08/07/2026
A FALSA IDEIA DO “CÉREBRO DEPRIMIDO”
Há alguns dias circulou um excerto de uma conferência realizada em Girona pelo Dr. José Luis Marín, médico psiquiatra, com um título que, por si só, representa uma declaração de princípios: “A saúde mental não existe. Existe apenas a saúde.”
Em primeiro lugar, é importante dizer que esta afirmação não é apenas um jogo de palavras. Marín apresenta uma crítica profunda à forma como a psiquiatria contemporânea construiu o seu discurso sobre o sofrimento humano, e esse discurso merece ser analisado com atenção.
A ideia central da sua apresentação é simples, embora difícil de aceitar para grande parte do sistema de saúde mental: a depressão não surge primeiro no cérebro e depois se manifesta na vida de uma pessoa. Muitas vezes acontece o contrário.
Primeiro acontecem coisas: perdas, luto, violência, solidão, traumas; e só depois podem surgir alterações na química cerebral.
Esta nuance é essencial. Transformar a causa em efeito e o efeito em causa significa inverter a lógica do sofrimento humano para a adaptar a um modelo médico que procura identificar um órgão doente sobre o qual possa intervir.
Marín salienta também um aspeto já discutido nos trabalhos de Marino Pérez Álvarez e Froxán Parga: a ideia de um suposto défice de serotonina, usada para justificar a utilização generalizada de antidepressivos, não foi comprovada através de evidências sólidas. Não se trata apenas de uma opinião marginal ou de uma provocação, mas de uma questão debatida por muitos profissionais de psiquiatria, embora raramente seja explicada ao paciente que recebe uma receita após poucos minutos de consulta.
Entretanto, continuamos muitas vezes a tratar como uma doença exclusivamente orgânica aquilo que pode representar, em grande medida, uma reação humana a circunstâncias humanas.
O que considero mais importante na mensagem de Marín é a parte sobre a qual quase ninguém fala. Ele não nega que possam existir alterações ao nível do cérebro. Pelo contrário, amplia a perspetiva sobre os fatores que o influenciam.
A atividade física, o descanso, a alimentação, as rel