17/01/2025
Com 37 semanas, meu corpo começou a falar uma língua nova. Contrações ritmadas, mas tímidas, como um ensaio. Liguei para a Mari e pra Ana Clara, minha equipe de enfermeiras dos sonhos, que vieram me avaliar. “Você está começando a dilatar”. E me pediram duas coisas: exercícios e descanso. Fiz os dois. Mas as dores diminuíram, o ritmo desacelerou, e a vida voltou à espera.
Chegamos às 40 semanas. Nenhum sinal de José. Eu sabia que ele tinha seu próprio tempo, e respeitá-lo era minha maior prova de amor. Combinei com Marielly: esperaríamos até as 41 semanas. Se ele não viesse, interviríamos. Mas, no fundo, eu rezava para que ele escolhesse o momento certo.
No dia 7 de janeiro, 40 semanas e 3 dias, fui à consulta com minha obstetra. O cansaço me pesava nos ombros, e a ansiedade fazia eco. Decidimos tentar um descolamento de membranas. Voltei para casa cheia de esperança. À noite, senti contrações leves, mas nada intenso. Passei a madrugada lidando bem com elas.
No dia seguinte, repetimos o procedimento. O tampão mucoso começou a se soltar, e eu me enchi de animação. “Agora vai!”, pensei. Mas não foi. As dores espaçaram, sumiram. Mais uma vez, José me mostrava que o controle não era meu.
No dia 9, 40 semanas e 5 dias, tentamos o balão. Às 11h40, ele foi colocado, e, dali em diante, tudo mudou. A dor veio como uma onda brava, e eu me vi engolida. Era real. Era forte. Liguei para minha mãe, que veio correndo, junto da minha irmã. Elas, minha equipe de enfermeiras e meu marido foram meu alicerce durante todo esse tempo. Entre banhos de chuveiro, massagens e risadas nervosas, o dia virou noite, e a noite virou madrugada. Às 4h30, exausta e incomodada, pedi para retirar o balão.
“Sete centímetros”, disseram. A alegria explodiu em lágrimas. Estava quase! Mas, mais uma vez, Deus sussurrou que o tempo não era meu. As dores pararam. O trabalho de parto parou.
Minha médica nos aguardava no hospital. Decidimos pela ocitocina. Às 11h30, fui internada. Foi aí que entrei em outro mundo. A partolândia. Não há descrição para aquele lugar. Gritei, chorei, xinguei. Eu era pura entrega, pura força bruta.
continua nos comentários..