CardioEsporte Dr. Filippo Savioli

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O que significa realmente "bater no muro" numa maratona?Durante décadas, o "muro" foi explicado principalmente como cons...
01/09/2026

O que significa realmente "bater no muro" numa maratona?

Durante décadas, o "muro" foi explicado principalmente como consequência do esgotamento do glicogênio. A revisão integrativa de 2026 mostra que isso é parte da história — não toda ela.

O QUE MUDA QUILÔMETRO A QUILÔMETRO
À medida que a prova avança, a disponibilidade de carboidrato diminui enquanto aumentam:
→ Estresse termorregulatório
→ Desidratação
→ Disfunção gastrointestinal
→ Fadiga neuromuscular
→ Deterioração biomecânica
→ Esforço percebido (RPE)

Essa carga acumulada pode comprometer a regulação do ritmo e reduzir progressivamente a capacidade de manter a função e o ritmo objetivo. A zona crítica costuma ficar entre os km 30 e 35.

DURABILIDADE: O CONCEITO CENTRAL
Durabilidade é a capacidade de preservar as características fisiológicas e o rendimento durante exercício prolongado, apesar da fadiga e do estresse acumulados. Não é VO₂max nem limiar: é quanto do seu motor você ainda tem no km 35.

A CADEIA DO COLAPSO
1. Diminuição da durabilidade — menor capacidade de sustentar função e ritmo
2. Bater no muro — perda abrupta de ritmo, aumento do RPE, desgaste global
3. Colapso tardio de rendimento — impacto no tempo final e na capacidade funcional

Portanto, "bater no muro" não seria simplesmente ficar sem energia, e sim a manifestação de uma redução da durabilidade e de uma alteração psicofisiológica quando a carga acumulada supera a capacidade do atleta de sustentar o ritmo.

O QUE ISSO MUDA NA SUA PREPARAÇÃO
Você precisa preparar o treino (sessões longas em fadiga), a alimentação, a hidratação, treinar o sistema digestivo para ingerir em ritmo de prova e se preparar frente ao clima.

Conteúdo informativo. Treino e nutrição devem ser individualizados.

Referência: Grivas GV, Alkasasbeh WJ, Amawi AT. Hitting the Wall in Marathon Running: An Integrative Psychophysiological and Durability-Based Review. J Funct Morphol Kinesiol. 2026;11(3):291. DOI: 10.3390/jfmk11030291

Salve este post e mande para quem vai correr uma maratona.

01/09/2026

Colesterol alto pode ter uma causa que ninguém investiga: a tireoide 🦋 Hipotireoidismo é comum e está diretamente ligado a colesterol elevado. O teste simples que confirma isso é o TSH. Já pediram o seu?

Um novo suplemento muito falado em longevidade. Pode aumentar o VO₂max. E foi cogitado estar sendo usado por algumas equ...
31/08/2026

Um novo suplemento muito falado em longevidade. Pode aumentar o VO₂max. E foi cogitado estar sendo usado por algumas equipes no Tour de France. Urolitina A: o que a ciência realmente mostra.

ORIGEM NATURAL
A urolitina A (UA) é um metabólito que sua microbiota intestinal produz a partir de romã, amora, framboesa, morango e nozes. Só 30–40% da população produz UA endógena o suficiente — depende das bactérias que você tem no intestino. Daí saiu a ideia de um suplemento que entregasse isso pronto.

O MECANISMO
UA ativa a mitofagia — reciclagem de mitocôndrias disfuncionais — e estimula a biogênese de mitocôndrias novas.
Resultado bioquímico: melhor capacidade respiratória celular e menos inflamação sistêmica (PCR baixa).
(Ryu D. et al., Nature Medicine 2016 · Andreux P.A. et al., Nature Metabolism 2019)

O QUE OS ESTUDOS MOSTRAM
Corredores de elite (4 semanas, altitude): VO₂max +5,4%, menos dano muscular e menor esforço percebido. Apesar disso, não houve melhora no teste de 3 km. Existem também trabalhos com atletas de futebol mostrando melhora em te**es de campo, e trabalhos com ganho de força especialmente em idosos.
(Whitfield J. et al. 2025 · Monsalve Acevedo S. et al. 2025 · Zhao H. et al. 2024)

CAPACIDADE NÃO VIRA TEMPO AUTOMATICAMENTE
Por quê?
• 4 semanas pode ser tempo curto
• Elite tem menos "espaço" pra melhorar
• VO₂max é capacidade. Performance é outra coisa.
• O ganho pode estar em recuperação — o que faz mais sentido em período intenso de treinamento ou em provas multietapas como o Tour de France
(Whitfield J. et al. 2025 — 42 corredores competitivos, 1 g/dia por 4 semanas em altitude)

FORA DO ESPORTE DE ELITE, os dados são mais consistentes em:
✅ Adultos de meia-idade e idosos
✅ Manutenção de força e endurance muscular
✅ Marcadores mitocondriais e inflamatórios

CAUTELAS IMPORTANTES
⚠️ Estudos ainda poucos e pequenos
⚠️ Evidência em atletas ainda é inicial
⚠️ Não é tratamento comprovado para sarcopenia

31/08/2026

Suas artérias respondem ao seu estilo de vida muito antes de aparecer qualquer sintoma 🫀 Exercício aeróbico e treino de força ajudam a proteger contra a aterosclerose, mas genética e outros fatores também importam.

Exercício aeróbico aumenta a neuroplasticidade e religa o cérebro para melhor memória, foco e aprendizado. E mulheres pa...
30/08/2026

Exercício aeróbico aumenta a neuroplasticidade e religa o cérebro para melhor memória, foco e aprendizado. E mulheres parecem ganhar mais.

Neuroplasticidade é a capacidade do seu cérebro de se reorganizar, fortalecer conexões e se adaptar. É assim que você continua aprendendo, lembrando e desempenhando conforme envelhece.

Uma revisão sistemática de 2024 encontrou que o exercício aeróbico melhora a neuroplasticidade e dá suporte a:
→ Memória
→ Atenção
→ Aprendizado
→ Foco
→ Função executiva
(PMID: 38476815)

O mecanismo
O exercício aeróbico aumenta o BDNF, proteína que ajuda células cerebrais a crescer, sobreviver e formar conexões mais fortes. A pesquisa sugere que a resposta de BDNF pode ser maior em mulheres do que em homens.

Mesmo um único treino aeróbico pode mudar a comunicação entre células cerebrais e melhorar a função executiva. O exercício regular também produz mudanças de longo prazo na estrutura e na função do cérebro.

Isso melhora as habilidades que você usa todos os dias:
• Manter o foco
• Lembrar informações
• Aprender coisas novas
• Tomar decisões
• Alternar entre tarefas
• Pensar com clareza sob pressão

Sobre intensidade: a revisão encontrou benefícios em diferentes intensidades, com o exercício de maior intensidade frequentemente produzindo mudanças mais fortes no cérebro. Caminhada rápida, corrida, ciclismo e outras atividades que elevem a frequência cardíaca contam.

Na prática: construa base com volume aeróbico regular e acrescente blocos de maior intensidade conforme a tolerância. Progressão individualizada — conteúdo informativo, não substitui avaliação médica.

Salve este post e mande para quem treina só pelo corpo.

Quando foi a última vez que alguém mediu a sua força muscular?Medimos pressão arterial, frequência cardíaca, saturação e...
29/08/2026

Quando foi a última vez que alguém mediu a sua força muscular?

Medimos pressão arterial, frequência cardíaca, saturação e glicemia de rotina. Força muscular, quase nunca. E ela carrega informação clínica que o peso e o IMC não explicam sozinhos.

O que a evidência diz
→ O consenso EWGSOP2 propõe usar a força muscular como critério inicial para identificar sarcopenia provável
→ Pontos de corte de força de preensão:

Seu perfil lipídico provavelmente está incompleto. Faltam ApoB e Lp(a).O LDL-C mede quanto colesterol está dentro das pa...
28/08/2026

Seu perfil lipídico provavelmente está incompleto. Faltam ApoB e Lp(a).

O LDL-C mede quanto colesterol está dentro das partículas. Não mede quantas partículas existem. E é a partícula que penetra a parede arterial.

ApoB — quantas partículas podem formar placa?
→ Cada partícula aterogênica carrega uma única molécula de ApoB
→ Entram na conta: LDL, VLDL, IDL, remanescentes e Lp(a)
→ Duas pessoas podem ter exatamente o mesmo LDL-C, mas uma delas ter muito mais partículas aterogênicas — e mais risco

Lp(a) — a doença cardiovascular vem nos seus genes?
→ 70-90% da concentração é determinada geneticamente
→ É fator causal de aterosclerose e de estenose valvar aórtica
→ Recomenda-se medir ao menos uma vez na vida em todos os adultos
→ Valor estável ao longo da vida: uma medida basta para reclassificar risco

ApoA-1 — o lado protetor do perfil lipídico
→ É a principal proteína do HDL
→ Função: retirar colesterol da parede arterial e levá-lo ao fígado
→ ApoA-1 mais alta se associa a menor risco cardiovascular em estudos populacionais
→ ApoA-1 mais baixa é marcador de maior risco

Lendo os três juntos: ApoB é a carga aterogênica, Lp(a) é o componente genético e causal, ApoA-1 é a capacidade de remoção. A razão ApoB/ApoA-1 resume esse equilíbrio.

Nenhum marcador isolado define conduta. Eles refinam a estratificação de risco e devem ser interpretados com seu médico, no contexto do risco cardiovascular global.

Salve este post e mande para quem só olha o LDL do exame.

28/08/2026

Precisamos parar de glorificar a dieta extrema 👏 Confundir obsessão com disciplina só tem feito mal pra muita gente. Fazer dieta não é o problema, o problema é quando isso vira regra rígida que causa ansiedade e culpa. Salva esse post e compartilha com quem precisa ouvir isso ❤️‍🩹

Este post é apenas educacional. Se você ou alguém que você conhece está enfrentando um transtorno alimentar, procure ajuda de um profissional de saúde qualificado.

Sobre Longevidade...
27/08/2026

Sobre Longevidade...

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