CENPI Centro Psiquiatrico Interdisciplinar

CENPI Centro Psiquiatrico Interdisciplinar O CENPI nasceu em 2005, da união de profissionais envolvidos com os cuidados em saúde mental de crianças, adolescentes e adultos.

Quando falamos em TDAH, ainda é comum que o foco fique restrito à desatenção, à impulsividade ou à agitação.Mas, na prát...
11/05/2026

Quando falamos em TDAH, ainda é comum que o foco fique restrito à desatenção, à impulsividade ou à agitação.
Mas, na prática clínica, observamos com frequência um aspecto que atravessa silenciosamente o funcionamento dessas pessoas: a oscilação emocional.
Não se trata de instabilidade no sentido clássico dos transtornos de humor, nem de “falta de controle” no sentido moral. Trata-se de um padrão de desregulação emocional associado a diferenças neurobiológicas e a dificuldades nas funções executivas, especialmente aquelas relacionadas à inibição e ao manejo de respostas internas.
Estudos recentes têm reforçado que a desregulação emocional é uma dimensão central do TDAH, com impacto significativo na qualidade de vida, nas relações interpessoais e na construção da autoestima, muitas vezes mais do que os sintomas clássicos.
Compreender esse funcionamento muda a forma como interpretamos comportamentos, ajustamos intervenções e, sobretudo, como acolhemos quem vive essa experiência.

Deslize para o lado para entender melhor.

regulacaoemocional

Neste Dia das Mães, propomos uma reflexão necessária: o que significa maternar quando o desenvolvimento do filho não seg...
10/05/2026

Neste Dia das Mães, propomos uma reflexão necessária: o que significa maternar quando o desenvolvimento do filho não segue o roteiro esperado?

A maternidade atípica envolve desafios que vão além do cuidado cotidiano. Estudos recentes em saúde mental indicam que mães de crianças com condições do neurodesenvolvimento ou necessidades especiais apresentam níveis mais elevados de estresse, sobrecarga emocional e risco para ansiedade e depressão. Isso acontece devido a intensidade e cronicidade das demandas envolvidas.

Há também dimensões menos visíveis: o luto pelas expectativas idealizadas, a necessidade de constante adaptação e a construção de um vínculo que se reorganiza ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, essas experiências também revelam algo fundamental para a psiquiatria e para o cuidado em saúde mental: a importância da regulação emocional no vínculo, da previsibilidade nas relações e da presença suficientemente estável, mesmo em contextos desafiadores.

Reconhecer a complexidade da maternidade atípica é parte essencial de um cuidado mais ético, mais humano e mais baseado em evidências.

Neste Dia das Mães, ampliamos o olhar para incluir, de forma legítima, aquelas que sustentam, diariamente, um cuidado que nem sempre é visto.

neurodesenvolvimento

O uso de medicamentos no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda gera dúvidas e, muitas vezes, receios. Parte disso a...
30/04/2026

O uso de medicamentos no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda gera dúvidas e, muitas vezes, receios. Parte disso acontece porque existe a expectativa de que a medicação “trate o autismo”, quando, na prática, o papel dos psicofármacos é outro.
No TEA, a medicação pode ser indicada para tratar sintomas associados que geram sofrimento significativo ou prejuízo funcional, como ansiedade, irritabilidade intensa, alterações de sono, sintomas depressivos ou TDAH. Quando bem indicada, ela não substitui intervenções terapêuticas, mas pode potencializar o engajamento, a regulação emocional e a qualidade de vida.

O cuidado mais efetivo no TEA é multimodal, combinando intervenções psicossociais, educacionais e, quando necessário, farmacológicas, sempre de forma individualizada. Por isso, durante este mês, reforçamos a importância de compreender o tratamento de forma técnica, ética e livre de estigmas.

Decisões clínicas responsáveis consideram evidências científicas, singularidade e, sobretudo, o bem-estar da pessoa autista.

medicaçãonoTEA

No mês de conscientização do autismo, ampliamos o olhar sobre a ecolalia.A ecolalia é a repetição de palavras ou frases ...
30/04/2026

No mês de conscientização do autismo, ampliamos o olhar sobre a ecolalia.

A ecolalia é a repetição de palavras ou frases previamente ouvidas. Diferente de um mito comum, ela não é necessariamente uma repetição sem função. Evidências mostram que ela pode representar uma etapa do desenvolvimento da linguagem, um recurso de comunicação, especialmente em fases iniciais do neurodesenvolvimento.

Esse comportamento pode ainda ajudar a organizar o pensamento, responder interações e regular experiências sensoriais ou sociais. Por isso, a abordagem clínica atual busca compreender sua função, favorecendo a evolução para formas mais flexíveis e funcionais de comunicação.

Conscientizar também é aprofundar a compreensão.

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Neste mês de conscientização sobre o autismo, a Dra. Rosa Magaly Morais, sócia e psiquiatra do Cenpi, especialista na ár...
29/04/2026

Neste mês de conscientização sobre o autismo, a Dra. Rosa Magaly Morais, sócia e psiquiatra do Cenpi, especialista na área, esteve presente no lançamento do Guia Prático do Transtorno do Espectro Autista.

Além da participação no evento, Dra. Rosa também assina a obra como editora, ao lado do neuropediatra Dr. Erasmo Casella, contribuindo para a construção de um material técnico e acessível para profissionais e famílias.

O guia reúne conteúdos que vão da prática clínica à epidemiologia, incluindo diagnóstico, comorbidades, tratamento e prognóstico, reforçando a importância do conhecimento qualificado para um diagnóstico no tempo certo.

A sensibilidade sensorial no autismo não é detalhe clínico secundário. Ela faz parte da própria forma como o cérebro per...
28/04/2026

A sensibilidade sensorial no autismo não é detalhe clínico secundário. Ela faz parte da própria forma como o cérebro percebe e organiza o mundo.

Barulhos que parecem comuns podem ser dolorosos.
Luzes consideradas normais podem gerar sobrecarga.
Texturas podem provocar intenso desconforto.

Quando compreendemos o processamento sensorial no TEA, deixamos de interpretar comportamentos como “exagero” e passamos a reconhecer necessidades legítimas de adaptação.

A literatura científica mostra que intervenções ambientais e previsibilidade reduzem sofrimento, favorecem autorregulação e ampliam participação social.

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No mês de conscientização do Autismo, é importante compreender que o TEA apresenta perfis diversos. Algumas pessoas auti...
22/04/2026

No mês de conscientização do Autismo, é importante compreender que o TEA apresenta perfis diversos. Algumas pessoas autistas demonstram altas habilidades (AH/SD) em áreas específicas, como memória excepcional, raciocínio lógico avançado, atenção a detalhes e aprendizagem autodidata.
Porém, assim como na população geral, no TEA podemos encontrar perfis cognitivos abaixo da média, dentro da média ou acima da média. Altas habilidades são possíveis, mas não representam a maioria das pessoas autistas, inclusive, uma parcela apresenta deficiência intelectual associada. O espectro é amplo e heterogêneo.

A literatura descreve que as AH/SD podem coexistir com desafios sociais, sensoriais ou de flexibilidade cognitiva, caracterizando um desenvolvimento assimétrico. Por isso, a avaliação clínica adequada é fundamental para reconhecer potencialidades e oferecer suporte individualizado.

Reconhecer altas habilidades no TEA não é romantizar o diagnóstico, mas compreender a complexidade do neurodesenvolvimento humano com base em evidências.

Abril nos convida a ampliar o olhar sobre o espectro, promovendo informação de qualidade e redução de estigmas.

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No TEA, dificuldades sociais não significam ausência de desejo de conexão. Muitas pessoas no espectro querem interagir, ...
20/04/2026

No TEA, dificuldades sociais não significam ausência de desejo de conexão. Muitas pessoas no espectro querem interagir, mas enfrentam desafios na interpretação de sinais sociais, flexibilidade cognitiva e regulação emocional.

A literatura científica mostra que habilidades sociais podem ser ensinadas de forma estruturada, com estratégias específicas e adaptadas ao perfil de cada indivíduo. O desenvolvimento dessas habilidades, especialmente quando iniciado precocemente, contribui para maior autonomia, melhor adaptação social e redução de sofrimento associado a situações interpessoais. É importante ressaltar, entretanto, que ele não deve ser confundido com incentivo ao mascaramento ou camuflagem.

O foco clínico não deve ser a padronização de comportamentos, mas a ampliação de repertório social com respeito à neurodiversidade, à individualidade e ao contexto de vida da pessoa.

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Dra. Rosa Magaly Morais, sócia e psiquiatra do CENPI, esteve presente no evento Mães Diversas, Mães Reais, realizado em ...
15/04/2026

Dra. Rosa Magaly Morais, sócia e psiquiatra do CENPI, esteve presente no evento Mães Diversas, Mães Reais, realizado em Recife, contribuindo com sua experiência em psiquiatria da infância e adolescência, com um olhar especial para o autismo.

Foi um momento de compartilhamento entre mães, famílias e profissionais, fortalecendo redes de apoio e ampliando o diálogo sobre saúde mental.

Seguimos comprometidos em levar informação de qualidade e cuidado para além do consultório.

Abril é o mês de conscientização do autismo, e compreender o shutdown (desligamento) é parte essencial desse processo.O ...
13/04/2026

Abril é o mês de conscientização do autismo, e compreender o shutdown (desligamento) é parte essencial desse processo.

O shutdown é uma resposta do sistema nervoso diante de sobrecarga sensorial, cognitiva ou social. Nesse estado, a pessoa pode apresentar redução da fala, dificuldade de interação e necessidade de isolamento temporário. Não se trata de birra, oposição ou desinteresse, mas de um mecanismo neurobiológico de proteção.

Estudos mostram que pessoas autistas apresentam maior vulnerabilidade à sobrecarga sensorial e à fadiga cognitiva, o que pode levar a estados de desligamento funcional momentâneos. Ambientes previsíveis, redução de estímulos e respeito ao tempo de regulação favorecem a recuperação e reduzem o sofrimento.
Conscientizar é substituir julgamento por compreensão.

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No mês de conscientização do autismo, escolhemos abordar um tema frequente na prática clínica e ainda cercado por julgam...
06/04/2026

No mês de conscientização do autismo, escolhemos abordar um tema frequente na prática clínica e ainda cercado por julgamentos: a seletividade alimentar.
Para muitas pessoas autistas, a alimentação envolve desafios que vão além do paladar. Diferenças no processamento sensorial, maior necessidade de previsibilidade e níveis elevados de ansiedade diante do novo podem tornar a experiência alimentar particularmente complexa.

A literatura científica descreve maior prevalência de seletividade alimentar no Transtorno do Espectro Autista quando comparado ao desenvolvimento típico, frequentemente associada a padrões de decodificação sensorial, rigidez cognitiva e necessidade de controle ambiental. Esses fatores ajudam a explicar por que a recusa alimentar não deve ser interpretada como oposição voluntária, mas como expressão de um funcionamento neurobiológico específico.

Intervenções eficazes priorizam previsibilidade, exposição gradual e respeito ao ritmo da criança, frequentemente envolvendo abordagem interdisciplinar.

O foco não está apenas em ampliar o repertório alimentar, mas em reduzir o sofrimento e promover experiências mais seguras e funcionais em torno da alimentação.

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