UBS 2 - Salete/SC

UBS 2 - Salete/SC Unidade Básica de Saúde 2 Salete/SC

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31/05/2026

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/05/tratamento-experimental-com-dose-unica-reduz-colesterol-em-62.shtml

Tratamento experimental com dose única reduz colesterol em 62%

Estudo preliminar com 35 pacientes mostra resultados mantidos após 18 meses
Se confirmada em novas pesquisas, estratégia pode solucionar condições crônicas definitivamente

Gina Kolata - The New York Times

Em um estudo preliminar, um tratamento experimental de edição genética reduziu drasticamente os níveis de colesterol após apenas uma infusão, relataram cientistas na segunda-feira (25).

Os pesquisadores esperam que, se confirmados, os resultados possam levar a uma forma única e definitiva de prevenir doenças cardíacas em muitas pessoas. A maioria das terapias genéticas tem como alvo doenças raras, mas condições cardiovasculares matam quase 800 mil americanos por ano.

"Temos debates e novas diretrizes de que deveríamos tratar as pessoas mais cedo", afirma John Alexander, cardiologista da Universidade Duke que não participou do estudo. "Uma terapia curativa mudaria o jogo."

O estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, é uma análise de 35 pacientes em um ensaio que envolverá até 85 participantes. Todos têm níveis geneticamente elevados de colesterol LDL —o tipo "ruim"— ou doença cardíaca.

Nos 35 pacientes, uma única infusão da dose mais alta do tratamento reduziu os níveis de colesterol LDL em até 62%. A mudança foi mantida em um subgrupo cujos membros foram tratados há 18 meses. Um novo estudo maior deve ser realizado com 200 pacientes.

É incomum que o The New England Journal of Medicine publique um resultado tão preliminar, mas "parece que funciona muito bem", diz Eric Rubin, editor-chefe da revista científ**a. O ensaio é uma tentativa ambiciosa de aplicar terapia genética de ponta à principal causa de morte nos Estados Unidos, acrescenta.

Ainda assim, "precisamos de muito mais dados de segurança", afirma Michael Gaziano, diretor de cardiologia preventiva do sistema de saúde Boston V.A. A FDA (Food and Drug Administration, agência reguladora dos EUA) exige que todos os pacientes em estudos de terapia genética sejam acompanhados por 15 anos.

Os pacientes no ensaio receberam uma infusão contendo uma "máquina" de edição genética, ou uma pequena fábrica molecular envolta em uma camada de gordura. As partículas revestidas de gordura viajam pelo sangue diretamente até o fígado, onde são absorvidas por células que removem o invólucro gorduroso.

A máquina de edição então percorre o DNA da célula hepática até encontrar seu alvo, um gene chamado PCSK9. Ela para ali e apaga uma letra do DNA no gene, substituindo-a por outra.

Essa simples mudança desativa o gene PCSK9 e impede que as células produzam a proteína PCSK9. Sem ela, o fígado remove mais colesterol LDL da corrente sanguínea, mantendo os níveis mais baixos.

O estudo foi liderado por Sekar Kathiresan, diretor-executivo da Verve Therapeutics, agora uma subsidiária da Eli Lilly. Kathiresan, cardiologista, disse que foi motivado por sua história pessoal.

Sua avó, pai, tio e irmão tiveram ataques cardíacos. Seu irmão morreu de parada cardíaca aos 42 anos, logo após voltar de uma corrida.

Terapias genéticas para doenças raras custam milhões de dólares. Mas Daniel Skovronsky, cientista-chefe da Eli Lilly, diz que esse não seria o caso se o tratamento fosse eventualmente aprovado.

"Não é isso que estamos buscando aqui. Estamos buscando um medicamento que um dia possa fazer parte da atenção primária", afirma.

Níveis elevados de LDL são altamente tratáveis com uma variedade de medicamentos, incluindo os tradicionais comprimidos diários de estatinas. Avanços mais recentes incluem medicamentos injetáveis que bloqueiam a proteína produzida pelo gene PCSK9, criando o mesmo efeito da edição genética.

Mas muitas pessoas não conseguem ou não querem tomar os medicamentos. Entre um terço e metade dos pacientes param de tomar medicamentos para reduzir o colesterol em um ano após começarem, mesmo pessoas que tiveram ataques cardíacos.

Kristy Faulkner, 45, que mora em Guilford (CT), está entre aqueles que precisam de tratamento, mas relutam em tomar um medicamento potente. Doenças cardíacas são comuns em sua família, e ela teve um ataque cardíaco aos 42 anos.

"Existe uma espécie de negação interna, como se eu não pudesse tomar esses remédios todos os dias da minha vida", diz ela. "Eu entendo a importância, e me sinto envergonhada."

Sua cardiologista, Erica Spatz, da Universidade Yale, espera que o plano de saúde de Faulkner cubra um inibidor de PCSK9 que só precisa ser administrado a cada seis meses. Seu histórico médico signif**a que não há "margem para erro", segundo Spatz.

"Esse tipo de avanço terapêutico pode ser revolucionário para pessoas como ela", diz Spatz.

Alice Thomas, 64, de Lexington (NC), adoraria tomar medicamentos para reduzir o colesterol, mas não consegue obtê-los. Sua única fonte de renda é a Previdência Social, e embora as estatinas sejam baratas, ela não conseguiu tolerá-las.

Seu plano de saúde não aprovou os medicamentos injetáveis que poderiam ter ajudado. Ela teve dois derrames e, há alguns meses, seu nível de colesterol LDL estava perigosamente alto, em 190.

"Eu não tinha nada, então descobri sobre este estudo." Ela recebeu a infusão no ensaio de Kathiresan em 30 de março. Duas semanas depois, seu nível de colesterol era 50. "Isso é ótimo. Uma vez e acabou", diz.

Estudo preliminar com 35 pacientes mostra resultados mantidos após 18 meses

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31/05/2026

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Por que os seus 40 anos parecem mais difíceis do que os seus 20

Massa muscular, que influencia na energia, começa a diminuir a partir dos 30 anos
Sono, hormônios e mitocôndrias também influenciam na disposição

Michelle Spear - Professora de Anatomia da Universidade de Bristol

É comum pensar que tínhamos mais energia aos 20 anos. Podíamos trabalhar até tarde, sair à noite, dormir mal e ainda nos sentir capazes no dia seguinte. Aos 40 anos, essa facilidade muitas vezes já não existe. A fadiga parece mais difícil de superar. É tentador assumir que isso é simplesmente o processo de envelhecimento –um declínio irreversível.

É verdade que os 40 anos costumam ser uma década exaustiva, não porque estamos velhos, mas porque várias pequenas mudanças biológicas convergem exatamente nesta fase em que as exigências da vida costumam atingir o pico. Porém, de forma otimista, não há razão para supor que a energia continua a diminuir da mesma forma até os 60 anos.

Os energéticos 20 anos

No início da idade adulta, vários sistemas atingem o seu pico simultaneamente.

A massa muscular está no seu nível mais alto, mesmo sem exercícios deliberados. Como tecido metabolicamente ativo, o músculo ajuda a regular o açúcar no sangue e reduz o esforço necessário para as tarefas diárias. Pesquisas mostram que os músculos esqueléticos são metabolicamente ativos mesmo em repouso e contribuem substancialmente para a taxa metabólica basal (a energia que seu corpo usa apenas para mantê-lo vivo quando você está em repouso). Quando você tem mais músculos, tudo custa menos energia.

No nível celular, as mitocôndrias —estruturas que convertem alimentos em energia utilizável— são mais numerosas e eficientes. Elas produzem energia com menos resíduos e menos subprodutos inflamatórios.

O sono também é mais profundo. Mesmo quando o sono é mais curto, o cérebro produz mais sono de ondas lentas, a fase mais fortemente ligada à restauração física.

Os ritmos hormonais também são mais estáveis. O cortisol, frequentemente descrito como o hormônio do estresse do corpo, a melatonina, o hormônio do crescimento e os hormônios se***is seguem padrões diários previsíveis, tornando a energia mais confiável ao longo do dia.
Os exaustivos 40 anos

Na meia-idade, nenhum desses sistemas entrou em colapso, mas pequenas mudanças começam a fazer diferença.

A massa muscular começa a diminuir a partir dos 30 anos, a menos que você pratique exercícios para mantê-la. Essa é uma dica importante: faça treinos de força. A perda de massa muscular é gradual, mas seus efeitos não são. Menos músculos signif**am que os movimentos diários exigem mais energia, mesmo que você não perceba isso conscientemente.

As mitocôndrias ainda produzem energia, mas com menos eficiência. Na casa dos 20, a falta de sono ou o estresse podem ser compensados. Na casa dos 40, a ineficiência f**a evidente. A recuperação se torna mais "cara".

O sono também muda. Muitas pessoas ainda dormem horas suficientes, mas o sono é fragmentado. Menos sono profundo signif**a menos reparação. A fadiga parece cumulativa, em vez de episódica.

Os hormônios não desaparecem na meia-idade –eles flutuam, principalmente nas mulheres. A variabilidade, e não a deficiência, perturba a regulação da temperatura, os horários de sono e os ritmos energéticos. O corpo lida melhor com níveis baixos do que com níveis imprevisíveis.

Depois, há o cérebro. A meia-idade é um período de carga cognitiva e emocional máxima: liderança, responsabilidade, vigilância e cuidados. O córtex pré-frontal —responsável pelo planejamento, tomada de decisões e inibição— trabalha mais para obter o mesmo resultado. A multitarefa mental consome energia de forma tão ef**az quanto o trabalho físico.

É por isso que os 40 anos parecem tão difíceis. A eficiência biológica começa a mudar exatamente no momento em que a demanda é maior.

Os otimistas 60 anos

A velhice é frequentemente imaginada como uma continuação do declínio da meia-idade; no entanto, muitas pessoas relatam algo diferente.

Os sistemas hormonais geralmente se estabilizam após períodos de transição. Os papéis na vida podem se simplif**ar. A carga cognitiva pode diminuir. A experiência substitui a tomada de decisões ativa e constante.

O sono não piora automaticamente com a idade. Quando o estresse é menor e as rotinas são protegidas, a eficiência do sono pode melhorar, mesmo que o tempo total de sono seja menor.

Crucialmente, os músculos e as mitocôndrias ainda se adaptam surpreendentemente bem na terceira idade. O treinamento de força em pessoas na faixa dos 60, 70 anos e acima disso pode restaurar a força, melhorar a saúde metabólica e aumentar a energia subjetiva em poucos meses.

Isso não signif**a que a velhice traga energia ilimitada, mas muitas vezes traz outra coisa: previsibilidade.
Boas notícias?

Ao longo da idade adulta, a energia muda de caráter, em vez de simplesmente diminuir. O erro que cometemos é supor que sentir-se cansado na meia-idade reflete uma falha pessoal ou que marca o início de um declínio inevitável. Anatomicamente, não é nenhuma das duas coisas.

A fadiga da meia-idade é melhor compreendida como um desequilíbrio entre a biologia e a demanda: pequenas mudanças na eficiência que ocorrem precisamente no momento em que as cargas cognitivas, emocionais e práticas estão no auge.

Não podemos recuperar nossos 20 anos de idade, mas a energia na terceira idade continua altamente modificável e o cansaço tão característico dos 40 anos não é o fim da história. A fadiga nesta fase não é um aviso de declínio inevitável, mas um sinal de que as regras mudaram.

Massa muscular, que influencia na energia, começa a diminuir a partir dos 30 anos

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31/05/2026

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Laiz Menezes - São Paulo

"Isso era em 1980. Nós estamos em 2026. Nada mudou. Essa é a verdade." A declaração é da ginecologista Mônica Bandeira, que há 43 anos trabalha na prevenção ao câncer de colo do útero em Manaus, sobre o cenário da doença. Para ela, apesar de alguns avanços pontuais, o Brasil não conseguiu reduzir a incidência desses tumores, considerados quase 100% preveníveis com a vacina contra o HPV (papilomavírus humano).

No país, o câncer do colo do útero matou quase 20 mulheres por dia em 2025, com 7.249 óbitos no ano, segundo dados preliminares do Ministério da Saúde. Para o triênio 2026-2028, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima 19,3 mil casos novos por ano, número superior ao triênio anterior (2023–2025), quando a estimativa era de 17 mil.

"A gente está num platô", diz Eduardo Cândido, ginecologista e presidente da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). "Não conseguimos diminuir a incidência."

Para especialistas ouvidos pela Folha, o problema central está no diagnóstico tardio por falha no rastreamento. Pesquisa do grupo da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e publicada em 2022 no International Journal of Gynecological Cancer mostrou que cerca de dois terços dos cânceres ginecológicos no Brasil são diagnosticados em estágios avançados.
Doença não atinge o país de forma uniforme

Segundo a estimativa do Inca para o triênio 2026-2028, nas regiões Norte e Nordeste, o câncer do colo do útero ocupa a segunda posição entre os tipos mais incidentes em mulheres, atrás apenas do câncer de mama. A taxa de incidência no Norte é de 22,79 casos por 100 mil mulheres, quase o dobro do Sudeste, de 14,06. No Amazonas, chega a 28,57, a mais alta do país.

"Há um abismo de políticas que deveriam ser direcionadas para os locais que precisam mais", diz Cândido.

A diferença entre os sistemas de saúde é igualmente visível, principalmente quando comparadas as regiões Norte e Nordeste com Sul e Sudeste. A oncologista Mariana Scaranti, do Hospital Nove de Julho, conta nos dedos as pacientes que recebem o diagnóstico em seu consultório privado em São Paulo.

"No privado, eu nunca tive uma paciente com odor forte", diz, referindo-se ao sinal clínico de tumor em necrose, indicativo de doença muito avançada. Em Manaus, porém, Bandeira diz que isso é frequente. "Se tiver uma paciente longe aqui da gente, lá na recepção, a gente já sente o cheiro. É muito forte", relata.

No Amazonas, Bandeira descreve um ciclo que se repete há décadas. Mulheres chegam ao hospital em estágio avançado, com tumores necrosados, hemorrágicos, muitas vezes já com insuficiência renal. No interior do estado, exames preventivos precisam ser enviados a Manaus para processamento e a demora chega a seis meses em alguns municípios, aponta a médica.

Novos métodos chegam, mas a desigualdade persiste

O Ministério da Saúde está substituindo gradualmente o Papanicolau pelo teste de DNA-HPV, que detecta diretamente o vírus nas células do colo do útero. A diferença de precisão é signif**ativa. Enquanto o Papanicolau tem sensibilidade de 65% a 70%, o novo teste chega a quase 100%.

Um resultado negativo do teste de DNA-HPV também dispensa nova coleta por cinco anos. O Papanicolau precisa ser feito anualmente, o que se apresenta como mais um obstáculo para mulheres que moram em regiões mais afastadas dos centros, como no caso das ribeirinhas.

Sete estados do Brasil oferecem o exame pelo SUS (Sistema Único de Saúde): Pernambuco, Pará, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro, seguindo a estratégia de implementação gradual adotada pelo Ministério da Saúde.

O Amazonas está "em fase de alinhamento e planejamento da implementação, considerando as especificidades territoriais", diz a pasta.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse à Folha na semana passada que a introdução do teste de DNA-HPV no SUS em 2025 é um avanço no país. Segundo ele, Norte e Nordeste foram as regiões prioritárias para a implementação. Quando questionado sobre o motivo de o único estado do Norte contemplado até agora ser o Pará, o ministro não respondeu diretamente, apenas repetiu que as duas regiões são prioridade do governo.

"A gente introduziu no ano passado em todas as regiões do país", disse, antes de confirmar, na sequência, que a expansão para todos os estados só deve se completar até o final de 2026.

O Governo do Amazonas afirma que o estado integra a iniciativa do Ministério da Saúde para fortalecer o rastreamento do câncer do colo do útero. Diz que está sendo implantado um projeto-piloto de rastreamento por DNA-HPV em 12 municípios, com meta de expandir o exame para todo o estado até o fim de 2026, atendendo mulheres de 25 a 64 anos.

No sistema suplementar de saúde, o teste de DNA-HPV já era rotina anos antes de chegar ao SUS. Segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), os te**es moleculares para detecção do HPV têm cobertura obrigatória desde 2008. "Duas pacientes que moram no mesmo país têm realidades diferentes de atendimento. Não é para acontecer isso", diz Scaranti.

Com o exame de DNA-HPV, também é possível realizar a autocoleta, que é adotada no SUS somente para algumas populações de difícil acesso, como comunidades ribeirinhas, indígenas e pessoas LGBTQIA+.

Especialistas destacam, no entanto, a importância de implementar a estratégia nas regiões do país com a maior incidência de casos, para melhorar rastreio e prevenção do câncer do colo do útero.

Para Bandeira, a autocoleta é especialmente relevante no Amazonas, onde mulheres de comunidades ribeirinhas chegam a levar dias de barco para chegar a Manaus. Reportagem da Folha mostrou no ano passado que pacientes com câncer no estado precisam fazer viagens de até oito dias para tratar um tumor em Manaus.

O Amazonas já testou a abordagem em 2015, quando Bandeira diz ter participado do primeiro estudo brasileiro, da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), com dispositivo de autocoleta para HPV, testado em 412 mulheres de Coari, município acessível apenas por rio que f**a a 370 km de Manaus. No estudo, o teste teve aceitação de quase 100%, e 94% das mulheres relataram não ter tido dificuldade para fazer o teste em casa.

Meta com a OMS

O Brasil se comprometeu com a OMS (Organização Mundial da Saúde) de eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública até 2030, o que implica vacinar 90% das meninas, rastrear 70% das mulheres e tratar 90% dos casos diagnosticados.

O HPV é responsável por quase 100% dos casos de câncer de colo de útero, segundo o Ministério da Saúde. A vacina contra o HPV é segura, ef**az e oferecida gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Em 2025, a cobertura vacinal foi de 86% entre meninas e 74,4% entre meninos.

A cobertura vacinal retomou após anos de queda. Para Padilha, a mudança para dose única, validada por estudo publicado no New England Journal of Medicine, em dezembro de 2025, também contribuiu para ampliar a adesão.

O ministro da Saúde diz que o Brasil não vai desistir de perseguir a meta da OMS até 2030. Mas especialistas são cautelosos quanto ao prazo da meta com a OMS. "O impacto do aumento da cobertura vacinação a gente vai ver daqui a uma década, não agora", diz Scaranti. "Precisamos fazer essa lição de casa, com rastreio, diagnóstico precoce e vacinação, para que a tabela [de casos e óbitos], daqui a dez anos, seja totalmente diferente."

Ministério da Saúde diz que está substituindo o papanicolau pelo teste DNA-HPV, que é mais preciso

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24/05/2026

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Brasil propõe à OMS regulamentação global da venda de ultraprocessados

Proposta prevê regras sobre publicidade, monitoramento e comercialização dos produtos
Metade das crianças brasileiras pode ter obesidade ou sobrepeso até 2035, aponta pesquisa

O Brasil propôs a criação de uma regulamentação global para endurecer a venda e a propaganda de alimentos ultraprocessados, durante a Assembleia Mundial da Saúde da OMS (Organização Mundial da Saúde), na Suíça, nesta terça-feira (19).

A proposta apresentada pelo ministro da Saúde Alexandre Padilha prevê criar um modelo de regras específ**as sobre a publicidade, o monitoramento e a comercialização dos ultraprocessados. O objetivo é preservar crianças e adolescentes do acesso a esses produtos.

"Nossa proposta chama atenção para práticas que exigem respostas regulatórias urgentes, como a publicidade direcionada, o marketing por influenciadores, os jogos publicitários, a personalização baseada em dados e os conteúdos digitais transfronteiriços", afirmou Padilha no evento.

Dados do Atlas Mundial de Obesidade de 2026 indicam que metade das crianças e dos adolescentes brasileiros podem ter obesidade ou sobrepeso até 2040.

O objetivo do ministério é apresentar evidências científ**as sobre os efeitos dos ultraprocessados na saúde para criar sistemas de classif**ação claros. Além disso, prevê discutir soluções para promover hábitos alimentares mais saudáveis.

Uma das pesquisas usadas para a proposta, publicada na revista The Lancet, mostra que o consumo de ultraprocessados aumentou 13% na alimentação diária nos últimos 40 anos no Brasil e no México.

A ideia é que a proposta seja votada já no início de 2027, na próxima Assembleia Mundial da Saúde.

Proposta prevê regras sobre publicidade, monitoramento e comercialização dos produtos

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2026/05/o-figado-costuma-sofrer-em-silencio.shtml O fígado costuma ...
24/05/2026

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O fígado costuma sofrer em silêncio

Males hepáticos são a segunda causa de perda de anos de trabalho na Europa
Por lá, morrem de cirrose ou de câncer de fígado cerca de 780 pessoas por dia

Drauzio Varella - Médico cancerologista, autor de “Estação Carandiru”

"Tô ruim do fígado." Essa é a queixa mais comum dos que exageraram na bebida e na feijoada do sábado. Se vomitam, então, a cor amarelada do suco gástrico lhes dá a certeza de que é a bile.

Considerar males hepáticos, as irritações gástricas causadas pelos excessos de álcool e de alimentos gordurosos, faz parte da cultura popular. Nem sempre inócuos, os chás receitados pelas avós do Brasil inteiro estão presentes em quase todas as casas. Nas farmácias, remédios "hepatoprotetores" ou "desintoxicantes" são campeões de vendas.

Convencer as pessoas de que não existem medicamentos dotados dessas propriedades milagrosas é tarefa inglória.

Sabemos há muitos anos que o álcool provoca cirrose e câncer de fígado. A medicina do século 20, entretanto, demonstrou que tais complicações podem ter outras causas: genéticas, imunológicas, metabólicas e até medicamentosas.

Na faculdade, aprendíamos que os pacientes com provas de função hepática alteradas nos exames de sangue, por definição abusavam do álcool. Quando um deles contava que só bebia ocasionalmente ou nunca, não confiávamos na resposta. A mesma desconfiança acontecia com os cirurgiões que, ao abrir a cavidade abdominal, davam de cara com o tecido hepático infiltrado por gordura em pacientes que juravam abstinência.

No mundo da ciência, ninguém levava em conta as técnicas empregadas pelos produtores de foie gras, que alimentavam os gansos ad libitum para engordá-los, a ponto de deixar o fígado infiltrado por grandes quantidades de gordura. As aves desenvolviam esteatose sem beber uma gota de álcool sequer.

A descrição de hepatites crônicas que não guardam relação com o uso de álcool fez a medicina acordar para as características dessa disfunção. Estudos epidemiológicos demonstraram que elas são uma das principais causas de cirrose e de carcinoma hepático, condições responsáveis pelo aumento da incidência dessas doenças no mundo inteiro nas últimos décadas.

O advento da ultrassonografia, exame que permitiu avaliar a consistência do fígado, e a epidemia de obesidade que se disseminou pelo mundo a partir dos anos 1990 explicam por que a esteatose hepática se tornou um problema relevante de saúde pública.

Em 2021, a Associação Europeia para o Estudo do Fígado (EASL) publicou na revista The Lancet um estudo mostrando que as enfermidades hepáticas constituíam a segunda causa de perda de anos de trabalho nos países europeus –atrás apenas das cardiovasculares.

Neste mês, a Assembleia Mundial de Saúde se prepara para incluir a esteatose hepática —associada ou não ao álcool— no grupo de doenças não comunicáveis, como as cardiovasculares, a diabetes e outras. É um passo importante: morrem de cirrose ou de câncer de fígado cerca de 780 pessoas por dia no continente europeu. Lá, a mortalidade por câncer de fígado aumentou cerca de 50% nos últimos 20 anos.

Os fatores de risco da esteatose hepática são os mesmos de outras doenças crônicas que acompanham o envelhecimento populacional: obesidade, abuso de álcool, diabetes tipo 2, pré-diabetes, colesterol e triglicérides elevados, hipertensão, síndrome metabólica, consumo excessivo de açúcares, de alimentos ultraprocessados, sedentarismo e apneia do sono, além de outros. A tendência atual é a de reduzir o impacto desses fatores por meio de estratégias de prevenção comuns às demais doenças crônicas.

Médicos e pacientes costumam ser tolerantes diante de um ultrassom que mostra esteatose hepática, especialmente quando o radiologista relata tratar-se de um quadro leve ou moderado. É comum ouvir as pessoas dizerem: "Estou ótimo, não sinto nada, tenho só um pouco de gordura no fígado".

Quadros iniciais são justamente os que oferecem a oportunidade de reversão, desde que sejam adotadas as medidas adequadas: atividade física, mudança dos hábitos alimentares, abstinência de álcool, medicações para controlar a pressão arterial, a glicemia e o colesterol e, o mais importante, perder peso.

Paradoxalmente, a pobreza de sintomas associados à esteatose é uma barreira para o tratamento nas fases iniciais. O diagnóstico costuma ser feito quando a cirrose está avançada e o carcinoma hepático já não pode ser operado.

O professor Luiz Caetano da Silva, um dos primeiros hepatologistas do país, nos ensinava: "Estejam atentos, o fígado sofre calado".

Males hepáticos são a segunda causa de perda de anos de trabalho na Europa

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24/05/2026

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Episódios de bebedeira triplicam o risco de lesão no fígado, alerta estudo

Pesquisa com 8.000 pessoas mostra que padrão de consumo importa mais que quantidade total
Quatro doses para mulheres e cinco para homens já configuram consumo excessivo

Gabriela Cupani - Agência Einstein

Abusar da bebida alcoólica, mesmo que de vez em quando, pode triplicar o risco de fibrose no fígado em pessoas que já apresentam acúmulo de gordura no órgão, aponta um estudo publicado em abril na revista científ**a Clinical Gastroenterology and Hepatology. Os resultados reforçam que não importa apenas a quantidade total de álcool, mas também a forma como ele é ingerido.

"O estudo traz evidências robustas, relevantes, de que se deve considerar o padrão de consumo de álcool como fator de risco, e chama a atenção para quem consome de vez em quando uma grande quantidade, o que às vezes pode até parecer um ‘consumo recreativo’", analisa a hepatologista Carolina Pimentel, do Einstein Hospital Israelita.

O trabalho analisou dados coletados entre 2017 e 2023 de 8.000 participantes do levantamento National Health and Nutrition Examination Survey, nos Estados Unidos. Os pesquisadores observaram que consumir álcool em excesso ao menos uma vez por mês —quatro ou mais doses para mulheres e cinco ou mais para homens— representa um risco maior de fibrose hepática do que ingerir a mesma quantidade diluída ao longo desse período.

Os achados são especialmente preocupantes diante do avanço da esteatose hepática, popularmente conhecida como "gordura no fígado". A condição, ligada principalmente ao estilo de vida, já afeta cerca de 40% da população adulta mundial. Ela pode desencadear inflamação crônica, cicatrizes, cirrose e até câncer hepático. Hoje, a doença está entre as principais causas de transplante de fígado.

Nos últimos anos, especialistas também passaram a revisar a classif**ação dessas doenças. Desde 2023, o popular "fígado gordo" recebeu o nome oficial de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD, na sigla em inglês), pois se sabe que o depósito de lipídios está associado a um conjunto de alterações metabólicas como obesidade, hipertensão, altas taxas de glicemia e triglicérides e baixo colesterol HDL. Mas, se além de gordura o indivíduo consome bebida alcoólica com frequência, trata-se da doença hepática metabólica e alcoólica (MetALD).

O novo estudo sugere que parte dos pacientes classif**ados hoje como MASLD também deveria ser considerada em uma categoria de maior risco associada ao álcool. Segundo os autores, cerca de 16% dessas pessoas relataram episódios ocasionais de consumo excessivo.

Para Carolina Pimentel, o artigo reforça a necessidade de ampliar o rastreamento e o acompanhamento desses pacientes. "Não é ‘só uma gordurinha’", alerta. "O fígado sofre silenciosamente durante muito tempo. Mesmo com fibrose ou até cirrose, ele consegue manter suas funções sem causar sintomas. Quando aparecem, pode ser que a pessoa já tenha um câncer hepático ou precise de transplante."

Para evitar complicações, é essencial realizar check-ups regularmente e identif**ar precocemente sinais de esteatose, para que ela não evolua de forma silenciosa. E lembre-se: não existe dose segura de consumo alcoólico.

Pesquisa com 8.000 pessoas mostra que padrão de consumo importa mais que quantidade total

https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/03/22/caneta-emagrecedora-nao-cura-a-obesidade-nem-resolve-o-problema-de-sau...
24/05/2026

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Para coordenador do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades da Unicamp, medicamentos são uma solução no nível individual, para quem pode pagar, e quando usadas da forma certa

Por Ana Lucia Azevedo

Brasil afora, o cenário vai mudar. Com a previsível massif**ação do uso de canetas para emagrecer e seus correlatos, mais gente magra será vista nas ruas. Mas a obesidade, uma das maiores inimigas da saúde pública global, continuará sem prevenção e cura, adverte um dos maiores especialistas do país, Lício Velloso, professor titular e coordenador do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), membro da Academia Brasileira de Ciências. Velloso está à frente da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Obesidade, que reunirá este ano especialistas brasileiros e estrangeiros para formar profissionais com a vanguarda do conhecimento sobre a doença.

As canetas emagrecedoras são a solução para a obesidade?

Elas são uma revolução, mas não são a solução. Pertencem a uma classe de remédios (semaglutida, que mimetiza o hormônio intestinal GLP-1; e tirzepatida, que associa também o análogo do hormônio GIP) que constitui uma revolução terapêutica, mas que não previne, cura e muito menos elimina a doença da obesidade. Esta continuará a crescer no mundo porque as condições que a causam persistem e o problema está longe de ser resolvido.

Por que?

A caneta é uma solução no nível individual, para quem pode pagar, usa da forma certa, com introdução lenta e gradual; e se compromete com o tratamento por toda a vida. Mas não cura a obesidade nem resolve o problema de saúde pública, o surgimento de novos casos.

É como enxugar gelo em termos de saúde pública? Por que?

Porque não eliminam as causas primárias da doença. As pessoas engordam porque vivemos num ambiente feito para engordar, baseado em alimentação com ultraprocessados altamente calóricos e pouca atividade física. Essas dr**as atuam controlando a fome e a saciedade. Mas se a pessoa para, também cessa o efeito. O ganho de peso é controlado, mas não curado.

Como será o impacto de uma massif**ação das canetas?

A obesidade é uma doença visível. Então, o aumento do uso vai mudar literalmente a paisagem. Veremos muito mais gente magra e também teremos menos casos de doenças associadas à obesidade, como diabetes e doenças cardiovasculares. Teremos menos hipertensos. Isso tudo é muito positivo. Mas não será para todos.

Por que?

Porque as dr**as poderão ter o custo reduzido, mas não serão baratas. O benefício será para as faixas médias de renda. E friso: a paisagem mudará, mas a doença permanecerá. A obesidade é uma doença crônica, associada a alterações metabólicas, afeta o corpo todo. Ela estará sob controle, mas se abrirmos a porta, voltará.

O Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde, mostrou que 62,6% dos brasileiros adultos estão acima do peso. Toda essa gente é elegível para usar canetas emagrecedoras?

Sim. Mas nem todo mundo terá dinheiro para pagar. E a faixa de menor renda é justamente a que mais precisa, a com a maior taxa de obesidade e sobrepeso. Além disso, nem o SUS nem qualquer outro sistema público do mundo tem condições de arcar com o custo universal. Por outro lado, a obesidade segue a aumentar porque as condições que a provocam continuam a existir.

Por que tanta gente está acima do peso?

A sociedade contemporânea _ e não apenas no Brasil _ criou o ambiente perfeito para ganhar peso, embora condene quem engorde, como se fosse opção. Hoje, o ambiente faz com que se acumule mais calorias e se gaste menos. Isso é cruel. O ser humano evoluiu para acumular açúcar e gordura porque esses elementos foram escassos pela maior parte de nossa história natural. Nosso metabolismo é feito para conservar energia. O que não é normal, não é saudável é o ambiente em que vivemos, que propicia o exagero. Se tornou muito fácil acumular porque a comida disponível é mais calórica, engorda mais. E o excesso leva à doença, isto é, à obesidade.

O que mudou nas últimas décadas?

Antes era muito difícil acumular gordura. A comida com alta densidade calórica (mais açúcar e gordura) era menos acessível e a atividade física, regular. Mas nas últimas décadas a comida se tornou preponderantemente processada e ultraprocessada, com quantidades absurdas de açúcar, gordura e sal, elementos que permitem que seja mais barata, saborosa e atraente. A atividade física hoje é um luxo para a maioria das pessoas, sem tempo e dinheiro para isso. Não se anda mais, se passa o dia sentado, seja no transporte, no lazer ou no trabalho. Então, é esperado que as pessoas engordem. Existem várias formas de obesidade e para quem tem certas condições genéticas o problema é ainda maior, são os casos de obesidade severa.

Então, não se trata de falta de força de vontade e sim de alternativa?

Exatamente. A obesidade é uma doença deflagrada por um ambiente feito para engordar. E esse ambiente está se ampliando. Mesmo com uma revolução nas dr**as, que são grandes avanços, o número de casos de obesidade vai continuar a aumentar.

Por que?

Porque o modo de vida, que chamamos de obesogênico, causador da epidemia no Ocidente se expande nos países mais populosos, sobretudo, na Ásia. A China tem visto os números de sobrepeso e obesidade crescerem pelos mesmos motivos que engordaram as sociedades ocidentais. E a Índia, com seu 1,4 bilhão de habitantes, segue pelo mesmo caminho.

O que se pode fazer para prevenir a obesidade?

Claro que políticas públicas são necessárias, mas estamos longe do necessário. Nenhum país do mundo, à exceção do Japão, conseguiu até agora algum avanço para reduzir a obesidade. E mesmo o Japão não se livrou do problema.

O que fez o Japão?

O Japão criou políticas públicas para retomar sua alimentação tradicional, baseada em frutos do mar e com pouco carboidrato, gorduras e açúcares. É uma dieta excelente e o Japão vem melhorando. Mas é muito específico, não é uma opção para o restante do mundo. O Brasil, por exemplo, tem o maravilhoso Guia Alimentar para a População Brasileira. Mas quem consegue seguir no dia a dia?

E como podemos, por exemplo, melhorar nossa alimentação?

O ideal é reduzir o consumo dos alimentos processados. Mas sabemos que devido a fatores como preço, comodidade, acesso isso é muito difícil, se não inviável para muita gente. Mas há sinais de que a própria indústria de alimentos planeja fazer mudanças.

Quais?

Ela busca desenvolver alimentos processados que sejam saborosos, mas não tão calóricos, com menos açúcar e gordura. A engenharia de alimentos é uma área do conhecimento muito competente. Por isso, pode ser que alimentos menos engordativos inundem o mercado dentro de alguns anos.

Teremos ainda mais gente usando as canetas. Qual o risco?

A relação risco-benefício é muito favorável às canetas emagrecedoras. Elas são muito seguras. Se usadas corretamente o risco é mínimo, e os benefício, grande.

Mas se tem registrado casos suspeitos de associação com câncer de pâncreas e pancreatite. O que sabe sobre isso?

O risco é muito mínimo. E as pessoas esquecem uma coisa fundamental.

Qual?

Seja caneta, ampola, comprimido. Essas dr**as não são pílulas mágicas. São remédios! E qualquer remédio, por melhor que seja, pode ter efeitos colaterais. Usamos ácido acetilsalicílico, a aspirina, há mais de 100 anos. É uma droga muito segura e importante. E, no entanto, para algumas pessoas, pode causar sangramento abdominal. Não existe medicamento sem risco. À medida que mais pessoas usam uma droga, mais efeitos aparecem. Isso acontece com qualquer medicamento. E é esse o motivo para que as canetas só sejam usadas com recomendação e orientação médica. A maior parte dos efeitos adversos está associada ao uso incorreto. E mesmo alguns efeitos poderão ser contornados.

Como?

Vão surgir novas opções. Para a hipertensão, por exemplo, temos pelo menos 12 tipos diferentes de fármacos, para diversos perfis de pacientes. Isso não existe para a obesidade. Mas vai existir.

E quais os efeitos das canetas a longo prazo?

Isso está sendo estudado. Todas essas dr**as são novas e ainda estão em fase quatro de estudos, que investiga alterações associadas ao uso prolongado por um número ainda maior de pessoas. Até agora não se tem evidência de efeitos nocivos signif**ativos.

Quem usa terá que manter as canetas para sempre?

É provável que sim. Porque elas controlam, mas não mudam o que nos faz ganhar peso. Não acho ser possível um desmame eficiente. Uma minoria pode conseguir, com disciplina na dieta e na atividade física. Mas a maioria voltará a engordar.

E quem usa as canetas por um tempo, para, e depois retorna?

O efeito é incerto. Mas nosso grupo está entre os que investigam os efeitos no corpo de pessoas que usam e para ciclicamente. Parece haver um efeito metabólico ruim. Mas os estudos estão em curso.

Por que essas dr**as são tão caras?

Porque as substâncias análogas de semaglutida, a essência das canetas, têm um processo de fabricação caro. A classe média, com o fim da patente da semaglutida no Brasil, poderá ter acesso a essas dr**as, mas para os pobres, elas continuarão inacessíveis.

A forma oral da semaglutida (em comprimidos) também poderá se tornar mais acessível?

Produzir a forma oral exige maior quantidade de semaglutida porque a maior parte dela é destruída pelo estômago, o que não acontece na injetável. Os comprimidos continuarão fora do alcance da baixa renda.

Comprovadamente, qual o melhor resultado possível com as dr**as existentes hoje?

Estudos mostram que, até o momento, é com a tirzepatida (nome comercial Mounjaro, mimetiza os hormônios GLP-1 e GIP). Leva à perda máxima de 20% do peso inicial. Mas isso signif**a que pessoas com IMC de 40 (obesidade grave), passam a 32. Porém, continuam com obesidade.

Que linha de tratamento poderia de fato levar à cura da obesidade?

O tratamento definitivo e curativo para obesidade seria uma terapia gênica que resultasse em redução da sensação de fome e aumento do gasto energético. Teoricamente, seria possível, pois já conhecemos os genes que controlam ambos, a fome e o gasto energético.

Como será a escola de obesidade que o senhor organiza?

A obesidade é uma doença crônica e sistêmica. Afeta todo o organismo. Precisamos qualif**ar ainda mais nossos pesquisadores e profissionais de saúde. O objetivo é selecionar alunos de doutorado e pós-doutorado do Brasil de várias áreas para treinamento com especialistas brasileiros e estrangeiros de numerosas áreas do conhecimento. O conteúdo incluirá aspectos epidemiológicos, nutrição, genética, epigenética, aspectos moleculares, celulares e avanços em intervenções preventivas e terapêuticas.

Para coordenador do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades da Unicamp, medicamentos são uma solução no nível individual, para quem pode pagar, e quando usadas da forma certa

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