18/08/2026
O excesso de peso e desnutrição podem coexistir. O desafio é não deixar que o peso dificulte a identificação do risco nutricional.
Este estudo multicêntrico, com 2.128 pacientes idosos com câncer em 50 hospitais do Brasil e Portugal, mostra algo muito relevante para a prática: a forma como avaliamos importa.
Ao incorporar ao MNA-SF a circunferência da panturrilha com pontos de corte específicos por s**o e ajustados pelo IMC, a prevalência de desnutrição identificada aumentou de 29% para 47,5% na amostra total. Entre aqueles com excesso de peso, chegou a 32,4% com a abordagem ajustada.
Mas é importante interpretar esses dados com cuidado. O estudo não demonstra que essa abordagem seja superior para predizer mortalidade, já que as diferentes versões apresentaram capacidade discriminatória semelhante na amostra total. E os próprios autores reforçam a necessidade de validação prospectiva e comparação com métodos diagnósticos estabelecidos, como o GLIM.
Ainda assim, é uma publicação que contribui muito para a prática clínica: questiona o quanto podemos deixar de identificar quando usamos ferramentas que não consideram adequadamente a composição corporal e o excesso de adiposidade.
Em oncologia, especialmente no paciente idoso, é necessário olhar para o peso, mas deixar de ver o restante.
Parabéns aos autores pela publicação. ❤️
Com carinho,
Simone Kikuchi
CRN3 19854