28/08/2026
O lecanemabe é anticorpo monoclonal anti-amiloide aprovado em 2023 para tratar estágios iniciais da doença de Alzheimer com amiloide positivo. Estudo retrospectivo unicêntrico publicado na Neurology Open Access avaliou incidência de anormalidades de imagem relacionadas ao amiloide (ARIA), eventos adversos graves e desfechos cognitivos aos 12 meses em 230 pacientes tratados na Duke University entre 2023 e 2025.
A idade média foi 73,6 anos, 50,9% eram mulheres e 67,4% portadores do alelo APOE ε4. O seguimento médio foi de 396 dias. Quarenta e nove pacientes (21%) descontinuaram o tratamento. ARIA ocorreu em 24,3% dos casos, taxa marginalmente superior à do ensaio CLARITY-AD, provavelmente pela inclusão de siderose superficial e uso de sequências susceptibility-weighted imaging mais sensíveis. A ARIA com edema e com microhemorragia apresentaram pico de incidência ao redor da décima semana, com segundo pico de edema por volta da 25ª semana e maioria dos eventos moderados a graves entre 12 e 24 semanas. O risco de ARIA-edema foi maior em homozigotos ε4 (razão de chances 4,81) e sugerido no s**o masculino (razão de chances 2,40).
Ocorreram 72 eventos adversos clinicamente significativos, incluindo cinco óbitos (dois relacionados ao lecanemabe). A mudança cognitiva em 12 meses não diferiu significativamente entre pacientes com e sem ARIA, embora houvesse declínio significativo de 0,107 pontos por mês na Montreal Cognitive Assessment. A combinação
de idade, s**o, escolaridade, alelo ε4, relação p-tau181/Aβ42 e escore de Fazekas mostrou alta especificidade, mas baixa sensibilidade para prever ARIA.
Os achados apoiam a segurança e eficácia do lecanemabe na prática clínica, com necessidade de monitorização por ressonância até pelo menos 12 meses. Marcadores preditivos robustos de ARIA ainda são necessários.
Referência
LIU, A. J. et al. Clinical Practice Outcomes With Lecanemab for Alzheimer Disease. Neurology Open Access, v. 2, n. 3, e000121, 2026.