Erika Alvarenga

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Erika Alvarenga Olá, sou a Érika! Meu trabalho é pautado em características individuais. Acredito no alimento 👩🏻‍🌾

A saúde acontece todos os dias, com pequenas atitudes que praticamos diariamente. A ênfase dada, auxilia a mudança do estilo de vida e comportamento alimentar, com ferramentas necessárias para o cotidiano alimentar.

03/09/2026

Energéticos em excesso trazem riscos cardíacos aos mais jovens, alerta especialista

“Síndrome de Holiday” é quadro de arritmia que aparece após consumo de estimulantes e álcool.

Consumir bebidas energéticas tornou-se comum para muitos brasileiros, especialmente jovens e adultos que buscam mais disposição para estudar, trabalhar e dar conta de rotinas cada vez mais aceleradas. Apesar de ser considerado seguro por muitas pessoas, alguns riscos, associados principalmente ao consumo em excesso, precisam ser levados em consideração.

Temos que lembrar que esses produtos contêm substâncias estimulantes como cafeína, taurina, guaraná e açúcar em altas concentrações. E, embora promovam sensação de alerta e redução do cansaço momentâneo, seu uso excessivo pode trazer sérios riscos à saúde cardiovascular.

Alguns dos sintomas são o aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial e maior demanda de oxigênio pelo coração. No caso de pessoas predispostas à determinadas doenças, isso pode até desencadear arritmias cardíacas, palpitações e, em situações mais graves, contribuir para eventos como infarto e morte súbita.

Dados da consultoria Kantar mostram que, entre setembro de 2023 e o mesmo mês de 2024, as bebidas energéticas ganharam 22 milhões de novos consumidores, alcançando 38% dos lares brasileiros. Com a popularização, é importante que as pessoas tenham consciência dos riscos e aprendam que estas são bebidas que precisam ser consumidas com moderação. Existem casos de pacientes que praticamente substituem a água pelo energético. Isso representa um alto risco para o coração.

A fibrilação atrial, por exemplo, que é um tipo de arritmia mais comum em pacientes idosos tem acometido pessoas mais jovens. Normalmente, isso ocorre por excesso de estimulantes, que podem ser remédios ou bebidas energéticas. Essa estimulação desproporcional tem antecipado quadros cardíacos em pessoas de menos idade.

Energético e álcool

Outro ponto que merece atenção é a mistura de energéticos com álcool. Essa combinação pode mascarar a sensação de embriaguez, incentivando o consumo excessivo e sobrecarregando ainda mais o sistema cardiovascular.

É bastante comum casos de pacientes que passaram o fim de semana em festas, consumindo energéticos e bebidas alcóolicas, e que precisam de atendimento médico para arritmias. Uma condição conhecida como ‘Síndrome de Holiday’. Como os corações dos mais jovens tendem a ser estruturalmente normais, esses pacientes acabam tolerando melhor a arritmia e, muitas vezes, só chegam ao médico quando o quadro já avançou, evoluindo para desmaios e até morte súbita.

A recomendação para a saúde do coração é sempre a moderação, além da adoção de hábitos de alimentação saudável e rotina de exercícios.

Fonte
Dr. Ricardo Ferreira Silva - Graduado em medicina pela Universidade de Uberaba (MG). Fez residência em Cardiologia pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Especialista em Estimulação Cardíaca Artificial e Arritmia Clínica no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese de São Paulo. Especialização em eletrofisiologia clínica e invasiva no Hospital do Coração de São Paulo. Doutor pela Universidade de São Paulo (USP). Hoje, está presente também dentro de hospitais como Beneficência Portuguesa, Samaritano e São Camilo – em São Paulo.

Veja mais em www.nutricaoempauta.com.br

03/03/2026
03/03/2026

Cuidado Nutricional de Crianças com Transtorno do Espectro Autista: Uma Perspectiva pelo Olhar dos Pais e Responsáveis

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é descrito por ser um transtorno do neurodesenvolvimento com déficit persistente na capacidade de comunicação, interação e reciprocidade social; comportamentos não verbais de comunicação usados para interação social, além da presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesse ou atividades, conforme designado pela American Psychiatric Association no último Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR de 2023. Segundo dados de 2020, nos Estados Unidos, a prevalência era de uma criança aos 8 anos de idade com TEA para cada 36 crianças com oito anos de idade em 2020.
Embora não conste no conjunto de comportamentos característicos do TEA, manifestações inadequadas relacionadas direta ou indiretamente com a alimentação estão presentes em 30 a 90% dos casos, sendo as mais comuns a seletividade alimentar e as alterações gastrointestinais.
Essa demanda é bastante conflitante, principalmente para pais e responsáveis de crianças dentro do espectro, pois precisam lidar com o desconhecido, alterações na dinâmica familiar, eventos e experiências familiares estressantes, maiores gastos financeiros e ainda com a tentativa de buscar conhecimento, ajuda e melhores condições de tratamentos para o desenvolvimento destas crianças o mais cedo possível.
Estudos mostraram que intervenções de baixa intensidade, que orientam os pais sobre como interagir com seus filhos pequenos com TEA, podem resultar em efeitos imediatos no comportamento social e na comunicação das crianças.
O número crescente de diagnósticos de TEA nos últimos anos tem despertado a atenção para novas necessidades e abordagens deste público. Isso demonstra o quanto famílias, profissionais, sociedade e demais órgãos devem se aprimorar em estratégias de inclusão.
Pensando na problemática relatada e levando em conta as diversas dificuldades, possivelmente enfrentadas pelos pais ou responsáveis, no que se aplica a todos os cuidados de crianças com TEA, é necessário ouvir essas famílias para o embasamento de assistência nutricional e atendimento multiprofissional efetivo para melhor qualidade na alimentação.
Diante do exposto, o objetivo deste estudo é conhecer a percepção dos pais ou responsáveis de crianças com TEA em relação aos aspectos alimentares e nutricionais caracterizando brevemente esse grupo de familiares e investigando os possíveis desafios enfrentados relacionados à alimentação.
Foi realizado um estudo quali-quantitativo com participantes do Projeto Dino (Associação de Amparo às Mães de Crianças Autistas), grupo de apoio localizado na cidade de São Paulo, com foco principal ao acolhimento de mães de crianças neurodivergentes, atualmente abrangendo pais e outros responsáveis por crianças previamente diagnosticadas com TEA. A instituição atende até o momento cerca de 80 famílias, em sua maioria de condição socioeconômica baixa, contando com empresas parceiras e profissionais voluntários na área de neuropediatria, psicologia, direito e nutrição, com dicas, informações, acolhimento, roda de conversa, ações e eventos sociais e em alguns casos atendimentos profissionais individualizados. As rodas de conversas do projeto acontecem de forma online e o principal meio de comunicação entre eles se dá por mídias e redes sociais com encontros presenciais esporádicos.
A amostra do estudo foi caracterizada como de conveniência e seu tamanho considerou o critério de saturação de respostas. Quanto a elegibilidade, para inclusão na pesquisa, o critério foi de ser pai/mãe ou responsável de crianças de 2 até 6 anos de idade, de ambos os s**os, com diagnóstico de TEA que se alimentassem por via oral e que fossem participantes do Projeto Dino. Foram excluídas as crianças com síndromes raras ou síndrome de Down associadas ao TEA.
O estudo foi realizado por meio de entrevista online com perguntas semiestruturadas em parte fechadas, para melhor caracterização de amostra e outras perguntas abertas.
As entrevistas compostas por perguntas semiestruturadas aconteceram com 19 integrantes, sobre a alimentação de 20 crianças, pois houve a participação de irmãs gêmeas e uma única responsável respondeu sobre ambas. Todas as respondentes foram mulheres, dezoito mães e uma avó. A avó morava com a criança e neste caso era a familiar ligada ao Projeto Dino.
A caracterização da amostra mostrou que a faixa etária média das mães no nascimento da criança, excluindo da média o caso da participante avó, foi de 30,5 anos (DP±6,4). Na data da entrevista apenas nove participantes possuíam nível técnico ou superior concluídos. Onze participantes eram ativas no mercado de trabalho, não necessariamente em sua área de atuação profissional, sendo que oito destinavam cuidados exclusivos para a criança e família.
Na ocasião da entrevista, conforme respostas das participantes, treze famílias residiam na Zona Sul de São Paulo, cinco na Zona Oeste e uma na Zona Leste. Ainda sobre moradia, as participantes responderam sobre o número de pessoas que moravam na mesma casa e o resultado mostrou que maior parte das crianças convivia com os pais e irmãos. Em 14 casos, a composição familiar era formada por mãe, pai, criança com TEA somente ou com mais irmãos ou avós. Nas outras cinco famílias as mães eram as responsáveis pela casa e pela criança, assumindo uma atividade solo.
Em relação às características das crianças, a média de idade da amostra foi de 4,5 anos (DP±1,1) e predominância do s**o masculino (n=14).
Uma das crianças teve o diagnóstico de TEA antes dos 12 meses de vida, relatado pela mãe como descoberta precoce devido quadro de prematuridade e dificuldade de atingir marcos de desenvolvimento desde o nascimento. Embora o TEA possa ser identificado até um ano de idade, a maioria das crianças não é diagnosticada até serem anos mais velhas. Quatro crianças obtiveram diagnóstico entre os 37 e 48 meses. Seis crianças tiveram o laudo próximo dos 23 meses de vida e a maioria das participantes, nesta circunstância, relataram que a fala dificultada ou ausência dela foi o que mais despertou atenção para a busca de ajuda. Em nove casos o diagnóstico de TEA foi obtido quando as crianças tinham de 24 a 36 meses de vida.
Falando sobre a comunicação verbal, este fator se apresentou demasiadamente importante, na perspectiva das participantes, para independência e melhor desenvolvimento da criança com TEA. As dificuldades de relacionamento, comportamentos e interação do filho levam as mães a evitarem diversos ambientes e saídas com as crianças devido difícil socialização e aceitação por parte da sociedade.
Os resultados desta pesquisa mostram alta adesão das famílias ao tratamento farmacológico (n=14) para controle de comportamentos disruptivos e das terapias multidisciplinares (n=16), que inclusive foram apontadas pelas participantes, como componente auxiliar para comunicação verbal das crianças com TEA, observou-se que somente quatro crianças não desenvolviam a fala. Entre as famílias que participaram do estudo, 80% sinalizaram o acompanhamento terapêutico com equipe multidisciplinar para desenvolvimento de habilidades das crianças com TEA. Conforme a pesquisa, quatro crianças que não fazem acompanhamento terapêutico são pertencentes às famílias em que as mães possuem menor grau de escolaridade, situação que também coincidiu com a inexistência do atendimento nutricional, sugerindo que, neste estudo, a adesão diminuída aos tratamentos pode estar relacionada com a baixa escolaridade dos responsáveis e limitação nas finanças. É interessante observar que entre as terapias realizadas, o acompanhamento nutricional era feito somente por seis crianças, inclusive em decorrência do atendimento voluntário por nutricionista do Projeto Dino. Outras duas mães relataram que a criança havia recebido atendimento nutricional, porém as profissionais não trabalhavam com casos de TEA e por isso não foi dado continuidade no tratamento, e dois relatos demonstraram inacessibilidade de atendimento nutricional devido questões financeiras. Este fator pode sugerir que o baixo consumo de suplementos alimentares esteja associado ao desconhecimento desses produtos pelas mães, consequentemente com ausência de recomendação nutricional, em casos necessários, visto que a maioria das famílias não tinha esse atendimento. Embora o TEA seja considerado um distúrbio biológico, ele é tratado principalmente por meio de educação e terapias comportamentais, tendo a medicação como um importante facilitador.
No presente estudo 70% das crianças fazem uso de medicamento para controle dos sintomas relacionados ao TEA. Risperidona que é um dos medicamentos mais utilizados, foi liberado para uso no TEA devido sua atuação nos sintomas de irritabilidade e agressividade O tratamento medicamentoso, apesar de ser considerado benéfico, também precisa ser avaliado devido seus efeitos colaterais, neste caso como apatia, aumento de salivação, aumento de apetite, ganho de peso. Isto coincide com as indicações de uso relatadas pelas participantes para utilização da risperidona e casos de ganho de peso excessivo (n=3) onde foi necessário realizar a troca do medicamento.
Outros medicamentos citados na pesquisa foram a melatonina e canabidiol. A recomendação da melatonina se dá para auxiliar no controle dos distúrbios de sono e melhorar o comportamento no decorrer do dia com efeitos colaterais mínimos. Utilizada por três crianças com TEA da amostra, a melatonina foi indicada para melhora da insônia e não apresentou efeitos adversos nestas crianças. O canabidiol, presente em espécies do gênero Cannabis, tem sido estudado como alternativa para tratamento de sintomas associados ao TEA visto sua modulação nas respostas socioemocionais, cognição, melhora de convulsões e plasticidade neuronal. Foi indicado para uso das crianças da amostra deste estudo principalmente devido agitação e baixa concentração nas atividades.
Com relação as comorbidades relatadas neste estudo, observa-se a alergia alimentar (alergia a proteína do leite de vaca, intolerância à lactose e alergia a amendoim) e alergia de pele (dermatite) como as mais citadas nas crianças estudadas (n=7). É possível que nem todas as participantes tenham associado, no momento da entrevista, a palavra comorbidades aos prejuízos gastrointestinais e por isso não tenham sido sinalizados esses problemas na mesma proporção que a literatura refere variando cerca de 9 a 91% de problemas gastrointestinais relacionados ao TEA.
Para a construção do Discurso do Sujeito Coletivo sobre o momento da refeição, as participantes responderam à seguinte pergunta: “Conte sobre um momento de refeição com a criança e quais comportamentos ela apresenta.”
A partir das respostas foram destacadas a seletividade e compulsão alimentar, os comportamentos disruptivos, baixa ingestão de alimentos considerados saudáveis, consumo elevado de alimentos ultraprocessados, hipersensibilidade sensorial e emoções e percepções dos familiares como os assuntos mais respondidos pelas participantes.
Assim como foi perceptível no estudo, a literatura mostra que entre as circunstâncias vivenciadas constantemente pelas famílias em relação a alimentação estão a escolha limitada de alimentos, recusa de frutas, verduras e legumes com preferências por alimentos de marcas específicas, comportamentos agressivos, horários e liturgias rígidas, dificuldade de sentar-se ao redor da mesa e pouca interação interpessoal.
Na pergunta seguinte da entrevista as participantes responderam: “Existe alguma preocupação relacionada à alimentação/nutrição de seus filhos?” e suas respostas geraram a Ideia Central e o Discurso do Sujeito Coletivo.
Na percepção das entrevistadas, houve relato em relação a preocupações com a ausência de nutrientes necessários para um crescimento saudável, problemas e doenças futuras, assim como, preocupação com o peso e imagem da criança.
A ingestão alimentar restrita realmente pode levar à deficiência nutricional se os tipos e variedade de alimentos permanecerem exclusivos, se tornando um perigo potencial à saúde, ascendendo para um risco de desenvolver desnutrição, raquitismo, obesidade, déficit de crescimento, problemas ósseos e baixo desempenho acadêmico. Da mesma forma, o excesso de nutrientes causado pela alimentação pouco variada e desordenada traz prejuízos à saúde da criança. Situações semelhantes foram observados na pesquisa ora nas crianças mais seletivas, ora naquelas que apresentavam um consumo mais compulsivo, por meio de restrição ou excesso de determinados alimentos e alimentação desordenada.
O peso corporal e imagem da criança com TEA também foi um assunto observado nas respostas das participantes da pesquisa.
Não obstante às dificuldades citadas no decorrer das perguntas semiestruturadas, e apesar das preocupações sobre alimentação relatadas pelas participantes, durante as entrevistas fatores econômicos foram fortemente reforçados como impeditivos indiretos de uma nutrição adequada para as crianças com TEA.
Uma parte das mães participantes, conforme citado anteriormente, não é atuante no mercado de trabalho, o que para as famílias dificulta o acesso a melhores condições financeiras para oferecer os tratamentos necessários para os seus filhos. Muitas mães, por exemplo, não conseguiram dar continuidade nos seus estudos, diminuindo possibilidades no âmbito profissional.
Em um único caso na pesquisa a mãe relatou que a criança não apresentava nenhum problema relacionado com a alimentação. Em três casos as participantes afirmaram que apesar da dificuldade com novos alimentos e de aceitação alimentar, procuravam ofertar alimentos de boa procedência e não ceder sempre ao apelo das crianças quando se tratava de pedidos de alimentos ultraprocessados. Como reforço positivo duas mães contaram na entrevista, que em família, decidiram por se alimentar juntos ao redor da mesa, sem o uso de telas ou outros entretenimentos e com o tempo esse hábito foi fixado sendo que até a data da entrevista acontecia de forma tranquila. Uma destas mães inclusive destacou a participação da criança com o pai no preparo das refeições, o que segundo ela, melhorou a rotina e hábito alimentar da criança.
Por isso é necessário informar que embora condições como sensibilidade sensorial e outros possam afetar a escolha alimentar da criança com TEA, fatores ambientais também podem ser determinantes, seja no reforço da seletividade alimentar ou a favor de uma alimentação mais saudável e diversificada. As narrativas desse estudo citado sugeriram que as crianças com TEA usavam comportamentos inadequados para garantir que conseguissem o que queriam comer e rejeitar tudo o que não queriam ou algum alimento novo. O receio da mãe, de acordo com seus próprios relatos, de que o filho não comesse nada, a obrigava permitir que a criança consumisse qualquer coisa. Dessa maneira, dependendo das preferências da criança e das atitudes da família, um ciclo vicioso podia ser instalado na dinâmica alimentar.
É interessante observar que no presente estudo, as mudanças positivas geradas dentro do próprio ambiente familiar, no decorrer do tempo tiveram respostas assertivas para alteração benéfica de comportamento das crianças com TEA, o que realmente sugere que intervenções realizadas com constância pelos familiares tem sua efetividade.
Isso condiz com as recomendações do Guia Alimentar da População Brasileira (2014), que enfatizam a importância da comensalidade, ou seja, realizar as refeições em horários mais regrados sem desenvolver outras atividades ao mesmo tempo, dando atenção para o momento da alimentação sem o uso de telas; propiciar local adequado e confortável sem a disponibilidade ilimitada de alimentos; comer em companhia, ao redor da mesa, priorizando alimentos in natura ao invés de ultraprocessados, participando de todos os momentos que antecedem e até mesmo sucedem a refeição compartilhando experiências em cada uma destas etapas.
Diante do exposto na pesquisa, percebe-se a necessidade de mais estudos que abordam aspectos e intervenções nutricionais no TEA mais precoces assim como é visto nas demais áreas profissionais. Um alerta é necessário para que outros fatores que possam influenciar a alimentação sejam abordados de modo que não impeçam uma nutrição adequada. Como resultado positivo a pesquisa possibilitou conhecer sobre os cuidados nutricionais reais por meio das narrativas das principais responsáveis por esse momento e inclusive saber quais são as estratégias adotadas por elas para futuras intervenções de forma mais direcionada.
Com a fala das responsáveis foi perceptível que fazem parte do cotidiano os problemas nos momentos de refeição devido comportamentos seletivos, de compulsão, rigidez ou disruptivos e em sua maioria, alimentação pobre de nutrientes necessários para o desenvolvimento da criança com TEA. Além dos aspectos nutricionais, as famílias por vezes enfrentam dificuldades financeiras pelos altos custos com tratamento, questões sociais e emocionais relevantes que impactam indiretamente na alimentação. F**a evidente a necessidade e importância de atendimento nutricional qualificado para atuar com famílias de pessoas com TEA. Com profissionais mais preparados e acessíveis é possível maior abrangência de conhecimento alimentar e nutricional por parte dos familiares sobre como lidar diante de fatores negativos, amenizar os comportamentos inadequados citados nas refeições e minimizar doenças futuras.

Patrícia da Silva Baptistucci – Nutricionista
Profa. Fernanda Ferreira Corrêa – Nutricionista. Docente do Centro Universitário São Camilo – SP.
Profa. Adriana Garcia Peloggia de Castro – Nutricionista. Docente do Centro Universitário São Camilo – SP.

Veja o artigo completo com bibliografia e tabelas em www.nutricaoempauta.com.br, edição dez2025.

03/03/2026

Jejum Intermitente, seus Efeitos no Metabolismo e Implicações para a Nutrição Clínica

O jejum intermitente (JI) tem se consolidado nas últimas décadas como uma estratégia alimentar de crescente interesse científico, especialmente no contexto da prevenção e do manejo de distúrbios cardiometabólicos. Tal expansão decorre, principalmente, do aumento da prevalência de obesidade, diabetes tipo 2 e demais doenças crônicas não transmissíveis, que configuram importantes desafios para a saúde pública contemporânea.
Evidências recentes indicam que o JI é capaz de promover adaptações metabólicas relevantes, incluindo melhora da sensibilidade à insulina, otimização do metabolismo energético e redução de marcadores inflamatórios sistêmicos. Além dos efeitos metabólicos clássicos, pesquisas contemporâneas destacam que períodos programados de abstinência alimentar podem modular vias celulares essenciais, como a ativação da autofagia, mecanismo fundamental para a manutenção da homeostase e da integridade celular. Esses efeitos são particularmente importantes diante do padrão alimentar moderno, frequentemente caracterizado por elevado consumo calórico, baixa qualidade nutricional e predisposição a disfunções metabólicas.
Paralelamente, alguns estudos vêm explorando o impacto do JI sobre aspectos psicológicos e comportamentais, sugerindo possíveis melhorias no humor e na resposta ao estresse. Contudo, também são descritos efeitos adversos, especialmente quando a prática é realizada sem orientação profissional adequada, podendo resultar em desequilíbrios hormonais, déficits nutricionais ou impactos negativos sobre a saúde mental.
Diante do avanço das investigações científicas sobre o tema e da necessidade de integrar achados atualizados e consistentes, este estudo tem como objetivo revisar narrativamente a literatura recente acerca dos efeitos do jejum intermitente no metabolismo humano, discutindo suas implicações clínicas, potenciais benefícios, limitações e riscos, a fim de subsidiar sua aplicabilidade segura e embasada na prática da nutrição clínica.
Os estudos incluídos nesta revisão narrativa evidenciaram efeitos expressivos do jejum intermitente (JI) sobre diferentes parâmetros metabólicos, particularmente no controle glicêmico, no metabolismo lipídico e na composição corporal. De modo geral, observou-se melhora significativa da sensibilidade à insulina, redução de adiposidade corporal e modulação favorável do perfil lipídico, com diminuição dos níveis séricos de LDL e triglicerídeos e elevação do HDL.
A análise agregada dos estudos também demonstrou aumento da oxidação de ácidos graxos e maior ativação da cetogênese, indicando uma transição metabólica eficaz do uso de glicose para o uso de lipídios como fonte primária de energia. Além disso, houve destaque para a ativação da autofagia como um processo crucial para a manutenção da integridade celular, reduzindo o estresse oxidativo e favorecendo a renovação de estruturas intracelulares danificadas.
Entretanto, alguns trabalhos relataram efeitos adversos associados ao JI, especialmente quando conduzido sem monitoramento profissional. Entre os efeitos indesejáveis mais citados estão fadiga, irritabilidade, cefaleias, alterações gastrointestinais e flutuações no humor. Observou-se ainda que a resposta ao JI varia amplamente entre indivíduos, influenciada por fatores como tipo de protocolo utilizado, rotina alimentar, estado clínico e nível de atividade física.
Os achados desta revisão corroboram resultados amplamente descritos na literatura recente, indicando que o jejum intermitente (JI) exerce efeitos metabólicos significativos, especialmente na melhora da sensibilidade à insulina, na modulação hormonal e na redução de marcadores inflamatórios. Estudos ressaltam que a alternância entre períodos de alimentação e abstinência promove adaptações metabólicas importantes, incluindo aumento da eficiência mitocondrial e ativação de vias celulares relacionadas à longevidade. Esses mecanismos ajudam a explicar os efeitos benéficos observados nos parâmetros cardiometabólicos.
Pesquisas recentes também apontam que o JI influencia de forma direta a utilização de substratos energéticos, favorecendo o aumento da oxidação de ácidos graxos e a produção de corpos cetônicos, o que contribui para a redução da gordura corporal e melhora do perfil lipídico. Foram demonstradas reduções significativas em LDL, triglicerídeos e marcadores inflamatórios após intervenções baseadas no JI, que também observaram melhorias na circunferência abdominal, pressão arterial e sensibilidade à insulina. Além dos efeitos metabólicos, destacam-se a ativação da autofagia como processo central para a resposta adaptativa ao jejum, contribuindo para a remoção de organelas danificadas e redução do estresse oxidativo. Esses achados reforçam o potencial do JI como prática promotora de integridade celular e equilíbrio metabólico.
Contudo, apesar dos benefícios descritos, alguns estudos identificaram variações significativas na resposta metabólica conforme o protocolo adotado, condição clínica e estilo de vida dos participantes e chamam atenção para efeitos adversos observados em algumas populações, incluindo alterações gastrointestinais, fadiga, irritabilidade, impacto no humor e possíveis danos celulares quando o jejum é conduzido de forma inadequada.
Outra limitação importante encontrada nos estudos analisados refere-se à heterogeneidade metodológica entre os protocolos de JI, a curta duração das intervenções e ao tamanho reduzido das amostras, dificultando comparações diretas e a generalização das conclusões. Destacando-se a necessidade de ensaios clínicos de longo prazo, com padronização dos métodos e acompanhamento contínuo, para consolidar as evidências disponíveis.
Diante disso, a discussão evidencia que o JI apresenta potencial terapêutico relevante na prática clínica nutricional, desde que aplicado de forma individualizada e sob monitoramento profissional. Embora os resultados apontem benefícios consistentes sobre parâmetros metabólicos, a adoção da prática deve considerar fatores como perfil clínico, estado nutricional, rotina, histórico de comportamento alimentar e possíveis contraindicações. Assim, reforça-se a necessidade de estudos metodologicamente robustos e de longa duração para ampliar a compreensão sobre a segurança, eficácia e aplicabilidade do jejum intermitente em diferentes grupos populacionais.
A presente revisão narrativa demonstra que o jejum intermitente (JI) se configura como uma estratégia nutricional promissora no manejo de alterações metabólicas, sobretudo pela capacidade de promover adaptações fisiológicas que favorecem a homeostase energética e a prevenção de doenças crônicas. Os estudos analisados apontam benefícios consistentes, tais como melhora da sensibilidade à insulina, redução da inflamação sistêmica, otimização do metabolismo lipídico e ativação de mecanismos celulares como a autofagia, que contribuem para a proteção e renovação das estruturas celulares.
A literatura também evidencia possíveis efeitos adversos associados ao uso inadequado da prática, incluindo fadiga, alterações gastrointestinais, impacto emocional e riscos nutricionais, especialmente em grupos vulneráveis. Esses aspectos dificultam a generalização dos achados e reforçam a necessidade de estudos clínicos mais robustos, controlados e de longo prazo, capazes de avaliar a segurança e a efetividade do JI em diferentes contextos e perfis populacionais.
Diante disso, conclui-se que o jejum intermitente pode ser incorporado como ferramenta auxiliar na prática clínica nutricional, desde que aplicado de forma criteriosa, embasada em evidências atualizadas e alinhada às necessidades e particularidades de cada paciente.

Autores:
Maiara Jaianne Bezerra Leal - Bacharel em Nutrição - UFPI. Especialista em Nutrição Materno Infantil/IPGS. Doutoranda em Alimentos e Nutrição - PPGAN-UFPI.
Darliene Souza Feitoza Novais; Luana Patrícia Carvalho e Silva - Graduandas em Bacharelado em Nutrição - Centro Universitário Unifacid Wyden Teresina-PI.
Diego Damasceno Paz - Bacharel em Nutrição - UFPI. Especialista em Nutrição Materno Infantil/IPGS. Mestrando em Antropologia PPGAnt-UFPI.
Juliana Maria Libório Eulálio - Bacharel em Nutrição - UFPI. Mestre em Alimentos e Nutrição PPGAN-UFPI.
Rodrigo Pereira Solon - Graduando em Bacharelado em Nutrição - Universidade Federal do Piauí – CSHNB

Veja artigo completo com bibliografia em www.nutricaoempauta.com.br, edição fev2026.

10/02/2026
10/02/2026
04/12/2025

Microbiota, intestino e emagrecimento: o trio pouco explorado que pode mudar tudo

A ciência revela que o segredo para emagrecer pode estar em um lugar inesperado: o intestino. Entenda como trilhões de microrganismos decidem se o seu corpo queima gordura ou a armazena.

Você faz dieta, treina, dorme bem, e mesmo assim o corpo parece não responder. A balança estagna, o inchaço persiste, o humor oscila.
A explicação pode não estar na força de vontade, mas no intestino.
Nos últimos anos, pesquisas científicas vêm mostrando que a microbiota intestinal, o ecossistema de trilhões de microrganismos que habitam o trato digestivo, é uma peça-chave para o controle do peso, do metabolismo e até do comportamento alimentar.
Em outras palavras, o intestino pode estar influenciando quanto você come, o quanto seu corpo absorve e o quanto ele gasta.

O segundo cérebro do corpo

O intestino é hoje considerado um verdadeiro “segundo cérebro”. Ele se comunica com o sistema nervoso central por meio do eixo intestino-cérebro, uma via bioquímica e neural que conecta emoções, metabolismo e microbiota.
Essa relação é tão intensa que mais de 90% da serotonina, o neurotransmissor do bem-estar, é produzida no intestino, e não no cérebro. Alterações no equilíbrio da microbiota afetam diretamente o humor, o apetite e o metabolismo. Um intestino inflamado ou desequilibrado pode gerar fadiga, compulsão alimentar e dificuldade para perder peso.

A microbiota que ajuda (ou atrapalha) o emagrecimento

Estudos mostram que a composição da microbiota intestinal é diferente em pessoas magras e em pessoas com sobrepeso.

As bactérias da família Firmicutes, por exemplo, conseguem extrair mais energia dos alimentos, enquanto as Bacteroidetes favorecem um metabolismo mais eficiente.
Quando há um desequilíbrio, chamado disbiose intestinal, ocorre aumento da inflamação sistêmica, alteração da sensibilidade à insulina e redução da capacidade do corpo de queimar gordura.
Um estudo publicado no Nature Microbiology demonstrou que pessoas com maior diversidade microbiana têm melhor resposta a dietas e maior perda de gordura corporal em comparação a quem tem microbiota pobre e inflamada.

Por que duas pessoas fazem a mesma dieta e só uma emagrece

A resposta pode estar na forma como o intestino de cada uma processa o alimento.
A microbiota regula a produção de ácidos graxos de cadeia curta (como o butirato), que modulam o apetite, o gasto energético e a inflamação.
Um intestino saudável mantém o metabolismo “acelerado” e o corpo sensível à insulina; já o desequilíbrio microbiano reduz essa eficiência, levando à estagnação metabólica, mesmo com restrição calórica.
Além disso, algumas bactérias produzem metabólitos que influenciam o sistema nervoso, alterando a percepção de saciedade e até os desejos alimentares. É por isso que muitas vezes o ‘comer emocional’ tem origem biológica, não psicológica. O intestino desregulado envia sinais errados ao cérebro.

Fatores que sabotam a microbiota e o emagrecimento
• Alimentação ultraprocessada: corantes, emulsificantes e conservantes destroem bactérias benéficas.
• Excesso de açúcar e álcool: alimenta microrganismos patogênicos e aumenta inflamação intestinal.
• Uso repetido de antibióticos e anti-inflamatórios: reduz a diversidade da flora intestinal.
• Estresse crônico e insônia: elevam o cortisol e alteram o eixo intestino-cérebro.
• Sedentarismo: reduz a motilidade intestinal e o equilíbrio da microbiota.

Cada um desses fatores, isoladamente, já é suficiente para prejudicar o metabolismo; juntos, tornam o intestino um verdadeiro “travão metabólico”.

Como restaurar a saúde intestinal e reativar o metabolismo

Não existem soluções rápidas, mas há estratégias sólidas para reconstruir uma microbiota saudável:
1. Aumentar o consumo de fibras e prebióticos, presentes em frutas, verduras, aveia, linhaça, feijões e leguminosas.
2. Incluir alimentos fermentados naturais, como kefir, iogurte integral, chucrute e kombucha.
3. Priorizar proteínas magras e reduzir açúcares simples, que alimentam bactérias ruins.
4. Dormir bem e controlar o estresse, restaurando o eixo intestino-cérebro.
5. Praticar atividade física regular, que estimula a diversidade microbiana.
6. Avaliar a necessidade de probióticos, sempre com orientação médica, pois cada cepa tem função específica.

O intestino feminino: um capítulo à parte

Nas mulheres, essa conexão é ainda mais complexa. Oscilações hormonais durante o ciclo menstrual, gravidez e menopausa alteram a composição da microbiota intestinal e vaginal, impactando metabolismo, humor e acúmulo de gordura.

A microbiota e os hormônios estão em diálogo constante. Quando o intestino está desequilibrado, ele afeta o metabolismo de estrogênio e testosterona, o que pode dificultar o emagrecimento e até intensificar sintomas da TPM e da menopausa”. Por isso, estratégias de emagrecimento eficazes para mulheres precisam integrar equilíbrio hormonal + saúde intestinal + estilo de vida.

Cuidar da microbiota é, hoje, um dos pilares mais promissores para quem busca emagrecer com saúde e manter resultados duradouros. “Quando a alimentação, o sono, o estresse e os hormônios se alinham, o corpo volta a responder. E o intestino, que antes sabotava silenciosamente, passa a ser o maior aliado do equilíbrio e da leveza.

Fonte
Dr. Arthur Victor de Carvalho - Médico especialista em nutrologia e saúde metabólica.

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