15/03/2024
Quando criança, eu queria me tornar cientista para descobrir a cura da Distrofia Muscular de Duchenne, uma doença neuromuscular genética, progressiva e sem cura (até o momento), da qual meu irmão mais velho era portador.
Os anos passaram, ele se foi aos meus 12 anos e eu não me tornei uma geneticista para descobrir a cura da Duchenne. Porém mantive em mim o desejo de trabalhar com saúde e cura, vi nos nutrientes um caminho para isso e então me tornei nutricionista. Me apaixonei pelo poder dos alimentos e consegui juntar com outra paixão: a alegria e sensibilidade das crianças.
Em algum momento, algo desandou… eu abracei cada criança, cada mãe e cada família que cruzou meu caminho, eu tentei salvar todo mundo, mas não tinha braços suficientes. E obviamente não foi possível, ora porque alguém não estava pronto para o processo, ora porque eu não podia viver o processo pelo outro.
Resultado? Cobrança, frustração, sensação de incapacidade. Burnout.
Aí foi momento de mergulhar em mim, de sair do papel de salvadora e assumir que eu posso apenas ajudar a enxergar os caminhos, oferecer ferramentas, acolhimento e, se possível, dar as mãos e caminhar junto por um período.
Não foi fácil, mas hoje me sinto mais segura para estabelecer e aceitar meus limites e assumir minha autenticidade na forma de ver e viver a nutrição.
O que quero deixar de lição é que você não precisa ser a salvadora da sua família, dos seus filhos, ou do que for. Você pode ser caminho, pode ser apoio, pode ser amor sim, mas não se deixe esgotar, não se deixe esvaziar. Nutra seu corpo e sua alma para depois nutrir quem ou o que você ama.