23/08/2026
Dizem por aí que colo deixa o filho mal
acostumado, mimado, dependente.
Qual mãe nunca ouviu isso? Qual mãe nunca sentiu medo de dar colo para seu filho?
Mas saibam. Colo é elemento vital. É necessidade básica do ser humano assim como comer, controlar a temperatura, beber água. Foi inclusive objeto de comprovação científica.
É fator genético e humano buscar colo, dar colo, se acalmar no colo.
No pele a pele acontece algo mágico e real ao mesmo tempo. É nele que a criança além de carinho, exemplo, convivência, pode ser favorecida em seus processos reguladores corporais. Onde descargas estressoras podem ser controladas.
Nós, pais e mães, somos organizadores psíquicos dos nossos filhos em cada abraço que damos e em cada colo que não negamos.
No início da vida não possuímos nosso processo de regulação desenvolvido, algumas áreas cerebrais sequer estão constituídas. São nos primeiros anos de vida que o cérebro de um bebê atinge crescimento em volume e sinapses que permanecerá até a fase adulta. Cerca de 101 % de crescimento cerebral acontece só no primeiro ano.
O ser humano está sendo formado no seu colo. Com o seu colo. Além de crescimento do cérebro e sinapses, áreas cerebrais específicas (responsáveis pelo apego/ inteligência emocional) só se formam perto do segundo ano e para seu desenvolvimento é preciso interacão e conexões reais com cuidadores e muito contato físico.
Estudos científicos de mais de 100 anos não podem ser substituídos por palpites sem noção.
Talvez você ainda não saiba de tanta informação científica porque realmente é pouco difundida. Os estudos de imagens, por exemplo (que comprovaram diferença no tamanho cerebral de crianças que não receberam afeto e apego) só foram possíveis de algumas décadas para cá.
Muitos de nós, pais, sequer tínhamos nascido.
Por isso eu digo que somos a geração que vai mudar a forma de criação de filhos. A forma de ver a infância.
Nossa missão é complexa.
Que a gente não se deixe abalar.
Que a gente busque informação sem se cansar.
Texto: Julieta Franco