18/05/2026
Um relato humano e sincero de uma paciente muito querida para trazer para nós, que cuidamos, uma reflexão importante.
Existem feridas que não aparecem nos exames.
Algumas nascem na forma como o paciente é recebido. No ambiente que assusta, nas conversas que atravessam as divisarias dos leitos de quem ainda está tentando entender o próprio diagnóstico. Na falta de privacidade. No cuidado automático, padronizado e impessoal.
Esse relato me atravessou profundamente porque ele expõe algo que, muitas vezes, passa despercebido dentro da rotina dos serviços: tratar a doença não significa, necessariamente, cuidar da pessoa.
E quando falamos em cuidado oncológico, isso importa muito.
Cada paciente chega com medos, histórias, vulnerabilidades e limites completamente diferentes. O que para um pode soar como “rotina”, para outro pode ser devastador emocionalmente.
Nenhum paciente deveria precisar adoecer emocionalmente enquanto tenta sobreviver fisicamente.
O acompanhante também precisa ser visto. A escuta precisa existir. A individualidade precisa ser respeitada. E a dignidade nunca deveria ser considerada um “extra” no tratamento.
Humanizar o cuidado não é detalhe.
É parte necessário da jornada.
Com carinho,
Simone Kikuchi 🌷