Dra. Gizela Kelmann Geriatra

Dra. Gizela Kelmann Geriatra Dra. Gizela Kelmann é médica geriatra e atua em Santos, no Litoral Paulista.
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05/09/2026

3 atitudes que eu evito nas fases mais avançadas das demências. Entender a mudança de foco do cuidado alivia o peso para os familiares e traz conforto para o paciente.

02/09/2026

A insônia persistente na demência costuma refletir disfunção circadiana primária do próprio cérebro, e não falha do medicamento em si. Na doença de Alzheimer e demências relacionadas, a neurodegeneração atinge diretamente os circuitos que regulam o ciclo sono-vigília — o núcleo supraquiasmático resultando em ritmos circadianos de baixa amplitude, fragmentação do sono noturno, sonolência diurna excessiva, atraso de fase e o clássico "sundowning".

31/08/2026

Critérios de cuidados paliativos baseados na doença:

Estágio da demência: a maioria dos estudos recomenda encaminhamento na demência avançada; alguns critérios (sintomas físicos refratários, sofrimento psicológico grave) já se aplicam no estágio moderado. 

Demência de progressão rápida (ex.: doença priônica) ou de início precoce (10% do peso em 6 meses ou albumina

Se você convive com uma pessoa com Alzheimer, talvez já tenha pensado isso:“Se ela consegue fazer isso, por que não cons...
25/08/2026

Se você convive com uma pessoa com Alzheimer, talvez já tenha pensado isso:

“Se ela consegue fazer isso, por que não consegue fazer aquilo?”

“Se ontem ela entendeu, por que hoje está dizendo que não sabe?”

“Ela sabe muito bem o que está fazendo. Está fazendo só para me irritar.”

Mas e se eu te disser que, muitas vezes, não é provocação. É a própria doença.

Nas fases iniciais e moderadas do Alzheimer, a capacidade da pessoa pode parecer muito contraditória. Ela pode conversar bem em determinado momento, lembrar de uma história antiga, fazer uma atividade que realiza há décadas e até argumentar sobre alguma coisa.

E, poucos minutos depois, diante de uma situação diferente, uma orientação nova ou uma tarefa mais complexa, simplesmente não conseguir fazer.

Algumas capacidades permanecem preservadas por mais tempo, enquanto outras já estão comprometidas.

A pessoa pode não conseguir aprender uma orientação nova, mas continuar sabendo preparar uma receita que faz há 30 anos.

Pode não compreender uma explicação sobre a própria doença, mas contar com detalhes uma história da juventude.

E existe outro detalhe importante: o desempenho também pode variar.

Cansaço, ansiedade, excesso de estímulos, ambiente desconhecido, horário do dia e dificuldade da tarefa podem fazer uma habilidade que ainda existe ficar muito mais difícil de acessar.

É aí que nasce uma das maiores armadilhas para a família: A pessoa consegue fazer uma coisa e não consegue fazer outra. Então pensamos: “Ela pode. Só não quer.” Mas, na demência, isso pode ser completamente falso.

Muitas vezes, não existe uma estratégia para manipular, provocar ou desafiar o cuidador. Existe um cérebro doente tentando funcionar com as capacidades que ainda possui.

E isso também explica por que discutir, insistir ou dizer “mas você sabe fazer!” geralmente não ajuda.

Para a pessoa com Alzheimer, aquilo que parece uma escolha deliberada para você pode ser, naquele momento, uma tarefa que realmente ultrapassou a capacidade dela.

A doença faz a pessoa perder algumas capacidades enquanto mantém outras por bastante tempo. E é isso que torna o Alzheimer tão difícil de compreender para quem está de fora.

24/08/2026

Três sinais práticos de alerta para a fase moderada:

Dependência para autocuidado básico: dificuldade para tomar banho, escolher roupas apropriadas ao clima/ocasião ou vestir-se corretamente, exigindo supervisão ou ajuda direta. 

Piora comportamental e neuropsiquiátrica: surgimento ou intensificação de agitação, apatia, delírios, alucinações, insônia e desinibição, que se tornam mais frequentes e intensos nessa fase.

Funcionamento mínimo fora do ambiente domiciliar: incapacidade de sair sozinho com segurança, perda de senso de orientação espacial/temporal mais consistente, e piora funcional documentada por escalas que se torna mais acentuada que na fase leve.

21/08/2026

A apatia costuma incomodar mais quem cuida do que quem tem a demência. Em estudos com pacientes e cuidadores, a apatia foi um dos três sintomas mais associados a sobrecarga do cuidador (atrás de depressão e agitação/agressividade), e em algumas coortes foi o fator mais fortemente correlacionado com sobrecarga entre todos os sintomas comportamentais. Isso ocorre porque o paciente, por definição, tem embotamento emocional e falta de iniciativa — ele não "sofre" com a própria inércia da mesma forma que o cuidador sofre ao testemunhá-la.

17/08/2026

3 curiosidades sobre a quetiapina que pouca gente sabe:
A quetiapina é um daqueles medicamentos que parecem simples, mas têm uma farmacologia bem interessante. E tem três coisas que eu acho importante saber, principalmente quando ela é usada em idosos.

16/08/2026

Imagina uma pessoa que passou a vida sendo independente, cuidando da própria casa, trabalhando, tomando suas decisões e organizando a própria rotina.

Agora, por causa da demência, os filhos começam a dizer:
“Você não pode mais fazer isso.”

“Você não pode sair sozinha.”

“Você está confundindo as coisas.”
Para nós, pode parecer apenas uma tentativa de ajudar. Para ela, pode ser uma sensação de que querem tirar sua autonomia pelo fato de ter envelhecido. Pq  muitas pessoas com demência não percebem claramente os próprios déficits.

12/08/2026

“Doutora, meu pai vive com infecção de urina!”
Quase toda semana eu recebo uma mensagem parecida:
“Doutora, saiu o exame de urina. Está cheio de bactérias, deu nitrito positivo, tem muitos leucócitos... Ele está com infecção? Precisa começar antibiótico urgente?”
E antes de olhar para o resultado do exame, eu faço uma pergunta:
“Ele está com sintomas urinários?”

10/08/2026

Para Alzheimer, donepezila, rivastigmina e galantamina têm eficácia muito semelhante.

Na demência por corpos de Lewy e na demência da doença de Parkinson, prefiro rivastigmina ou donepezila, pois há mais estudos mostrando benefício.

O adesivo de rivastigmina é uma ótima alternativa quando há muitos efeitos gastrointestinais.

Antes de iniciar qualquer um deles, é importante avaliar o coração, revisar os outros medicamentos em uso e acompanhar possíveis efeitos colaterais.

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