13/05/2026
O que mais me atravessa quando vejo certas falas sobre masculinidade é perceber o quanto muitos homens ainda confundem força com endurecimento emocional.
Como se sentir, escutar, revisar comportamentos ou reconhecer privilégios fosse uma ameaça à própria identidade masculina.
E talvez seja exatamente aí que mora o adoecimento.
Porque uma masculinidade que não consegue olhar para a dor da mulher sem se colocar imediatamente no centro… já diz muita coisa.
Uma masculinidade que transforma debate em defesa pessoal, dado em ataque e escuta em disputa… também.
Violência contra a mulher não é narrativa criada por movimentos feministas.
É realidade.
Está nos números, nas histórias, nos corpos, nos silêncios e nos medos que mulheres carregam diariamente.
Mas, para enxergar isso, é preciso sair do lugar confortável da própria experiência individual.
E esse talvez seja um dos maiores problemas atuais:
muita gente fala sobre temas profundos sem qualquer elaboração emocional, histórica ou social.
Opinião não substitui estudo. Vivência individual não apaga fenômeno coletivo.
Estamos vivendo uma crise enorme de maturidade emocional.
Homens que foram ensinados a não acessar fragilidade, não nomear sentimentos, não elaborar emoções… tentando discutir temas complexos a partir da defensiva.
E quando não existe consciência, sobra reação.
No final, não é sobre “cancelar homens”.É sobre questionar modelos masculinos que adoecem mulheres, relações e os próprios homens.
Porque masculinidade não deveria ser sobre poder.
Deveria ser sobre presença, responsabilidade emocional e consciência.