30/04/2026
Evitar emoções difíceis costuma parecer uma boa estratégia no começo. Você se distrai, muda de assunto, trabalha mais, pega o celular, tenta “não pensar nisso” ou finge que já superou. E, por um tempo, até funciona. O desconforto diminui e dá a sensação de alívio.
O problema é que a emoção não desaparece, ela só f**a adiada.
Aquilo que não é sentido costuma voltar de outras formas. A irritação aparece em situações pequenas, o cansaço aumenta sem explicação clara, a ansiedade cresce antes de conversas importantes ou o corpo começa a dar sinais que a mente tentou ignorar. Às vezes a pessoa evita falar sobre algo que a magoou e, semanas depois, percebe que está mais distante das pessoas. Ou evita entrar em contato com uma tristeza e passa a perder interesse até em coisas que antes gostava.
Evitar emoções também reduz a capacidade de viver experiências boas com intensidade. Quando tentamos bloquear o que dói, acabamos diminuindo também o acesso ao que é leve, prazeroso e signif**ativo. O cérebro aprende a funcionar em modo de proteção, não em modo de presença.
Sentir não signif**a se afundar na emoção, mas permitir que ela tenha começo, meio e fim. Emoções processadas tendem a se organizar. Emoções evitadas tendem a permanecer abertas dentro da gente.