Espaço Lacaniano

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Construir pontes e levantar pontos

28/07/2026

Na contemporaneidade, a educação e o acompanhamento dos jovens são menos coletivizados. Se antes tínhamos estruturas de cuidado coletivo, hoje a responsabilidade pelo “desenvolvimento” dos menores recai sobre as famílias e, majoritariamente, sobre as mães.

Pensemos que, desde o momento da invenção da infância (sim, a infância é uma invenção que ocorreu no final da Idade Média), a educação da criança era um processo coletivo que incluía diversos agentes. Juntos, todos assumiam traços dessa responsabilidade, possibilitando o desenvolvimento múltiplo dos jovens em direção à vida adulta.

O neoliberalismo e o capitalismo selvagem promoveram uma organização psíquica e social muito mais individualista. Vivemos um momento no qual os diferentes espaços por onde a criança circula carecem de adultos que se responsabilizem por ela. Notamos isso no processo do “a culpa é da…” (complete a frase com: família, escola, academia, amigos, videogames).

A atualidade patologiza em muito os jovens, que são menos escutados, mais diagnosticados e, preferencialmente, colocados ou como “ativos” que virão a dar lucro, ou marginalizados como “investimentos” que jamais darão retorno. Nesse processo, os pais tornam-se mais alienados dos filhos enquanto sujeitos detentores de uma subjetividade própria e passam a ser tomados por uma culpa decorrente de uma suposta insuficiência parental.

Talvez devamos resgatar a educação coletiva, menos celulares e mais presenças. O que você pensa sobre isso? Conte para nós, aqui nos comentários, como vê a formação dos jovens hoje.

Os sintomas dos nossos pacientes não surgem do nada: são feitos de contradições cuja realidade se localiza nos laços soc...
24/07/2026

Os sintomas dos nossos pacientes não surgem do nada: são feitos de contradições cuja realidade se localiza nos laços sociais, nas relações desejantes e na economia de gozo. Uma clínica que escuta apenas o indivíduo, sem escutar as contradições do mundo em que ele vive, está trabalhando com metade da realidade. E, ao fazer isso, frequentemente se torna funcional ao que deveria criticar.

Não é que a psicanálise pressupõe a democracia liberal. É que ela coloca em questão nossa concepção atual de democracia - e mostra que qualquer ordem que se apresente como completa, sem furo, sem contradição, está preparando as condições para o autoritarismo. A democracia que a psicanálise pode defender é sempre uma "democracia por vir" - que ainda não existiu e que representa a incompletude como sua única forma de honestidade.

Como você entende a relação entre clínica e política? Conta nos
comentários.

Os sintomas dos nossos pacientes não surgem do nada: são feitos de contradições cuja realidade se localiza nos laços soc...
23/07/2026

Os sintomas dos nossos pacientes não surgem do nada: são feitos de contradições cuja realidade se localiza nos laços sociais, nas relações desejantes e na economia de gozo. Uma clínica que escuta apenas o indivíduo, sem escutar as contradições do mundo em que ele vive, está trabalhando com metade da realidade. E, ao fazer isso, frequentemente se torna funcional ao que deveria criticar.

Não é que a psicanálise pressupõe a democracia liberal. É que ela coloca em questão nossa concepção atual de democracia - e mostra que qualquer ordem
que se apresente como completa, sem furo, sem contradição, está preparando as condições para o autoritarismo. A democracia que a psicanálise pode
defender é sempre uma "democracia por vir" - que ainda não existiu e que representa a incompletude como sua única forma de honestidade.

Como você entende a relação entre clínica e política? Conta nos comentários.

22/07/2026

Como tratar crise de pânico? Um quadro patológico bastante contemporâneo, ainda que já tenha sido descrito em 1900, um adoecimento marcado pelo excesso e cada vez mais presente em um social sem garantias, desorganizado, hiperestimulado e marcado pelo consumo excessivo.
Como estabelecer uma parada? Como limitar o gozo que emerge dessa energia que irrompe de uma só vez?
Como diminuir a angústia? Trata-se de uma patologia complexa, que exige estudo substancial e uma disponibilidade singular para sustentar analisandos atravessados por tamanho excesso.
Jacques Lacan trabalha esse tema no seminário A Relação de Objeto, retoma a questão em A Angústia e a desenvolve também no seminário RSI, sobre o real, o simbólico e o imaginário. O psiquiatra Mario Eduardo Costa Pereira também aborda o tema em dois livros fundamentais.

14/07/2026

Realismo capitalista: o que é?

Se Sigmund Freud propôs que cada época produz seus próprios sintomas, suas formas de expressão do sofrimento, vale a pena voltar um olhar crítico para a organização econômica e social em que vivemos.

Ao longo da história, diferentes sistemas se apresentaram como naturais, definitivos e até inevitáveis. Isso aconteceu com as grandes instituições religiosas, com o feudalismo e, hoje, com o capitalismo.

Em Realismo Capitalista, Mark Fisher argumenta que o capitalismo se tornou tão dominante que muitas vezes parece impossível imaginar alternativas. Nesse contexto, sintomas como ansiedade, depressão e esgotamento não podem ser compreendidos apenas como questões individuais, mas também como respostas a uma lógica social marcada pela urgência, pela produtividade constante e pela pressão por desempenho.

Olhar para a forma como a sociedade se organiza nos ajuda a compreender melhor as modalidades contemporâneas de sofrimento e a pensar caminhos possíveis para seu tratamento.

Você já leu esse livro? Conhece o trabalho de Mark Fisher?

10/07/2026

Como melhorar a relação entre professor e aluno? Qual é o papel do professor hoje?

A escola sempre esteve ligada a uma aposta no futuro: um espaço de aquisição de conhecimento, de construção de relações e de desenvolvimento, tendo em vista uma melhor qualidade de vida.

Nesse contexto, o professor ocupa um lugar central. Ele representa essa aposta no futuro, figurando como uma autoridade capaz de transmitir conhecimentos práticos e teóricos que servirão tanto para os vestibulares quanto para a vida.

Mas o que acontece quando todo o sistema social se transforma?

Quando os jovens percebem que fazer uma faculdade já não é garantia de um futuro melhor e, muitas vezes, pode significar uma dívida estudantil considerável? Quando observam a precarização do trabalho e o enfraquecimento dos direitos sociais? Quando boa parte do saber transmitido pela escola parece já não responder às exigências do mundo em que vivemos?

Como se constrói, então, a relação entre professor e aluno diante dessa nova realidade?

09/07/2026

Desde Sigmund Freud sabemos que aquilo que não dito pode em muito virar uma psicossomática, uma doença orgânica que tem sua origem desde algo do psiquismo.

Quanto falamos sobre violências na infância ou violências que não reconhecidas, abrimo-nos para um campo de adoecimento muito complexo. - Aquele evento que não foi dito, e ou que não foi reconhecido em muito pode ser re.encenado / repetido.

Historicamente a violência contra a mulher é contra as crianças é silenciada e apagada. A história das opressões e dominações foi amplamente destrinchada por historiadores como Michel Foucault. - E em todos os momentos da humanidade o medo sempre foi que as vítimas pudessem falar e narrar suas vivências, não só para curarem-se, mas como promover uma mudança no social.

Para que seja possível reconhecer é necessário que se fale sobre o que antes foi silenciado.

06/07/2026

Envelhecer se tornou uma questão social e fonte de angústia. Se, antigamente, ficar mais velho era socialmente visto como algo desejado e digno de celebração, atualmente é algo que ativamente se busca evitar, ao menos do ponto de vista visual.

Orientados por uma organização eminentemente imaginária, a busca por atingir padrões estéticos inalcançáveis se manifesta nos processos de envelhecimento. De dietas e exercícios excessivos até intervenções cirúrgicas que em nada se vinculam à saúde, a regra social parece ser o pavor de envelhecer — custe o que custar.

28/06/2026

Pra psicanálise, os sonhos não são aleatórios. Eles podem ser decompostos em partes que carregam outro sentido, outra textura, outra carga emocional do que aquilo que vivemos acordados.

Seus sonhos podem estar te dizendo algo que você ainda não parou pra escutar. 👁️

💬 Você costuma lembrar dos seus sonhos? Conta aqui.

25/06/2026

Você sabe que aquilo te faz mal. E mesmo assim, repete. 🔁

Não é falta de força de vontade — é repetição inconsciente.

Para a psicanálise, existem feridas, ausências e experiências antigas que moldam a forma como nos relacionamos com nosso próprio desejo. E é aí que Lacan, no Seminário 17, fala de algo que vai além do prazer: o gozo.

Enquanto o desejo nos move para o novo, o gozo nos puxa de volta ao mesmo lugar — mesmo quando esse lugar machuca.

Por isso alguém pode dizer “eu sei que isso me faz mal” e ainda assim continuar presa ao mesmo ciclo.
💬 Você já se pegou pensando isso? Conta aqui nos comentários.

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