Gefferson Eusébio - Terapeuta

Gefferson Eusébio - Terapeuta Atendimento clínico em Análise Bioenergética, treinamentos para desenvolvimento pessoal e profissional.

Você já chorou hoje?Eu já chorei hoje e devo chorar muito, pelos próximos dias e semanas. Não há motivos na vida atual p...
24/03/2020

Você já chorou hoje?

Eu já chorei hoje e devo chorar muito, pelos próximos dias e semanas. Não há motivos na vida atual para não chorar como dever nosso de auto cuidado e regulação da nossa sanidade.

O que aprendi nestes anos como terapeuta têm me ensinado sobre a honestidade dos sentimentos e sobre essa criança com emoção que a gente carrega dentro da gente.

A bem da verdade, o momento pelo qual passamos como humanidade e sociedade, nos faz chorar pelo que foi até aqui, para chegar nisso, e pelo que será daqui para frente, ao ver o que se avizinha para todos nós e, especialmente, os menos favorecidos.

Hoje é aniversário de Willhem Reich, 123 anos de seu nascimento. O cara que descobriu como a gente é capaz de se auto-regular e que toda a expressão de emoção pode levar-nos a uma libertação genuína de nossas travas emocionais, do que ele chamou de couraça emocional. Honro sua obra e jornada e me vejo, como acredito que ele também via (com muito mais maestria, claro), que somos organismos viventes e potentes e que nossa potência, como bem diz o nosso querido professor Paulo Albertini, é exacerbada através de encontros potentes.

Por hora, nossos encontros com nossos entes e amigos queridos, que tanto nos potencializa, não tem podido ocorrer e nos nutrir, talvez por isso eu chore. Como forma talvez de dor, de protesto e por que não de expressão genuína?

Mas, a partir desse choro que me regula, me reergo e volto ao campo da batalha da vida. Permitindo me autorregular pelo processo natural, que não deixo trancado em mim e, que no final das contas, me faz ter esperanças em continuar.

Então, se eu puder dizer algo para você: que você possa chorar sem culpa, pois o momento nos pede. Depois desse choro, o alívio virá e você, assim como eu, poderá retomar sua caminhada.

Estamos aqui e logo teremos nossos encontros, com todas as nossas possibilidades de potência.

Geralmente, a busca por terapia começa quando algo do que os terapeutas chamam de caráter ou personalidade (que começamo...
14/01/2020

Geralmente, a busca por terapia começa quando algo do que os terapeutas chamam de caráter ou personalidade (que começamos a formar desde cedo na vida), não dá mais conta de nos fazer seguir adiante, ao contrário, nos aprisiona.
O processo terapêutico nos mostra que é possível percebermos e inventarmos novas linguagens e possibilidades em nós mesmos. Nos traz a missão de assumirmos a responsabilidade pela nossa criança ferida.

Freud e Lacan charlatões e o porquê da ciência ter se tornado algo pouco relevante nos tempos de hoje, perdendo espaço p...
11/01/2020

Freud e Lacan charlatões e o porquê da ciência ter se tornado algo pouco relevante nos tempos de hoje, perdendo espaço para a religião

Nessa semana, duas coisas me chamaram a atenção, além do dia a dia do trabalho na comunicação e na clínica. Uma entrevista para a agência RFI, replicada no UOL, do professor emérito de psicologia Jacques Van Rillaer, da universidade de Louvain, na Bélgica, que acaba de lançar o livro "Freud & Lacan, des charlatans? Faits et legendes de la psychanalise" (Freud & Lacan eram charlatões? Fatos e lendas da psicanálise, em tradução livre). O outro foi uma postagem do professor da Universidade Federal de Brasília, Luiz Felipe Miguel, remetendo a um artigo na revista “Questão de Ciência”, com uma crítica acerca das práticas da Constelação Sistêmica, hoje muito disseminada em tratamentos coletivos e individuais.

Pois bem, não que os dois pontos de vista, bastante embasados e cientificamente pertinentes, sendo o primeiro uma crítica velha, mas reformulada, de que a psicanálise é algo que não levaria em conta as questões sociais e reduzisse a importância do meio, sendo um embrião do que o capitalismo neoliberal hoje se serve, da responsabilização única e exclusivamente do indivíduo por seus caminhos e escolhas.

Como psicoterapeuta e também jornalista, creio ser fundamental e é totalmente pertinente entender que o mundo em si e como ele se ambienta tem impacto direto na formação do indivíduo sim e, cada vez mais, tem sido responsável pela peste emocional e a falta de potência dos indivíduos, aprisionados em cada vez menos opções autônomas do viver. Mas daí, colocar a psicanálise como uma inimiga, e não como uma linha auxiliar da construção do indivíduo, é algo que me remete ao tal fogo amigo.

O entendimento psicanalítico de Freud e, mais tarde, Lacan, engloba a construção histórica humana, para além da filosofia e anterior a ciência tecnicista que conhecemos hoje, seja ela social ou propriamente científica. Não à toa, Freud foi responsável pelo resgate humano de obras e mitos da antiga Grécia para fundamentar suas bases vistas em clínica. Esse conhecimento fundado e coletivo descrito pelo pai da psicanálise foi trazido mais tarde por Jean-Jacques Lacan, que a redefiniu em outros termos, com base na estruturação da linguagem, refazendo a leitura do inconsciente a partir de elementos da antropologia e da linguagem.

Em termos gerais, são pontos de vistas abrangentes para entender a experiência humana, que colocam elementos filosóficos, clínicos e científicos a serviço desse ser humano que nos aparece à frente, para além de uma experiência fisiológica ou sociológica. Portanto, o destrato com os conhecimentos psicanalíticos por parte de alguns, apenas os aparta da complexidade do que é viver em cima da Terra.

Não à toa, é preciso lembrar que, antes da ciência, a filosofia e a literatura eram as bases para a interpretação humana. E o que se faz com o que se aprendeu com elas? Joga-se fora e tomemos uma nova fé cega na ciência? Por essa idolatria à ciência e sua exatidão e pretensão em querer explicar tudo o que é humano, é que muitos não mais estão levando-a em conta, tamanho o reducionismo com que olha uma vida humana.

Nesse mesmo sentido, a recente morte de Bert Hellinger, que trouxe, a partir de sua experiência com tribos originárias, principalmente da África, um conceito baseado na ancestralidade, com sua constelação sistêmica, foi alvo de artigo que o colocou como um ser machista e colocou seu método sob suspeita a partir de um olhar de hoje.

Como aprendi, todos somos vítimas de nossos tempos. Julgar Hellinger ou Freud com o olhar de hoje é desonesto e pouco empático, uma vez que há sempre um recorte histórico e ambiental a ser feito. Mas suas contribuições são vistas por quem realmente pratica suas técnicas em consultório ou por quem opta olhar a vida por esse prisma bem maior do que a religião ou essa ciência exata e estreita que virou religião.

Os tempos antagônicos nos tirou a possibilidade de uma construção própria do ser humano, onde ele deixa de ser o humano possível que ele deseja. Elisabeth Roudinesco, historiadora e psicanalista francesa nos fala da possibilidade aberta por Freud, de que ele possibilitou “sermos heróis de nós mesmos”. E é com base nessa experiência maior de ser humano, que pode ser uma coisa e outra, e não apenas uma coisa ou outra, que seria bacana acreditar e seguir.

Esse entendimento que não nos limita as possibilidades e que a psicanálise traz muito bem nomeada a partir de Lacan como “Desejo”.

Um dos segredos para uma análise possa se desenvolver é sua interpretação. Mas devemos ponderar, e muito, acerca da inte...
06/01/2020

Um dos segredos para uma análise possa se desenvolver é sua interpretação. Mas devemos ponderar, e muito, acerca da interpretação. Muitas lendas dizem respeito a uma repetição por vivência ou aprendizagem. Como se nós fôssemos condenados a repetir a partir de nossas vivências. Em verdade, como analisandos, nós agimos a partir de nossa interpretação de nossas próprias vivências. Essa é uma diferença fundamental. Boris Cyrulnik, em "O Murmúrio dos Fantasmas", aponta bem para a diferença que o terapeuta/analista deve fazer. Nem todos que chegam ao consultório com algum histórico de vida de maus tratos estão a repetir isso na vida. Mas há maior probabilidade de que haja maior incidência de uma interpretação negativa sobre a vida a partir do fato de terem sido mal tratados no passado.
É preciso olhar e critério, para entender que nossos pacientes não repetem, mas interpretam suas vivências. O segredo é o analista capturar e desvendar a linguagem posta dessa interpretação.

O transtorno borderline.
19/10/2019

O transtorno borderline.

Uma alegria contagiante pode se transformar em tristeza profunda em um piscar de olhos porque alguém "pisou na bola". O amor intenso vira ódio profundo, porque a atitude foi interpretada como traição; o sentimento sai de controle e se traduz em gritos,

Uma vida feita de utilidade e serventia é uma vida vaziaO endeusamento da tecnologia para além do domínio da técnica, na...
05/05/2019

Uma vida feita de utilidade e serventia é uma vida vazia

O endeusamento da tecnologia para além do domínio da técnica, na qual nos tornamos objetos humanos, tem ditado os rumos de como, cada vez mais, estamos nos portando perante à vida, em especial a vida profissional.

Momentos de reflexão e desafogo real de um cotidiano hiperativo têm feito cada vez menos parte do cotidiano das pessoas, em especial nas grandes cidades, na qual tudo tem sido regido em torno da utilidade das coisas e das próprias pessoas.

O título desse texto foi extraído de um artigo do professor e psicanalista Christian Dunker, feito para o Zero Hora, no qual ele traz à tona o papel da filosofia.

Digo que o grande debate em torno das ciências humanas, em especial a filosofia, é feito de um ponto de vista, no mínimo, utilitário, de uma visão totalmente enviesada de homens que se veem a si próprios e aos outros como objetos de algo maior que eles próprios, onde tudo no mundo tem de partir do ponto de vista de dominação de um lado e servilidade de outro.

A grande resposta é que, se hoje estamos aqui, exatamente nesse estágio da humanidade, é porque a filosofia teve a coragem de questionar as explicações puramente religiosas ou supersticiosas para os fenômenos da vida humana.

A filosofia é um grande perguntar, pois foi desta forma que surgiu, desde os primeiros registros acerca de Tales de Mileto. Fundante das linhas que geraram a ciência, a filosofia e os filósofos exerceram e exercem papéis fundamentais para que as perguntas nos levem cada vez mais longe, para que não nos conformemos com um mundo de respostas prontas, de obediência e de medo.

A filosofia deu autonomia para que o homem realmente venha a criar o mundo, desfazendo as trevas.

Como analista, na clínica à qual pratico e também como jornalista, o que observo é que somente as perguntas levam para frente tanto a análise quanto as histórias de pacientes e clientes.

As perguntas são capazes de transformar vidas de indivíduos e também de entes sociais, como empresas, e os levam a lugares do desejo próprio, diferentemente da falta de questionamento, que representa a inércia.

Filosofia é desejo e os desejos são perigosos em tempos de dominação de homens que temem seus próprios instintos por não terem coragem de conhece-los. Por isso, por cortarem seus próprios desejos, vivem essa vida vazia e frustrada, querendo nos obrigar a nos nivelarmos como eles, numa vida de serventia às crenças e superstições atuais.

04/01/2019

"...o sonho é, por assim dizer, o delírio fisiológico da pessoa normal." Sigmund Freud - O delírio e os sonhos na Gradiva.

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"Inclinada a todos os extremos, a massa também é excitada apenas por estímulos desmedidos. Quem quiser influir sobre ela, não necessita medir logicamente os argumentos; deve pintar com as imagens mais fortes, exagerar e sempre repetir a mesma coisa." - Freud em Psicologia das massas e análise do eu.

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