08/08/2026
Já pensou que a menopausa não esteja tirando quem você era, mas revelando quem você já não consegue mais fingir ser?
Há uma narrativa cruel sobre o envelhecimento feminino. Como se a mulher chegasse à menopausa perdendo alguma coisa: juventude, beleza, fertilidade, desejo, importância.
Mas existe outra maneira de olhar para essa travessia.
O corpo muda, sim. E essas mudanças são reais, biológicas e, para algumas mulheres, bastante difíceis. Não precisamos romantizá-las.
Mas existe também uma experiência psíquica acontecendo. Muitas mulheres chegam à meia-idade percebendo que já não conseguem sustentar determinadas personagens.
Já não querem agradar a qualquer preço. Já não suportam relações mantidas apenas por obrigação.
Já não têm a mesma disposição para engolir o que pensam, sentem ou desejam.
Na perspectiva junguiana, a segunda metade da vida pode trazer justamente esse movimento: a energia que durante muitos anos esteve voltada para adaptação ao mundo começa a se voltar para dentro.
E surge uma pergunta muito diferente daquela da juventude. Não mais: “Quem esperam que eu seja?” Mas: “Quem eu sou agora?”
Uma das experiências mais profundas da menopausa está em perceber que existe vida depois dos papéis que acreditávamos precisar desempenhar.
Não necessariamente uma vida mais fácil. Mas agora uma vida muito mais autêntica.
Me conta: O que você percebe que já não consegue mais sustentar depois dos 40?
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