23/08/2026
Foi uma grande satisfação participar, como palestrante, do 25º Congresso Paulista de Cirurgia, no Centro de Convenções Rebouças, integrando um painel dedicado às mulheres na cirurgia.
Tive a oportunidade de abordar um tema que merece atenção crescente: a ergonomia na prática cirúrgica e a prevenção das sobrecargas físicas, cognitivas e emocionais e dos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho.
A participação feminina na cirurgia vem aumentando de maneira expressiva. Essa mudança no perfil dos profissionais, entretanto, nem sempre é acompanhada pela necessária evolução dos ambientes, equipamentos e instrumentais utilizados na prática cirúrgica.
Historicamente, muitos desses recursos foram desenvolvidos considerando características antropométricas predominantemente masculinas. Diferenças relacionadas à estatura, tamanho das mãos, força de preensão e alcance funcional podem resultar em posturas desfavoráveis, maior esforço físico e aumento da sobrecarga musculoesquelética entre cirurgiãs.
Ao componente físico somam-se as elevadas demandas cognitivas e emocionais inerentes à prática cirúrgica, além de um ambiente profissional altamente exigente e competitivo.
Nesse contexto, discutir ergonomia vai muito além de discutir conforto.
Ergonomia é saúde ocupacional, prevenção de lesões, segurança, desempenho e longevidade profissional. Se as mulheres ocupam cada vez mais as salas cirúrgicas, precisamos também de ambientes, equipamentos e instrumentais pensados para a diversidade de quem está dentro delas.
A cirurgia mudou. O ambiente cirúrgico também precisa evoluir.
Muito feliz por contribuir para essa discussão tão necessária. Ramiro Colleoni
ColégioBrasileiroCirurgiõesSP CBCcirurgioes
ErgonomiaNaCirurgiae