01/09/2026
O que significa realmente "bater no muro" numa maratona?
Durante décadas, o "muro" foi explicado principalmente como consequência do esgotamento do glicogênio. A revisão integrativa de 2026 mostra que isso é parte da história — não toda ela.
O QUE MUDA QUILÔMETRO A QUILÔMETRO
À medida que a prova avança, a disponibilidade de carboidrato diminui enquanto aumentam:
→ Estresse termorregulatório
→ Desidratação
→ Disfunção gastrointestinal
→ Fadiga neuromuscular
→ Deterioração biomecânica
→ Esforço percebido (RPE)
Essa carga acumulada pode comprometer a regulação do ritmo e reduzir progressivamente a capacidade de manter a função e o ritmo objetivo. A zona crítica costuma ficar entre os km 30 e 35.
DURABILIDADE: O CONCEITO CENTRAL
Durabilidade é a capacidade de preservar as características fisiológicas e o rendimento durante exercício prolongado, apesar da fadiga e do estresse acumulados. Não é VO₂max nem limiar: é quanto do seu motor você ainda tem no km 35.
A CADEIA DO COLAPSO
1. Diminuição da durabilidade — menor capacidade de sustentar função e ritmo
2. Bater no muro — perda abrupta de ritmo, aumento do RPE, desgaste global
3. Colapso tardio de rendimento — impacto no tempo final e na capacidade funcional
Portanto, "bater no muro" não seria simplesmente ficar sem energia, e sim a manifestação de uma redução da durabilidade e de uma alteração psicofisiológica quando a carga acumulada supera a capacidade do atleta de sustentar o ritmo.
O QUE ISSO MUDA NA SUA PREPARAÇÃO
Você precisa preparar o treino (sessões longas em fadiga), a alimentação, a hidratação, treinar o sistema digestivo para ingerir em ritmo de prova e se preparar frente ao clima.
Conteúdo informativo. Treino e nutrição devem ser individualizados.
Referência: Grivas GV, Alkasasbeh WJ, Amawi AT. Hitting the Wall in Marathon Running: An Integrative Psychophysiological and Durability-Based Review. J Funct Morphol Kinesiol. 2026;11(3):291. DOI: 10.3390/jfmk11030291
Salve este post e mande para quem vai correr uma maratona.