12/05/2016
Quando a calcinha entra no cu, o incômodo de algo alojado onde não deveria estar desconcerta, irrita, tensiona. A impotência de ter sido traído pelo tecido que te envolta e te protege! Do passo, conscientemente escolhido, aparentemente seguro, positivo, construtivo em direção ao futuro, ao enrugar da seda para dentro das rugas, que segundo desgraçado na história do andar! De repente o corpo cede ao que a tortura da dor te obriga a fazer: os dedos puxam o algodão. Falham, já que a pressão social te condena por lutar contra aquele que te abriga dos males do mundo. Uma segunda tentativa, quem sabe alguns não olhem e os que olhem se identifiquem. Vitória. O buraco está livre, sem a dor e o sufocar de um pano traidor. Aquele agora pode se configurar como quiser ser. Outro passo positivo e... Cu! O tecido entra lá. Ele... Ele sempre estará lá!
O caminhar se torna longo, o incômodo se transforma em tortura, e da tortura seu corpo já se acostuma com a nova sensação derrotada de andar.
Ao olhar ao redor, conformados são os rostos de quem anda. Ninguém mais corre. A calcinha no cu transforma tudo em monotonia, até a marcha dos pés humanos que tocam o chão, leves, silenciosos, iguais.
Não pense que os usuários de cuecas não têm seus â**s invadidos pelo algodão. Mas lembre que existe a fio dental, aquela que se aloja no mais fundo da escuridão, onde os dedos raramente conseguem chegar.
Ora, a conquista da calcinha foi uma luta! Anos de história e batalha para que fosse possível que se chegasse até aqui. Portanto, sorria! Não conteste os experientes, vividos, cujos orifícios anais peregrinaram por tanto mais tempo e que sabem tanto mais sobre calcinhas.
Ao chegar em casa, a ideia de que era possível tirar a roupa debaixo é esquecida. A viagem até ali, na verdade, não começou com o primeiro passo do dia, veio do primeiro passo da vida. Usa-se calcinha antes mesmo de se saber andar! O cu nasce condenado a uma vida sufocada por Ela.
Estranhas são as crianças que as tiram, os artistas que andam sem, os depravados que trepam nus, os pensadores que as questionam, os g**s que dão o cu!
Ainda em casa, deita-se pelo cansaço. Dorme-se bem. Ninguém vê que as mãos tiram o tecido da bunda debaixo das cobertas. Sabe-se que, ao acordar, aquela gaveta estará esperando para que seja aberta, mas antes... Sonha-se:
Ah, que cu teríamos se queimássemos as calcinhas...