15/07/2020
Por um ano e meio, essa foi a vista do meu café da manhã.
Por um ano e meio, vivi o sonho da comunidade espiritual.
O sonho da perfeição do mestre.
O sonho da vida simples no campo.
O sonho do despertar.
Hoje, pela primeira vez desde que voltei, tive saudade.
Saudade de falar e ser entendida.
Saudade de não ter que me explicar de novo e de novo, até que a mais óbvia verdade fique tão desgastada que pareça mentira, pareça discutível, pareça questão de opinião.
Se tem uma coisa pela qual eu posso agradecer, é ter aprendido de cor a frase que vem a seguir, cujo conteúdo luto a cada dia pra não esquecer, especialmente quando sinto engrossar o véu da inconsciência:
“EU SOU RESPONSÁVEL PELO QUE VEJO. EU ESCOLHO OS SENTIMENTOS QUE EXPERIMENTO E EU DECIDO QUANTO À META QUE QUERO ALCANÇAR. E TODAS AS COISAS QUE PARECEM ME ACONTECER, EU AS PEÇO E AS RECEBO, CONFORME PEDI.” (UCEM - LT.21.II.2:3-5)
Não somos vítimas das circunstâncias, já que atraímos através da lei do Karma (ou da causa e efeito) tudo o que nos chega. Mas isso não nos torna culpados. Porém nos torna, sim, responsáveis.
E o grande desafio está em compreender, por mais paradoxal que seja, que na profunda ignorância a respeito da nossa verdadeira natureza, adormecidos sob a tirania do programa “ser humano”, somos todos inocentes.
E entre apegos, aversões e medos, buscando em objetos de experiência os alívios temporários para o nosso sofrimento existencial, erramos muito. Magoamos. Ofendemos. Manipulamos. Distorcemos.
Não é de se estranhar que em algum ponto de sua existência, você questione o sentido de tudo isso.
E sabe de uma coisa? A vida, do jeito que a conhecemos, na ignorante batida do automatismo, não tem mesmo sentido nenhum.
Porém, existe saída.
Mas - mais um paradoxo - ela está literalmente no último lugar aonde você irá buscar: Dentro.