09/09/2026
Tem consulta em que a lista de medicamentos parece ter vida própria.
Começamos com uma relação no prontuário. Depois aparece uma receita antiga. Alguém lembra de um comprimido “só quando precisa”. Outro foi suspenso sem que a lista fosse atualizada. E ainda há aquele medicamento que ninguém consegue dizer exatamente por que continua sendo usado.
Para a pessoa idosa com câncer, isso não é apenas uma questão de organização.
A Avaliação geriátrica ampla (AGA) inclui a revisão de medicamentos porque polifarmácia, interações, efeitos adversos e esquemas complexos podem interferir na segurança e no próprio tratamento oncológico. A ASCO inclui a polifarmácia entre os domínios prioritários da avaliação geriátrica de pessoas idosas recebendo terapia sistêmica.
E a SIOG chama atenção para um desafio que quem está na prática reconhece facilmente: antes mesmo de avaliar indicação ou interação, precisamos descobrir com precisão o que a pessoa realmente está usando. A revisão estruturada pode envolver reconciliação, avaliação de efeitos adversos, interações, adesão e oportunidades de otimização.
Isso importa porque alguns sintomas não chegam com a etiqueta “efeito medicamentoso”.
Tontura, sonolência, redução do apetite, quedas ou alteração cognitiva podem ter várias explicações. Medicamentos e suas combinações precisam estar entre as hipóteses, sem atribuir automaticamente o sintoma a eles e sem colocar tudo na conta da idade ou do câncer.
E simplificar, quando indicado, não significa fazer uma limpeza indiscriminada da prescrição.
Significa entender por que cada medicamento está ali, que benefício ainda oferece, quais riscos traz e se continua coerente com os objetivos de cuidado daquela pessoa.
No seu serviço, qual frase costuma ser o primeiro sinal de que a lista de medicamentos ainda vai render uma boa investigação?