03/06/2026
Carta para a Vó Que Ganhei da Vida:
Hoje me despeço de uma mulher que, embora não fosse minha avó de sangue, se tornou minha avó de coração.
Conheci a vozinha quando cheguei a Olímpia, em 2016. Desde aquele primeiro contato, fui recebido com carinho, respeito e acolhimento. Com o passar dos anos, percebi que ela tinha algo raro: um coração enorme, uma bondade genuína e uma forma especial de tratar as pessoas. Talvez por eu não ter tido tanta proximidade com minha avó de sangue, encontrei nela uma referência de avó que passei a amar profundamente.
A vozinha era daquelas pessoas que deixam marcas por onde passam. Não por riqueza, fama ou posição, mas pela sua humanidade, pelo seu caráter e pela forma como construiu a própria família.
Ela criou seus filhos com honestidade, respeito e princípios. Ensinou pelo exemplo. Transmitiu valores que atravessaram gerações e chegaram aos netos e bisnetos. O que ela construiu não foi apenas uma família, mas uma verdadeira herança de amor, união e caráter.
Olhando de fora, sempre enxerguei algo muito bonito nessa família. Uma família de verdade. Daquelas que permanecem unidas, que carregam valores, que respeitam suas raízes e que honram sua história. E tenho certeza de que grande parte disso nasceu do exemplo dela e do seu marido.
Seu esposo partiu aos 83 anos de idade. Hoje, também aos 83 anos, ela encerra sua caminhada nesta Terra. Existe algo profundamente simbólico nisso. Juntos construíram uma vida, criaram seus filhos, viram os netos crescerem, conheceram os bisnetos e cumpriram sua missão sem passar pela dor de perder nenhum filho. Seguiram o ciclo natural da vida, deixando para trás uma família sólida e um legado que permanecerá por muitas gerações.
A vozinha também ajudou a preservar uma das mais belas tradições de Olímpia. Com suas próprias mãos, costurava rosas, flores e detalhes das roupas e chapéus da Folia de Reis. Enquanto muitos admiravam o resultado final, poucos conheciam o amor, a dedicação e o trabalho presentes em cada costura. Ela fazia parte da história da cidade e ajudava a manter viva uma tradição que atravessa gerações.
Continuação do texto nos comentários…