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Onutrijonatas Faça as pazes com a sua alimentação. Mestre e Doutorando pela USP.

Em algum momento, você começou acreditando que agora ia dar certo. Que dessa vez você seria mais forte, mais focado, mai...
13/04/2026

Em algum momento, você começou acreditando que agora ia dar certo. Que dessa vez você seria mais forte, mais focado, mais disciplinado. E, por alguns dias ou semanas, até funcionou. Mas o problema nunca foi começar, sempre foi sustentar.

Existe um limite para viver em constante restrição. Quando você tenta controlar demais a alimentação, o corpo e a mente começam a reagir. Não como um inimigo, mas como uma forma de proteção.

E é aí que muita gente se perde. Porque, ao invés de questionar o processo, passa a questionar a si mesmo. Com o tempo, você começa a desconfiar das próprias escolhas, perde a confiança no seu corpo e entra em um ciclo onde comer deixa de ser simples. Tudo vira decisão, cálculo, dúvida.

A verdade é que uma relação saudável com a comida não nasce da perfeição, nasce da construção. De entender seus padrões, sua história, suas respostas emocionais e, principalmente, de aprender a se escutar de novo.

Você não precisa enfrentar isso sozinho!

A forma como você se relaciona com a comida não começou agora.Ela começou lá atrás, muitas vezes ainda na infância, em p...
08/04/2026

A forma como você se relaciona com a comida não começou agora.

Ela começou lá atrás, muitas vezes ainda na infância, em pequenas situações que pareciam simples, mas que foram moldando esse comportamento ao longo do tempo.

Pode ter sido quando você foi incentivado a limpar o prato, quando ouviu que não podia desperdiçar comida, quando aprendeu que doce era recompensa ou que certos alimentos eram “errados”. Aos poucos, isso vai desconectando você dos seus próprios sinais.

E com o tempo, muita gente passa a comer por regra, por hábito ou por emoção, e não mais por fome. Quando existe um transtorno alimentar, isso se torna ainda mais intenso, porque não é só sobre o que você come, é sobre toda a história que você construiu com a comida.

Viver em dieta por muito tempo muda mais do que o corpo, muda a forma como você se enxerga e como se relaciona com a com...
06/04/2026

Viver em dieta por muito tempo muda mais do que o corpo, muda a forma como você se enxerga e como se relaciona com a comida.

Aos poucos, o ato de comer deixa de ser algo natural e passa a ser acompanhado de regras, dúvidas e uma sensação constante de vigilância.

Cansa tentar acertar sempre. Cansa recomeçar toda segunda-feira. Cansa sentir que, independentemente do esforço, você nunca chega em um lugar de paz com a alimentação.

Muitas pessoas que vivem esse ciclo não percebem o quanto foram se afastando dos próprios sinais do corpo. Fome, saciedade, vontade de comer… tudo isso vai f**ando confuso, porque por muito tempo alguém disse o que, quanto e quando você deveria comer.

Se você sente que já tentou de tudo e continua no mesmo lugar, talvez não seja mais sobre tentar de novo. Talvez seja sobre fazer diferente.

Nem toda fome vem do corpo, e esse é um dos pontos mais difíceis de perceber no dia a dia.Muitas vezes ela parece real, ...
01/04/2026

Nem toda fome vem do corpo, e esse é um dos pontos mais difíceis de perceber no dia a dia.

Muitas vezes ela parece real, vem com urgência, com vontade específ**a, com aquela sensação de que você precisa comer algo naquele momento. Mas, quando a gente olha com mais atenção, existe quase sempre um contexto por trás disso. Um dia mais pesado, uma conversa que mexeu com você, cansaço acumulado, ansiedade que você nem conseguiu nomear.

Nesses momentos, a comida aparece como uma forma de aliviar. E isso não é falta de controle, é um comportamento aprendido que, em algum momento, funcionou para você. O problema não está em comer por emoção, mas em depender disso como única forma de lidar com o que sente. Com o tempo, isso vira um padrão automático. Você deixa de perceber a emoção e passa a perceber só a vontade de comer. Depois vem a culpa, a tentativa de compensar, o esforço para voltar ao controle, e o ciclo continua se repetindo.

Você não precisa enfrentar isso sozinho!

Muita gente chega até mim achando que precisa de mais controle, mais disciplina e mais restrição.Mas, na prática, é just...
30/03/2026

Muita gente chega até mim achando que precisa de mais controle, mais disciplina e mais restrição.

Mas, na prática, é justamente esse excesso que costuma piorar a relação com a comida.

Dietas muito rígidas até funcionam no começo, mas não se sustentam. Com o tempo, o corpo reage, a vontade por comida aumenta e o ciclo de restrição, descontrole e culpa se repete.

Uma relação mais saudável com a alimentação não é sobre acertar sempre. É sobre aprender a comer com mais consciência, flexibilidade e respeito pelo próprio corpo.

Esses “nãos” não são limitações. São uma forma de interromper ciclos que prejudicam sua relação com a comida.

Se você se sente preso entre dietas, culpa e frustração, talvez seja o momento de olhar para isso com mais cuidado. Fale comigo!

Durante muito tempo, emagrecer foi associado a sofrimento.A ideia de que é preciso passar fome, se privar e lutar contra...
27/03/2026

Durante muito tempo, emagrecer foi associado a sofrimento.

A ideia de que é preciso passar fome, se privar e lutar contra o próprio corpo ainda está muito presente. E quando isso não funciona, o que muitas pessoas escutam ou pensam é que faltou disciplina.

Mas o que quase ninguém fala é sobre o quanto esse processo desgasta. Desgasta o corpo, a mente e, principalmente, a relação com a comida. Quando comer vira um campo de batalha, o corpo não responde com obediência. Ele responde com resistência. A fome aumenta, o pensamento em comida f**a mais frequente e o ciclo de restrição e culpa começa a se repetir.

Isso não é falta de força de vontade. Muitas vezes, é o corpo tentando se proteger de um padrão constante de escassez.

Na nutrição do comportamento, o caminho não começa no sofrimento. Começa na compreensão. Porque aprender a se alimentar melhor não deveria ser uma punição, e sim um processo possível, respeitoso e sustentável ao longo da vida.

Cinco fatos importantes sobre emoções e compulsão alimentar:1. A compulsão é uma resposta aprendida para lidar com emoçõ...
25/03/2026

Cinco fatos importantes sobre emoções e compulsão alimentar:

1. A compulsão é uma resposta aprendida para lidar com emoções intensas que não encontram outro caminho de saída.

2. Quando as emoções f**am desorganizadas, a comida vira um regulador rápido, porém caro, depois do alívio vem o prejuízo.

3. Pessoas com compulsão apresentam maior dificuldade em identif**ar, nomear e modular o que sentem. Isso cria um ciclo em que o corpo reage antes da mente entender.�

4. Estratégias baseadas em habilidades funcionam melhor do que “tentar controlar”. Habilidades de regulação emocional, tolerância ao desconforto e atenção plena realmente mudam o comportamento.�

5. Sem treinar novas respostas emocionais, a compulsão tende a voltar, mesmo com dieta, medicação ou perda de peso.

O que transforma é aprender a lidar com o que dispara a comida, seu problema não é a comida. Aprender todas estas cinco habilidades requer tempo, dedicação e orientação pautada nas suas demandas e história de vida. ��Você está pronto para mudar?

Muita gente começa a usar medicação achando que, finalmente, o problema foi resolvido. O apetite diminui, o peso começa ...
23/03/2026

Muita gente começa a usar medicação achando que, finalmente, o problema foi resolvido. O apetite diminui, o peso começa a cair e, pela primeira vez em muito tempo, existe uma sensação de controle.
Mas aqui vai um ponto importante que quase ninguém fala: emagrecer não signif**a, automaticamente, aprender a se relacionar melhor com a comida.
A medicação muda sinais do corpo. Ela interfere na fome, na saciedade, na recompensa. Mas ela não apaga a história que você construiu com a comida ao longo da vida.
Quando você faz uma escolha alimentar, ela não nasce só do prato. Ela nasce do seu estado emocional naquele dia. Do tempo que você passou sem comer. Da forma como foi a última refeição. Da expectativa que você criou sobre “o que pode” e “o que não pode”.
E quando essas escolhas são feitas no automático, mesmo com a medicação funcionando, o risco é grande.
O trabalho que eu faço não é contra a medicação. Ele caminha junto. Para que, quando o remédio não estiver mais ali, você não se sinta perdido outra vez.
Porque o objetivo nunca foi só emagrecer. É construir uma relação com a comida que não dependa de controle extremo, culpa ou medo.
E isso, sim, muda tudo.

Neste estudo que publiquei recentemente comparei os desejos por comida em pessoas com histórico autorreferido de anorexi...
16/03/2026

Neste estudo que publiquei recentemente comparei os desejos por comida em pessoas com histórico autorreferido de anorexia nervosa e de compulsão alimentar, buscando compreender como esses desejos se mantêm ou se transformam ao longo do tempo, mesmo após a redução de sintomas clínicos.

Os resultados mostram que indivíduos com histórico de compulsão alimentar apresentaram níveis mais elevados de desejos por comida, especialmente associados à antecipação de alívio emocional, recompensa e sensação de perda de controle, elementos que aparecem de forma consistente na literatura como marcadores do comer emocional.

Os dados indicam que, nesse grupo, o desejo por comida não se restringe a sinais fisiológicos de fome, mas se organiza como uma resposta aprendida diante de estados emocionais, estresse e desconforto psicológico. A comida passa a funcionar como uma estratégia regulatória, construída ao longo da experiência repetida de usar o comer para lidar com emoções negativas, tensão interna e afetos difíceis. Esse padrão se mantém mesmo quando episódios de compulsão são reduzidos, sugerindo que o desejo elevado reflete um aprendizado comportamental e emocional, e não apenas a presença atual do transtorno.

Em contraste, pessoas com histórico de anorexia nervosa apresentaram níveis mais baixos de desejos por comida, com menor envolvimento emocional e menor sensação de perda de controle, mesmo após a remissão de sintomas. Isso reforça a ideia de que diferentes trajetórias alimentares produzem formas distintas de relação com o desejo, com implicações diretas para a compreensão clínica do comer emocional.

Assim, desejos elevados em indivíduos com histórico de compulsão alimentar sinalizam a persistência de padrões aprendidos de regulação emocional via comida, apontando para a importância de intervenções que considerem não apenas o comportamento alimentar em si, mas os processos emocionais e cognitivos que sustentam essa relação ao longo do tempo.

Mudar não é só sobre tomar uma decisão racional. É um processo que envolve emoções, medos e tentativas frustradas. Muito...
09/03/2026

Mudar não é só sobre tomar uma decisão racional. É um processo que envolve emoções, medos e tentativas frustradas. Muitos pacientes chegam até mim carregando o peso de já terem tentado de tudo e mesmo assim, se sentirem falhando.

A verdade é que a mudança real exige mais do que força de vontade. Ela pede consciência. Pede que a gente encare de frente os gatilhos, os padrões e as dores que sustentam os comportamentos que nos fazem mal.

Não é o remédio que muda sua vida sozinho. Não é a dieta perfeita. É a forma como você lida com suas escolhas, com seu corpo, com a sua história. E isso envolve testar, errar, ajustar… com menos culpa e mais clareza.

Se você está nesse caminho, saiba que isso já é coragem. Você não precisa estar pronto, só precisa estar comprometido em continuar. E se for pra caminhar, que seja com mais leveza, mais presença e menos julgamento.

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