Oncologia Ginecológica

Oncologia Ginecológica Espaço dedicado à oncologia ginecológica e mastologia, com foco em prática clínica, protocolos assistenciais e medicina baseada em evidências.

Voltado à discussão entre especialistas, residentes e estudantes. OBS: não postar casos clínicos específicos. Comunidade destinada a troca de informações sobre Oncologia Ginecológica, divulgação de eventos, estudo de casos clínicos, links relacionados, protocolos e exercícios de estudo. Esta comunidade não se destina a mulheres portadoras de tumores pélvicos, mas aos profissionais ligados à área.

26/04/2026

Como manejar NIVA ou NIC recorrente — inclusive em pacientes previamente tratadas por câncer de colo, mas com recidiva ainda em padrão intraepitelial?

Esse é um dos cenários mais desafiadores na prática em PTGI e oncologia ginecológica.

Um estudo publicado este mês no International Journal of Gynecological Cancer avaliou o uso de braquiterapia de alta taxa de dose (HDR) nesses casos, incluindo:

• NIC recorrente com e sem histórico de câncer invasivo tratado
• NIVA recorrente ou primário
• 31,7% de pacientes previamente irradiadas

📌 Resultados:
• Controle local em 3 anos: 89,3%
• Complicações urológicas (principalmente cistite actínica, leve/moderada): 11,8%
• Apenas 1 caso grave

Esse grupo de pacientes ocupa uma zona particularmente difícil:
– doença intraepitelial persistente/recorrente
– muitas vezes em tecido previamente tratado
– opções terapêuticas limitadas

Historicamente, as alternativas incluem:
– Colpectomia (com impacto funcional significativo)
– Fluorouracil tópico (baixa tolerabilidade)
– Imiquimod (avanço recente, com eficácia ainda heterogênea nos estudos)

Nesse contexto, a braquiterapia HDR surge como uma estratégia de controle local potencialmente eficaz, evitando abordagens mais mutiladoras.

⚠️ Pontos de atenção ao estudo:
– seleção criteriosa de pacientes
– histórico de radioterapia prévia
– necessidade de seguimento mais longo

Trata-se de recorrência intraepitelial — e não de doença invasiva — em um cenário de alta complexidade terapêutica.

Uma alternativa que merece atenção em um dos cenários mais desafiadores da PTGI e da oncologia ginecológica.

🔗 Artigo original disponível no link nos comentários.

17/04/2026

O Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG) acaba de atualizar as recomendações de investigação de sangramento pós-menopausa.
Aumentou a indicação de amostragem endometrial, mesmo quando a ultrassonografia revela espessura menor que 4 mm.
Veja nos comentários o link para o guideline completo.

17/04/2026

O tratamento das Lesões Intraepiteliais de Alto Grau Vulvares vem sofrendo alterações relevantes nos últimos anos.
Novas recomendações de conduta incluem a não reabordagem de lesões confirmadas HSIL com margem comprometida. Há aumento de recidivas, porém sem afetar a taxa de câncer de v***a futura.
O mais recente avanço é a utilização de Imiquimod no tratamento, em substituição à cirurgia que por vezes é altamente deformante.
Em estudo recente publicado no International Journal of Gynecology Oncology o índice de recidivas em pacientes submetidas a excisão com margem e as usuárias de Imiquimod foi o mesmo 1 em cada 3 aproximadamente em 5 anos de seguimento.
As evidências vão se acumulando para a terapia clínica, com evidente ganho de qualidade de vida pela ausência de deformidade v***ar cirúrgica.
Link para o artigo completo nos comentários.

13/04/2026

O câncer de endométrio é pouco comentado no meio leigo, mas está em 7o ou 8o lugar entre os cânceres mais comuns nas mulheres brasileiras, a depender do ano. Com o aumento da obesidade em nossa população constatado em múltiplos estudos epidemiológicos, as próximas décadas devem torná-lo ainda mais frequente, seguramente entre os cinco mais prevalentes.
Nesta revisão de literatura publicada no JAMA, uma ampla cobertura de aspectos epidemiológicos, fatores de risco, diagnóstico e tratamento. Link para o artigo completo nos comentários.

ERAS Parte 6 - Pós-operatório - Parte B: Segurança e Alta Hospitalar✔️ 1. Retirada precoce de dispositivos• Sonda vesica...
12/04/2026

ERAS Parte 6 - Pós-operatório - Parte B: Segurança e Alta Hospitalar

✔️ 1. Retirada precoce de dispositivos
• Sonda vesical: remover o mais precocemente possível
• Evitar uso rotineiro de drenos
👉 Objetivo: ↓ infecção e ↑ mobilização precoce

✔️ 2. Tromboprofilaxia
• Manter medidas mecânicas ± farmacológicas conforme risco
• Considerar profilaxia estendida em pacientes oncológicas selecionadas
👉 Objetivo: ↓ tromboembolismo venoso (TVP/TEP)

✔️ 3. Controle glicêmico
• Evitar hiperglicemia no pós-operatório
• Monitorização especialmente em pacientes diabéticas ou de risco
👉 Objetivo: ↓ infecção e melhor cicatrização

✔️ 4. Otimização de fluidos
• Evitar sobrecarga hídrica
• Manter equilíbrio volêmico adequado
👉 Objetivo: ↓ complicações e recuperação mais rápida

✔️ 5. Critérios de alta e educação da paciente
• Alta baseada em critérios objetivos (dor controlada, dieta tolerada, deambulação)
• Orientações claras sobre sinais de alerta e seguimento
👉 Objetivo: ↓ reinternação e ↑ segurança pós-alta

👉 Objetivo final: alta precoce, segura e com continuidade adequada do cuidado.

ERAS Parte 5 – Pós-operatório – Parte A: Recuperação ativa✔️ 1. Mobilização precoce• Deambulação precoce (ideal nas prim...
12/04/2026

ERAS Parte 5 – Pós-operatório – Parte A: Recuperação ativa

✔️ 1. Mobilização precoce
• Deambulação precoce (ideal nas primeiras 24 horas)
• Evitar repouso prolongado
👉 Objetivo: ↓ complicações tromboembólicas e pulmonares

✔️ 2. Alimentação precoce
• Dieta iniciada precocemente conforme tolerância
• Evitar jejum prolongado no pós-operatório
👉 Objetivo: ↓ íleo e reduzir tempo de internação

✔️ 3. Analgesia multimodal
• Controle da dor com associação de analgésicos convencionais e AINEs (quando não houver contraindicação, com avaliação individual em pacientes idosas), reservando opioides para casos refratários
• Idealmente manter analgesia profilática por 24-48 horas
👉 Objetivo: ↓ dor, ↓ náuseas e ↓ íleo

✔️ 4. Controle de náuseas e vômitos (PONV)
• Manter profilaxia quando necessário
• Tratamento precoce
👉 Objetivo: melhorar aceitação alimentar e recuperação

👉 Objetivo final: recuperação precoce, ativa e com retorno mais rápido à função fisiológica.

ERAS Parte 4 - Intraoperatório - Parte A – Fisiologia e Anestesia✔️ 1. Controle hemodinâmico e de fluidos • Estratégia e...
09/04/2026

ERAS Parte 4 - Intraoperatório - Parte A – Fisiologia e Anestesia

✔️ 1. Controle hemodinâmico e de fluidos
• Estratégia euvolêmica (goal-directed quando disponível)
• Evitar:
• Hipovolemia → hipoperfusão
• Hipervolemia → edema / íleo
• Preferir vasopressores à sobrecarga volêmica
• Uso racional de cristalóides
👉 Objetivo: ↓ complicações e melhorar recuperação.

✔️ 2. Normotermia
• Manter temperatura ≥ 36°C
• Aquecimento ativo (ar forçado) + fluidos aquecidos
👉 Objetivo: ↓ infecção, ↓ sangramento, ↓ complicações anestésicas

✔️ 3. Analgesia multimodal
• Estratégia opioid-sparing, inclui:
• anestesia regional (quando indicado)
• AINEs, dipirona, paracetamol
• adjuvantes (cetamina, lidocaína EV)
👉 Objetivo: ↓ dor, ↓ íleo, ↓ náuseas

✔️ 4. Prevenção de náuseas e vômitos (PONV)
• Avaliação de risco
• Profilaxia combinada (ondansetrona + corticoide)
👉 Objetivo: melhora recuperação e alimentação precoce

✔️ 5. Ventilação e oxigenação
• Ventilação protetora:
• baixo volume corrente
• PEEP adequada
👉 Objetivo: ↓ complicações pulmonares

👉 Objetivo Final: O controle preciso da fisiologia no intraoperatório acelera a recuperação da paciente.

ERAS Parte 3 - Pré-operatório Imediato:✔️ Dieta: Jejum tradicional prolongado deve ser evitado e substituído por: • Líqu...
09/04/2026

ERAS Parte 3 - Pré-operatório Imediato:
✔️ Dieta: Jejum tradicional prolongado deve ser evitado e substituído por:
• Líquidos claros até 2 horas antes
• Sólidos leves até 6 horas antes
• Bebida rica em carboidrato 2–3h antes da cirurgia
👉 Objetivo: reduzir resistência insulínica, preservar massa muscular e melhor recuperação pós-operatória.

✔️ Profilaxia:
• Antibiótico profilático conforme tipo de cirurgia (ver nos comentários protocolo de manejo)
• Tromboprofilaxia mecânica (meia elástica ou enfaixamento, conforme disponibilidade; compressão pneumática quando disponível) ± farmacológica de acordo com risco (ver nos comentários tabela de risco)
• Profilaxia de náuseas e vômitos já planejada

⛔️ Preparo intestinal não deve ser realizado rotineiramente em cirurgias ginecológicas
• Indicar apenas em situações específicas (suspeita de ressecção intestinal em câncer de ovário)

✔️ Otimização de volume
• Incentivo à ingestão oral até próximo da cirurgia
👉 Objetivo: Evitar desidratação e sobrecarga hídrica.

⛔️ Premedicação
• Evitar sedativos de rotina (benzodiazepínicos e similares)
👉 Risco: recuperação mais lenta e delirium em idosos.

👉 Objetivo Final: “Reduzir estresse cirúrgico e melhorar desfechos”

ERAS - Parte 2 - Pré-operatório - Aspectos clínicos:✔️ Avaliação de risco cirúrgico e pré-anestésico - se necessário com...
09/04/2026

ERAS - Parte 2 - Pré-operatório - Aspectos clínicos:
✔️ Avaliação de risco cirúrgico e pré-anestésico - se necessário com cardiologista, endocrinologista e outros, a depender de comorbidades.
✔️ Controle rigoroso da glicemia
✔️ Avaliação de anemia (Hb, ferritina, etc) com correção oral ou venosa se necessário.
✔️ Avaliação detalhada de medicações em uso com suspensão (quando possível) ou alteração para dr**as de maior segurança (ex: anticoagulante oral para heparina de baixo peso molecular).

👉 Objetivo: “Otimização pré-operatória é tão decisiva quanto a técnica intraoperatória.”

Endereço

Avenida Pará 1720/Depto Ginecologia E Obstetricia
Uberlândia, MG
38400-902

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 08:00 - 17:00
Terça-feira 08:00 - 17:00
Quarta-feira 08:00 - 17:00
Quinta-feira 08:00 - 17:00
Sexta-feira 08:00 - 17:00

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