Marcela Salim Kotait - Nutrição

Ligar Como chegar

Marcela Salim Kotait - Nutrição Página da Nutricionista Marcela Salim Kotait, coordenadora da equipe de Nutrição do ambulatório de Anorexia Nervosa do AMBULIM HC FMUSP.

A proteína virou protagonista e está nos iogurtes, nas barras, nas sobremesas, nas bebidas e até em alimentos que nunca ...
14/10/2026

A proteína virou protagonista e está nos iogurtes, nas barras, nas sobremesas, nas bebidas e até em alimentos que nunca precisaram desse apelo para serem consumidos.

O problema não é a proteína, que é um nutriente essencial, nem o uso de suplementos quando fazem sentido. É a ideia de que precisamos otimizar cada escolha alimentar, como se comer bem significasse atingir metas nutricionais o tempo todo.

Quando passamos a escolher os alimentos principalmente pelos números do rótulo, corremos o risco de perder de vista o conjunto da alimentação e de transformar algo cotidiano em mais uma tarefa a cumprir. Para algumas pessoas, essa preocupação pode se tornar rígida, gerar culpa e alimentar uma relação desgastante com a comida.

Nem todo mundo precisa suplementar, nem todo alimento precisa ser enriquecido e uma alimentação adequada não se resume à soma de nutrientes.
Comer também é prazer, cultura, convivência e cuidado. A comida não precisa ser uma performance.

Você também percebe essa obsessão por proteína no seu dia a dia?

O voto feminino não foi uma concessão. Foi uma conquista política, resultado de uma luta por direitos que não eram recon...
13/10/2026

O voto feminino não foi uma concessão. Foi uma conquista política, resultado de uma luta por direitos que não eram reconhecidos às mulheres. Talvez seja importante lembrar disso em um momento em que o feminismo volta a ser tratado por tantas pessoas como exagero, radicalismo e uma pauta ultrapassada.

A luta por autonomia, porém, não termina com o reconhecimento de direitos formais. Ela também passa pelas expectativas sociais que determinam como uma mulher deveria parecer, quanto deveria pesar e o que deveria ou não comer.

Comer é um ato político. Inclusive quando pensamos em uma sociedade que transforma a alimentação em instrumento de disciplina, classifica corpos como aceitáveis ou inaceitáveis e atribui valor moral às escolhas alimentares. Respeitar o próprio corpo é um ato político quando significa questionar padrões que nos ensinam a viver em permanente insatisfação com nossa aparência. Decidir sobre o próprio corpo também é um ato político, porque autonomia não deveria depender da aprovação social nem da adequação a um ideal estético.

Não se trata de afirmar que toda escolha alimentar é uma declaração política ou que todo desejo de mudar o corpo representa submissão. Trata-se de reconhecer que nossas escolhas são feitas em um contexto social que influencia o que desejamos, o que tememos e a maneira como nos relacionamos com nós mesmas.

O feminismo não é uma pauta ultrapassada. A disputa pela autonomia das mulheres continua acontecendo, inclusive na relação que construímos com a comida e com nossos corpos.

Neste Dia das Crianças, vale pensar nas mensagens que transmitimos sobre corpos, alimentação e aparência, muitas vezes s...
12/10/2026

Neste Dia das Crianças, vale pensar nas mensagens que transmitimos sobre corpos, alimentação e aparência, muitas vezes sem perceber.

As crianças aprendem com o que ouvem em casa e com o que encontram nas redes sociais. Não precisam herdar nossas insatisfações com o corpo nem nossas dificuldades com a comida.

Precisam de espaço e respeito para conhecer os próprios corpos, reconhecer suas necessidades e construir suas relações com a alimentação sem tantos julgamentos.

Feliz dia das crianças! 🤸

Quando uma criança ganha peso, é compreensível que os pais se preocupem, mas a questão é o que fazemos com essa preocupa...
07/10/2026

Quando uma criança ganha peso, é compreensível que os pais se preocupem, mas a questão é o que fazemos com essa preocupação.

A resposta não deveria ser automaticamente colocar a criança em uma dieta, controlar cada alimento que ela come ou procurar uma solução rápida para fazê-la emagrecer.

As novas diretrizes da World Health Organization reforçam justamente a importância de um cuidado amplo na infância. Para crianças de 0 a 9 anos, a OMS não recomenda medicamentos para perda de peso (incluindo GLP1), cirurgia bariátrica ou dispositivos para emagrecimento.

Isso não significa ignorar a obesidade infantil. Significa olhar para a criança como um todo, considerando alimentação, movimento, sono, saúde mental, desenvolvimento e contexto familiar.

Também precisamos lembrar que o peso de uma criança não conta, sozinho, a história da saúde dela.
Cuidar não é fingir que nada está acontecendo. Mas também não é transformar o corpo da criança em um problema que precisa ser corrigido.

Talvez a pergunta mais importante seja menos “como faço meu filho emagrecer?” e mais “como posso cuidar da saúde dele sem ensiná-lo a ter medo do próprio corpo?”.

É uma escolha minha trabalhar com uma nutrição que não ensina mulheres a diminuírem a própria vida para caber em um corp...
06/10/2026

É uma escolha minha trabalhar com uma nutrição que não ensina mulheres a diminuírem a própria vida para caber em um corpo menor. É nisso que eu acredito e é assim que escolho trabalhar.

Nem todo comentário gordofóbico parece uma ofensa.Às vezes vem acompanhado de preocupação, elogio, cuidado ou até de uma...
05/10/2026

Nem todo comentário gordofóbico parece uma ofensa.
Às vezes vem acompanhado de preocupação, elogio, cuidado ou até de uma suposta intenção de ajudar.

Mas, quando a mensagem implícita é que um corpo seria mais bonito, mais saudável ou mais aceitável se fosse menor, ainda estamos falando de gordofobia.

O problema não está apenas nas palavras. Está na ideia que elas carregam: a de que emagrecer é sempre uma conquista e engordar, uma perda.

Por isso, talvez valha a pena pensar antes de comentar sobre o corpo de alguém. Nenhum corpo precisa ser avaliado, comparado ou corrigido.

Conquistamos espaços que antes nos eram negados, ampliamos nossa presença na política, na educação, no trabalho e em tan...
03/10/2026

Conquistamos espaços que antes nos eram negados, ampliamos nossa presença na política, na educação, no trabalho e em tantos outros lugares, mas, enquanto isso acontecia, também aprendíamos que havia um espaço que deveríamos ocupar cada vez menos, o nosso próprio corpo.

O voto feminino foi reconhecido no Brasil em 1932, uma conquista enorme na história dos direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, os ideais de feminilidade foram sendo associados à juventude, à beleza e à magreza, ensinando gerações de mulheres a medir, controlar e reduzir seus corpos.

Talvez essa seja uma das contradições que ainda carregamos. Podemos ocupar uma sala, uma universidade, um parlamento, uma posição de liderança, mas continuamos recebendo mensagens que nos dizem que um corpo que ocupa muito espaço é um problema.

Amanhã, quando formos às urnas, vale lembrar que ocupar espaço também é uma conquista. E que o nosso corpo não deveria ser o lugar onde aprendemos a diminuir aquilo que conquistamos no mundo.

Comer e, logo depois, pensar em como compensar o que comeu pode parecer apenas uma tentativa de “equilibrar as coisas”, ...
29/09/2026

Comer e, logo depois, pensar em como compensar o que comeu pode parecer apenas uma tentativa de “equilibrar as coisas”, mas, quando isso vira um padrão, a comida deixa de terminar quando a refeição termina. Ela continua na cabeça: quanto comi, se exagerei, o que vou cortar depois, quanto exercício preciso fazer, como vou “voltar para a linha”.

A questão não é nunca querer fazer escolhas diferentes depois de uma refeição. O problema é quando comer passa a exigir uma correção. Porque, nesse caso, a alimentação pode até parecer controlada por fora, mas continua ocupando um espaço enorme por dentro.

Comer não deveria criar uma dívida que você precisa pagar depois 💙

A compra de medicamentos pela internet não é novidade. A novidade é que medicamentos que necessitam de prescrição médica...
28/09/2026

A compra de medicamentos pela internet não é novidade. A novidade é que medicamentos que necessitam de prescrição médica, incluindo GLP-1, começam a chegar também aos grandes marketplaces. Mas, mais facilidade para comprar não significa menos necessidade de avaliação e acompanhamento.

Desde junho de 2025, a Anvisa exige retenção da receita para os agonistas de GLP-1 e reforça a importância do uso dentro das indicações aprovadas, com avaliação e acompanhamento adequados.

E existe uma questão que não pode ficar de fora em nenhum contexto: a avaliação de possíveis transtornos alimentares. Isso porque pessoas com obesidade também podem ter transtornos alimentares, e o peso, sozinho, não conta essa história.

Um consenso internacional publicado recentemente no World Psychiatry recomenda investigar transtornos alimentares atuais e prévios antes de iniciar um GLP-1 e monitorar sintomas durante o tratamento. Em transtornos alimentares ativos, especialmente anorexia nervosa, anorexia nervosa atípica e alguns casos de bulimia nervosa, os especialistas recomendam, em geral, evitar o uso.

Isso não significa que todo transtorno alimentar seja uma contraindicação absoluta. A decisão precisa considerar diagnóstico, sintomas, gravidade, estado nutricional e contexto clínico. Até porque ter uma receita não é difícil e, obviamente, jamais pode substituir uma boa avaliação.

Referências:
Anvisa. Medicamentos agonistas GLP-1 só poderão ser vendidos com retenção da receita. 2025.
Keshen A et al. World Psychiatry. 2026;25:465-474.

A compra de medicamentos pela internet não é novidade. A novidade é que medicamentos comprados apenas com prescrição méd...
27/09/2026

A compra de medicamentos pela internet não é novidade. A novidade é que medicamentos comprados apenas com prescrição médica, incluindo GLP-1, começam a chegar também aos grandes marketplaces. Mas, mais facilidade para comprar não significa menos necessidade de avaliação e acompanhamento.

Desde junho de 2025, a Anvisa exige retenção da receita para os agonistas de GLP-1 e reforça a importância do uso dentro das indicações aprovadas, com avaliação e acompanhamento adequados.

E existe uma questão que não pode ficar de fora: transtornos alimentares. Pessoas com obesidade também podem ter transtornos alimentares, e o peso, sozinho, não conta essa história.

Um consenso internacional publicado recentemente no World Psychiatry recomenda investigar transtornos alimentares atuais e prévios antes de iniciar um GLP-1 e monitorar sintomas durante o tratamento. Em transtornos alimentares ativos, especialmente anorexia nervosa, anorexia nervosa atípica e alguns casos de bulimia nervosa, os especialistas recomendam, em geral, evitar o uso.

Isso não significa que todo transtorno alimentar seja uma contraindicação absoluta. A decisão precisa considerar diagnóstico, sintomas, gravidade, estado nutricional e contexto clínico. Até porque sabemos que hoje em dia ter uma receita não é difícil e não substitui, de maneira alguma, uma boa avaliação.

Referências:
Anvisa. Medicamentos agonistas GLP-1 só poderão ser vendidos com retenção da receita. 2025.
Keshen A et al. World Psychiatry. 2026;25:465-474.

Endereço

Avenida Paulista, 91
São Paulo, SP
01311-000

Notificações

Seja o primeiro a saber: enviaremos um e-mail para você quando Marcela Salim Kotait - Nutrição publicar novidades e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado para nenhum outro fim, e você pode cancelar a inscrição a qualquer momento.

Atalhos

Compartilhar