Dra. Ingrid Tremper

Dra. Ingrid Tremper Cardiologia e Ecocardiografia Pediátrica, Fetal e Cardiopatias Congênitas do Adulto

17/08/2026

Esse vídeo me emocionou muito porque ele mostra uma realidade que nenhuma família deveria enfrentar sozinha: descobrir uma cardiopatia congênita somente depois do nascimento, muitas vezes em um momento de susto, medo e urgência.

Como cardiopediatra, eu sei o quanto o diagnóstico precoce pode mudar a condução dessa história.

Hoje, temos ferramentas muito importantes para investigar o coração do bebê ainda durante a gestação, como o ecocardiograma fetal. Esse exame permite avaliar a formação e o funcionamento do coração antes do nascimento e, quando uma cardiopatia é identificada, possibilita planejar melhor o parto, escolher uma maternidade com estrutura adequada e preparar a equipe que poderá cuidar desse bebê nos primeiros momentos de vida.

E depois que o bebê nasce, existe outro passo fundamental: o teste do coraçãozinho.

Ele é simples, rápido, indolor e faz parte da triagem neonatal. O objetivo é ajudar a identificar cardiopatias congênitas críticas antes que o recém-nascido vá para casa.

Nem todas as cardiopatias são diagnosticadas no momento ideal. Mas quanto mais informação as famílias tiverem, maiores são as chances de buscar avaliação, fazer os exames indicados e oferecer cuidado no tempo certo.

Diagnóstico precoce não é sobre gerar medo.
É sobre preparar.
É sobre proteger.
É sobre mudar histórias.

Dra. Ingrid Tremper
Cardiologia Pediátrica
CRM: 158327 | RQE: 42051-1

14/08/2026

Pesquisadores conseguiram registrar, em imagens, um dos momentos mais impressionantes da vida: o início da formação de um coração.

Ao ver células se organizando para formar as primeiras estruturas cardíacas, eu lembro que a vida começa de forma silenciosa, pequena, quase invisível aos nossos olhos… mas profundamente perfeita em sua complexidade.

Antes do primeiro choro, antes do primeiro colo, antes mesmo da mãe sentir os primeiros movimentos, existe um coração começando a se formar.

Como médica, é impossível olhar para isso sem enxergar ciência.
Mas também é impossível não enxergar Deus.

Cada célula encontrando seu lugar, cada estrutura se desenhando, cada futuro batimento sendo preparado… tudo isso revela a beleza da vida acontecendo nos detalhes.

A medicina nos permite estudar, acompanhar e cuidar.
Mas a vida, em sua origem, continua sendo um mistério que nos convida à reverência.

E talvez seja por isso que cuidar do coração de uma criança seja tão especial: porque, muito antes de nascer, aquele coração já carrega uma história.

Dra. Ingrid Tremper
Cardiologia Pediátrica
CRM: 158327 | RQE: 42051-1

Confissão de consultório: é comum a mãe levar uma bala colorida pra "acalmar" a criança antes de exame ou no pós-operató...
12/08/2026

Confissão de consultório: é comum a mãe levar uma bala colorida pra "acalmar" a criança antes de exame ou no pós-operatório. Faz sentido, é carinho. Mas preciso te contar uma coisa.

Corantes artificiais como tartrazina (amarelo 5), amarelo crepúsculo e vermelho 40 já foram associados, em estudos, a mais agitação e irritabilidade em crianças sensíveis. Tanto que a União Europeia exige alerta no rótulo desses produtos.

Isso não vale pra toda criança. Mas no pós-operatório de cirurgia cardíaca, o corpo já está em recuperação delicada: sono alterado, dor, corpo se estabilizando. Qualquer coisa que aumente agitação pode atrapalhar o que ele mais precisa agora: descanso pra cicatrizar.

Não é proibir doce pra sempre. É trocar, nos dias mais sensíveis do pós-operatório, a bala colorida por fruta, gelatina caseira ou docinho sem corante artificial.

Detalhe pequeno, cuidado grande.

Comenta: você já tinha percebido isso?

💛

10/08/2026

O coração do bebê começa a bater muito antes do que muita gente imagina.

Por volta da 5ª semana de gestação, aquele coraçãozinho minúsculo já está em funcionamento. E, até aproximadamente a 8ª semana, ele já passou por transformações importantes na sua formação.

Por isso, o acompanhamento no início da gestação é tão importante. O ultrassom inicial permite visualizar os primeiros batimentos e acompanhar o desenvolvimento do bebê.

E quando existe alguma suspeita ao longo do pré-natal, o ecocardiograma fetal pode avaliar o coração com mais detalhes.

Antes mesmo de muitas mães saberem que estão grávidas, já existe um coraçãozinho batendo ali dentro.

Dra. Ingrid Tremper
Cardiologia Pediátrica
CRM: 158327 | RQE: 42051-1

07/08/2026

Os defeitos septais são cardiopatias congênitas caracterizadas por um orifício no septo que separa as cavidades do coração.

Eles podem ser atriais, chamados de CIA, quando ocorrem entre os átrios, ou ventriculares, chamados de CIV, quando ocorrem entre os ventrículos.

Esses defeitos permitem uma passagem anormal de sangue entre as câmaras cardíacas, gerando um desvio de fluxo que pode aumentar o fluxo de sangue para os pulmões e sobrecarregar o coração.

Muitos casos pequenos são assintomáticos, mas defeitos maiores podem causar fadiga, respiração acelerada, infecções respiratórias, insuficiência cardíaca e, em casos avançados, cianose.

O diagnóstico é confirmado principalmente por meio do ecocardiograma, que avalia o tamanho do defeito e seu impacto hemodinâmico.

Vou te contar algo que aconteceu recentemente e que quase passou batido, mas pode impactar a vida de milhares de família...
05/08/2026

Vou te contar algo que aconteceu recentemente e que quase passou batido, mas pode impactar a vida de milhares de famílias.

No final de junho, o Ministério da Saúde abriu uma consulta pública para construir a Linha de Cuidado da Cardiopatia Congênita no SUS.

Na prática, isso significa tentar organizar melhor o caminho que uma gestante, um bebê ou uma criança com cardiopatia congênita deve percorrer dentro do sistema de saúde.

Hoje, esse cuidado ainda é muito desigual no Brasil.

Em algumas regiões, há acesso mais rápido a ecocardiograma fetal, cirurgia, UTI neonatal especializada e equipe preparada. Em outras, muitas famílias descobrem tarde, precisam viajar horas, aguardam vaga e enfrentam uma corrida contra o tempo.

Uma linha de cuidado pode ajudar a definir:

quando e como o diagnóstico deve ser feito;
para onde a gestante ou o bebê deve ser encaminhado;
como deve acontecer o transporte de quem mora longe;
quais são os critérios e prazos para cirurgia;
e como as equipes devem estar preparadas para receber esses bebês.

Isso não é apenas burocracia.

Pode significar uma mãe conseguir o diagnóstico ainda na gestação.
Um bebê nascer no hospital certo.
Uma transferência acontecer no tempo adequado.
Uma equipe estar pronta quando cada minuto importa.

Mesmo com o prazo da consulta pública encerrado, esse tema precisa continuar sendo acompanhado.

Porque políticas públicas de saúde também precisam ser conhecidas, cobradas e acompanhadas por quem vive essa realidade de perto.

No Brasil, milhares de crianças nascem todos os anos com cardiopatia congênita. E muitas delas precisarão de cuidado especializado logo no início da vida.

Se você é mãe, pai ou familiar de uma criança cardiopata, acompanhe esse movimento. Informação também é uma forma de lutar por um cuidado mais justo, mais organizado e mais acessível.

Dra. Ingrid Tremper
Cardiologia Pediátrica
CRM: 158327 | RQE: 42051-1

03/08/2026

Nem sempre um problema no coração da criança aparece de forma evidente.

Algumas cardiopatias congênitas podem evoluir de maneira silenciosa, sem sintomas claros nos primeiros meses ou até anos de vida. Em outros casos, os sinais existem, mas são sutis e podem ser confundidos com outras situações da rotina.

Um sopro cardíaco, cansaço para mamar, respiração mais acelerada, suor durante as mamadas, dificuldade para ganhar peso ou menor tolerância ao esforço são sinais que merecem atenção.

Isso não significa que toda criança com esses sintomas tenha uma cardiopatia. Mas significa que o coração também precisa entrar na investigação quando algo não parece estar evoluindo como esperado.

A avaliação cardiológica pediátrica permite entender se existe alguma alteração, se é algo que precisa apenas de acompanhamento ou se há necessidade de tratamento específico.

O objetivo não é gerar medo nos pais.

É diagnosticar no momento certo, orientar a família com segurança e garantir que cada criança receba o cuidado adequado para a sua história.

Se existe alguma dúvida sobre a saúde cardíaca do seu filho, procure uma avaliação especializada.

Dra. Ingrid Tremper
Cardiologia Pediátrica
CRM: 158327 | RQE: 42051-1

31/07/2026

Algumas cardiopatias congênitas podem ser suspeitadas ainda na gestação, geralmente durante o ultrassom morfológico, e avaliadas com mais detalhe pelo ecocardiograma fetal, exame específico para observar a estrutura e o funcionamento do coração do bebê antes do nascimento.

O diagnóstico precoce é tão importante porque permite planejar o cuidado antes do parto: onde esse bebê deve nascer, qual equipe precisa estar preparada e quais condutas podem ser necessárias logo após o nascimento.

Em casos muito específicos, o tratamento pode começar ainda dentro do útero. São as chamadas intervenções cardíacas fetais, procedimentos altamente especializados, indicados para um grupo selecionado de cardiopatias, como algumas obstruções graves de válvulas cardíacas. Como a valvoplastia pulmonar ou aortica para correção da estenose das respectivas valvas cardíacas.

Isso não significa que toda cardiopatia pode ou deve ser tratada antes do nascimento. Cada caso precisa ser avaliado individualmente.

Mas quando existe indicação, esse cuidado pode ajudar a modificar a evolução da doença e preparar melhor o bebê para nascer com mais segurança.

Diagnosticar cedo não é gerar medo.
É ganhar tempo para cuidar melhor.

29/07/2026

Receber a suspeita de Tetralogia de Fallot ainda durante a gestação pode assustar muito a família.

E eu entendo esse medo.

A Tetralogia de Fallot é uma cardiopatia congênita, ou seja, uma alteração na formação do coração do bebê. Ela recebe esse nome porque envolve um conjunto de alterações cardíacas que interferem na passagem do sangue do coração para os pulmões e, consequentemente, na oxigenação.

De forma simplificada, ela pode envolver:

- uma comunicação entre os ventrículos;
- um estreitamento na saída do sangue para os pulmões;
- artéria aorta posicionada mais à direita do coração
- hipertrofia do ventrículo direito, que se torna mais evidentes após o nascimento

Em alguns casos, também pode haver artérias pulmonares menores ou menos desenvolvidas, o que torna a avaliação ainda mais importante.

Quando essa suspeita aparece no pré-natal, o ecocardiograma fetal ajuda a entender melhor a anatomia do coração, avaliar a circulação do bebê e planejar o nascimento com mais segurança.

Isso não significa que a família precisa entrar em desespero.

Significa que esse bebê precisa ser acompanhado de perto, por uma equipe preparada, em um local capaz de oferecer o suporte necessário após o nascimento.

Alguns bebês com Fallot podem precisar de cirurgia ou outros procedimentos nos primeiros meses de vida. E, em determinadas situações, também pode ser indicada investigação genética, porque algumas cardiopatias podem estar associadas a alterações cromossômicas.

A informação muda a forma como a família atravessa esse diagnóstico.

Quando a cardiopatia é identificada antes do nascimento, é possível planejar melhor o parto, organizar a equipe, orientar os pais e iniciar o cuidado no momento certo.

O diagnóstico assusta.
Mas o acompanhamento especializado traz direção.

Dra. Ingrid Tremper
Cardiologia Pediátrica
CRM: 158327 | RQE: 42051-1

Nem todo ronco infantil deve ser tratado como algo “normal”.E quando falamos de uma criança com cardiopatia, esse cuidad...
27/07/2026

Nem todo ronco infantil deve ser tratado como algo “normal”.

E quando falamos de uma criança com cardiopatia, esse cuidado precisa ser ainda mais atento.

Ronco frequente, respiração pela boca, sono agitado, pausas respiratórias, suor excessivo à noite, irritabilidade ou sonolência durante o dia podem ser sinais de que aquela criança não está tendo um sono realmente reparador.

Isso não significa que todo ronco seja sinal de gravidade.

Mas significa que vale investigar.

Na cardiologia pediátrica, a gente não olha apenas para o exame do coração. A gente olha para a criança como um todo: como ela respira, dorme, cresce, se alimenta, br**ca e se desenvolve.

Porque uma criança cardiopata pode precisar de cuidados específicos, e alterações no sono podem impactar o organismo de formas que nem sempre os pais percebem de imediato.

Informação não é para gerar medo.
É para ajudar a família a observar melhor e buscar ajuda no momento certo.

Se o seu filho tem cardiopatia e ronca com frequência, converse com o pediatra e com o cardiopediatra.

Dra. Ingrid Tremper
Cardiologia Pediátrica
CRM: 158327 | RQE: 42051-1

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