanda Migotto
| Nutricionista
| CRN3: 55006
| Jardins | SP

12/08/2026

A gente normalizou tanta coisa que faz mal que, quando o corpo começa a reclamar, parece que o problema surgiu “do nada”.

Azia frequente vira “meu estômago é assim”.
Intestino que só funciona com alguma ajuda vira rotina.
Cansaço constante vira consequência da vida adulta.
Comer olhando para uma tela vira o único jeito de conseguir almoçar.

E até escolhas vendidas como saudáveis podem entrar nesse automático: tudo precisa ser fit, proteico, suplementado, adoçado, otimizado.

Só que saúde não é uma coleção de produtos com alegação saudável.

É sono adequado. Alimentação variada. Hidratação. Movimento. Massa muscular. Saúde intestinal. Relação saudável com a comida. E, principalmente, perceber os sinais que o corpo está dando antes de aprender a conviver com eles.

Também não signif**a que sentir azia uma vez, usar adoçante ou consumir um alimento proteico seja um problema.

O ponto é quando exceções viram padrão e sintomas viram parte da personalidade.

Tem coisa que ficou comum.

Mas comum e saudável nunca foram sinônimos.

| Fernanda Migotto
| Nutricionista
| CRN3: 55006
| Jardins | SP

11/08/2026

“Cheguei no meu peso. Agora posso parar?”

Essa pergunta parece simples, mas esbarra em uma das partes mais difíceis do tratamento da obesidade: manter o peso perdido.

Depois do emagrecimento, o organismo não volta imediatamente a funcionar como se aquele novo peso sempre tivesse sido seu. Persistem adaptações biológicas que favorecem o reganho: aumento da fome, redução do gasto energético e maior eficiência metabólica.

Esse fenômeno não é novo. Estudos clássicos de Leibel e colaboradores já mostravam, desde a década de 1990, que a perda de peso provoca respostas compensatórias capazes de dificultar sua manutenção.

E os estudos modernos com medicamentos para obesidade reforçam a mesma lógica.

No SURMOUNT-4, pacientes que interromperam a tirzepatida após uma fase inicial de tratamento recuperaram parte importante do peso ao longo do ano seguinte, enquanto aqueles que continuaram o tratamento mantiveram e ampliaram a perda.

Isso não signif**a que toda pessoa precisará usar medicação para sempre. Signif**a que obesidade é doença crônica e que retirada, manutenção ou ajuste de tratamento precisam ser planejados, não improvisados.

É nessa fase que nutrição adequada, proteína suficiente, treino de força, preservação de massa magra e mudança real de comportamento deixam de ser detalhe e passam a ser parte central da manutenção.

A balança pode mudar rápido.

Ensinar o corpo e a rotina a sustentar esse resultado leva muito mais tempo.

| Fernanda Migotto
| Nutricionista
| CRN3: 55006
| Jardins | SP

Se a fome diminuiu, ótimo. Mas o trabalho da nutrição não acaba aí.Na prática, o que mais vejo em pacientes usando tirze...
10/08/2026

Se a fome diminuiu, ótimo. Mas o trabalho da nutrição não acaba aí.

Na prática, o que mais vejo em pacientes usando tirzepatida ou semaglutida é isto: comem menos, mas nem sempre comem melhor.

E aí começam alguns problemas silenciosos.

Pouca proteína.
Pouca água.
Pouca fibra.
Treino sem progressão.
Refeições tão pequenas que faltam nutrientes.

O peso até pode cair, mas composição corporal, força, intestino, energia e manutenção do resultado também importam.

Por isso, durante o tratamento da obesidade com medicamentos que atuam em GLP-1/GIP, eu gosto de olhar menos para “quanto você conseguiu deixar de comer” e mais para o que ainda cabe no seu prato quando a fome diminui.

Porque esse é o momento em que cada escolha ganha mais peso nutricional.

Não é sobre fazer uma dieta perfeita.

É sobre usar a menor fome a seu favor para construir uma alimentação que tenha proteína suficiente, comida de verdade, hidratação, fibras e uma rotina possível de manter.

A medicação pode facilitar muito o processo.
Mas quem sustenta o resultado depois é o conjunto.

Salva para lembrar disso quando bater aquela sensação de: “estou comendo tão pouco, então deve estar tudo certo”.

| Fernanda Migotto   
| Nutricionista
| CRN3: 55006
| Jardins | SP

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