07/04/2026
Fadiga persistente após o tratamento do câncer de mama é um fenômeno frequente e ainda subvalorizado no seguimento clínico.
Diferente do cansaço habitual, trata-se de uma condição multifatorial, com base biológica bem estabelecida. Evidências apontam para a manutenção de um estado inflamatório de baixo grau, com liberação de citocinas pró-inflamatórias e impacto direto no metabolismo energético.
Além disso, alterações neuroendócrinas — especialmente envolvendo o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal — e efeitos prolongados de terapias hormonais contribuem para disfunção na resposta ao estresse e sensação persistente de exaustão.
Outro componente relevante é o descondicionamento físico, associado à perda de massa magra e redução da capacidade funcional, perpetuando um ciclo de fadiga e inatividade.
Fatores psicocomportamentais, como distúrbios do sono, ansiedade e depressão, frequentemente coexistem e atuam como moduladores do sintoma, mas não explicam isoladamente o quadro.
Na prática, isso reforça que a fadiga pós-câncer não deve ser interpretada como sintoma inespecífico ou exclusivamente subjetivo.
Trata-se de uma manifestação clínica complexa, que exige abordagem estruturada no seguimento dessas pacientes.