15/05/2026
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🇧🇷 Quem se irrita com o Brasil “de cabeça para baixo” provavelmente não entendeu uma das primeiras lições da geografia: norte para cima não é uma lei da natureza, é apenas uma convenção cartográfica.
A Terra é uma esfera. No espaço, não existe “em cima” ou “embaixo”. Norte, Sul, Leste e Oeste são apenas referenciais criados para facilitar localização e orientação. Por isso, virar o mapa do Brasil não muda absolutamente nada: os estados continuam no mesmo lugar, as fronteiras permanecem iguais e o país segue exatamente o mesmo.
O que muda é apenas a forma como enxergamos a representação do espaço.
Mapas não são o mundo real, mas representações dele. E toda representação envolve escolhas técnicas, culturais e históricas. Durante séculos, os mapas produzidos majoritariamente na Europa colocaram o Norte na parte superior, consolidando essa visão como “natural”. Alguns estudiosos apontam que isso também ajudou a reforçar simbolicamente uma ideia de superioridade do Norte global sobre os países do Sul.
Existe inclusive um viés psicológico associado a isso: muitas pessoas tendem a relacionar o que está “em cima” com riqueza, desenvolvimento e poder, enquanto associam o que está “embaixo” à pobreza ou inferioridade. Não por acaso, diversos países do hemisfério sul já questionaram essa lógica ao longo do tempo.
Recentemente, o IBGE publicou novas versões do mapa-múndi com o Brasil no centro e também em perspectiva invertida. Nenhuma dessas representações está “errada”. São apenas diferentes formas de representar o planeta dentro das convenções cartográficas aceitas pela ciência.
Outro ponto importante: todo mapa possui distorções. A Terra tem formato geoidal, arredondado, e transformar uma esfera em uma superfície plana exige adaptações. Por isso existem diferentes projeções cartográficas, como a projeção de Robinson, muito usada em livros didáticos justamente por buscar maior equilíbrio entre forma e área dos continentes.
Geografia é ciência, não opinião.
Entender que mapas são convenções e representações é o básico para compreender o mundo de forma crítica e menos limitada por costumes que muita gente aceita sem questionar.