Dr. Philip Glass

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Dr. Philip Glass Instituto Glass
Avenida Expedicionários, 496, Recreio (Pracinha do Gil) Revalidado como Mestrado em Ciências Médicas na Área de Neurologia pela UNICAMP.

Dr. Philip George Glass Andrade

Graduação em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública - Salvador / Bahia

Residência Média em Neurologia – Hospital São Rafael – Salvador / Bahia

Médico Neurologista Contratado – Hospital São Rafael (2009-2010)

Observership em Transtornos do Movimento – Toronto Western Hospital – Toronto / Canadá

MSc In Clinical Neurology (withDistinction)– UCL Institute of Neurology Queen Square – Londres. Doutorado em Ciências Médicas na Área de Neurologia – UNICAMP

Clinical Neurophysiology, Epilepsyand EEG course – Cleveland Clinic – USA. MBA em Gestão da Saúde - FGV
Professor do Curso de Neurologia da UESB

O Parkinson não começa no dia do primeiro tremor. Muito antes disso, silenciosamente, algo já está em curso dentro do cé...
08/09/2026

O Parkinson não começa no dia do primeiro tremor. Muito antes disso, silenciosamente, algo já está em curso dentro do cérebro. Estudos recentes indicam que essa fase pré-motora pode se estender por 10 a 20 anos antes do diagnóstico. E é nesse período longo, quase invisível, que a doença deixa suas primeiras pistas.

Uma das mais precoces está no nariz.

A perda do olfato, chamada de hiposmia, é um dos sinais prodrômicos mais bem caracterizados do Parkinson. Em torno de 90% dos pacientes já apresentam algum grau de comprometimento do olfato no momento em que recebem o diagnóstico motor. Isso acontece porque o bulbo olfatório é uma das primeiras regiões afetadas pela patologia, muito antes de a substância negra, responsável pelos sintomas motores, ser envolvida.

Nem toda perda de olfato é sinal de Parkinson. O que chama atenção é a perda persistente e progressiva, sobretudo quando associada a outros sinais precoces como constipação crônica, sonhos agitados com movimentos violentos durante o sono e alterações do humor sem causa aparente. Quando esses sinais aparecem juntos, vale a investigação com um neurologista.

📚 Referências: Berg D et al. MDS research criteria for prodromal Parkinson's disease. Movement Disorders (2015). Doty RL. Olfactory dysfunction in Parkinson disease. Nature Reviews Neurology (2012). Postuma RB & Berg D. Advances in markers of prodromal Parkinson disease. Nature Reviews Neurology (2016).

Por décadas, esses pacientes tiveram apenas cuidados de suporte. Nenhum tratamento capaz de agir sobre a causa da doença...
27/08/2026

Por décadas, esses pacientes tiveram apenas cuidados de suporte. Nenhum tratamento capaz de agir sobre a causa da doença. Nada que oferecesse uma perspectiva real de mudar o curso natural.

A omaveloxolona é o primeiro medicamento aprovado especificamente para o tratamento da Ataxia de Friedreich em pessoas a partir de 16 anos. Ela atua reduzindo o estresse oxidativo nas células afetadas pela doença, e os estudos demonstraram capacidade de retardar a progressão.

A aprovação, obtida nos Estados Unidos, na Europa, no Canadá, no Reino Unido e também no Brasil, representa um marco: pela primeira vez, uma ataxia genética passa a contar com uma terapia específica.

É por isso que quando um paciente me pergunta se ainda faz sentido investigar a fundo uma perda de equilíbrio, minha resposta é sempre a mesma. Faz. Diagnóstico preciso continua sendo a porta de entrada para tudo o que vem depois, inclusive para as portas que estão se abrindo agora.

Dr. Philip Glass | Neurologista

Existem dois hábitos que se tornaram tão comuns que quase ninguém mais os enxerga como problema. O tempo excessivo em te...
21/08/2026

Existem dois hábitos que se tornaram tão comuns que quase ninguém mais os enxerga como problema. O tempo excessivo em telas e o consumo diário de alimentos ultraprocessados. Dois vilões silenciosos, discretos, que entraram na rotina pela porta da conveniência e acabaram se instalando como parte do que se chama, hoje, de vida normal.

O problema é que os dois atingem o mesmo alvo. E esse alvo é o cérebro.

Telas em excesso, especialmente antes de dormir, alteram a produção de melatonina, prejudicam o sono profundo e comprometem a atenção sustentada. O cérebro passa a operar em um estado de estímulo contínuo, sem espaço para o silêncio necessário à consolidação da memória e à reorganização das ideias.

Ao longo do tempo, essa sobrecarga se manifesta em queixas cada vez mais frequentes no consultório: mente cansada, dificuldade de concentração, esquecimentos que antes não existiam.

Alimentos ultraprocessados agem por outro caminho, mas com destino parecido. Alteram a composição da microbiota intestinal, aumentam marcadores inflamatórios no organismo e afetam áreas cerebrais ligadas à memória, ao humor e ao controle dos impulsos. Estudos populacionais recentes têm associado o alto consumo desses alimentos a maior risco de declínio cognitivo, depressão e doenças neurodegenerativas.

Quando os dois hábitos aparecem juntos, o efeito se soma. O cérebro perde qualidade de sono, ganha inflamação, reduz a capacidade de foco e envelhece mais rápido do que deveria.

A boa notícia é que nenhum desses processos é irreversível. Reduzir o tempo de tela à noite, proteger o sono, priorizar alimentos minimamente processados e recuperar momentos de silêncio ao longo do dia devolvem ao cérebro condições básicas para funcionar bem.

Cuidar do cérebro, no fim, também é escolher o que entra pelos olhos e pela boca.

18/08/2026

Essa é uma das perguntas que mais escuto no consultório. E entendo o motivo: se as crises pararam, parece lógico pensar que a doença foi embora. Mas não foi.

O que o remédio faz é controlar a hiperexcitabilidade elétrica do cérebro que gera as crises. Ele não cura a epilepsia. Enquanto você está medicado, o cérebro trabalha em um equilíbrio protegido e é exatamente esse equilíbrio que se desfaz quando o remédio é retirado sem critério.

Interromper a medicação por conta própria depois de um período sem crises é um dos principais motivos de recorrência. E a recorrência aqui não é só voltar a ter uma crise: é o risco de uma crise em situação perigosa, ao dirigir, no trabalho, em uma escada. É o risco de status epilepticus, uma emergência neurológica. É o risco de retroceder anos de tratamento.

Existem casos em que a retirada gradual do medicamento pode ser considerada, sim. Mas isso depende do tipo de epilepsia, do exame de eletroencefalograma, do tempo sem crises, do histórico do paciente e de uma decisão compartilhada com o neurologista, feita com desmame lento e monitorado.

Um ano sem crises é uma conquista. Não jogue fora sozinho.

Se você tem epilepsia e essa dúvida já passou pela sua cabeça, marca uma consulta antes de tomar qualquer decisão.

Dr. Philip Glass | Neurologista

Existem verdades que só ficam claras depois de anos de consultório. Verdades simples, mas que raramente são ditas em voz...
14/08/2026

Existem verdades que só ficam claras depois de anos de consultório. Verdades simples, mas que raramente são ditas em voz alta durante uma consulta apressada.

A primeira delas é que o diagnóstico não é sentença. Muita gente ouve uma palavra difícil dentro do consultório e sente que a vida acabou naquele momento. Mas a maioria das doenças neurológicas modernas, quando bem tratadas, permite viver com autonomia, dignidade e qualidade por muitos anos. O que muda o desfecho é o acesso ao tratamento certo e a consistência dele.

A segunda é que o estilo de vida é remédio. Sono, atividade física, alimentação e controle do estresse não são conselhos genéricos de manual. São intervenções com efeito neurobiológico direto sobre o cérebro. Nenhuma medicação substitui uma noite bem dormida e um corpo que se movimenta.

A terceira é dura, mas precisa ser dita. Fumar é o pior hábito que existe para a saúde cerebral. Afeta os vasos, aumenta o risco de AVC, acelera o declínio cognitivo, se associa a doenças neurodegenerativas. Se existisse uma única mudança capaz de proteger seu cérebro a partir de hoje, seria parar de fumar.

E a quarta talvez seja a mais importante. O resultado do tratamento depende mais do paciente do que do médico. Eu prescrevo, oriento, ajusto. Mas quem toma o remédio, quem dorme, quem come, quem se movimenta, quem para de fumar, quem volta na consulta é você. A parceria é o que faz o tratamento funcionar.

Se esse conteúdo faz sentido pra você, salva e compartilha com alguém que precisa ouvir.

Dr. Philip Glass | Neurologista

Esquecer o nome de alguém no meio da conversa. Perder a chave três vezes na mesma semana. Ler a mesma frase duas vezes s...
08/08/2026

Esquecer o nome de alguém no meio da conversa. Perder a chave três vezes na mesma semana. Ler a mesma frase duas vezes sem absorver nada. A maioria das pessoas atribui isso ao tempo, ao cansaço do dia, à idade que chega. Aceita como se fosse inevitável.

Não é.

A memória é um processo ativo. Ela depende de circuitos que precisam ser irrigados, oxigenados, limpos, consolidados. Cada uma dessas etapas acontece sob condições muito específicas e é aí que o estilo de vida entra silenciosamente na equação.

O sono ruim compromete a consolidação do que foi vivido durante o dia e impede a faxina cerebral que o sistema glinfático realiza durante o sono profundo. A alimentação inflamatória altera o funcionamento do hipocampo, a região onde memórias novas são formadas. O estresse crônico, através do cortisol elevado, atua diretamente sobre esses mesmos neurônios, prejudicando a formação de novas conexões.

Quando um paciente me diz "minha memória está falhando", raramente é uma resposta única. É quase sempre um conjunto de pequenas rotinas repetidas por anos, corroendo silenciosamente a estrutura que deveria proteger a lembrança.

A boa notícia é que existe uma estratégia. Ela não é misteriosa nem exclusiva, está descrita em décadas de pesquisa em neurociência e medicina do estilo de vida. Sono profundo protegido, atividade física regular, alimentação anti-inflamatória, gerenciamento do estresse e engajamento cognitivo constante formam a base de um cérebro que envelhece bem.

A memória não desaparece do nada. Mas, com os hábitos certos, ela também não precisa desaparecer com o tempo.

Estresse crônico não é só cansaço. É o cérebro funcionando em estado de alerta permanente, produzindo cortisol sem parar...
27/07/2026

Estresse crônico não é só cansaço. É o cérebro funcionando em estado de alerta permanente, produzindo cortisol sem parar, comprometendo memória, sono e equilíbrio emocional.

O que a maioria das pessoas chama de "estou ficando esquecido" ou "não consigo me concentrar" muitas vezes tem uma explicação fisiológica clara. O hipocampo, região fundamental para memória e aprendizado, é uma das primeiras áreas afetadas pelo estresse prolongado.

A boa notícia é que o cérebro tem plasticidade. Com descanso real, sono de qualidade e redução da carga de estresse, ele começa a se reorganizar. Não da noite pro dia, mas começa.

Salva esse post pra lembrar disso na próxima vez que achar que descansar é perda de tempo.

23/07/2026

Você entra no elevador, alguém acabou de passar perfume, e você já sabe: vai ter crise.

Isso tem nome. Chama osmofobia, e é um dos sintomas mais prevalentes da enxaqueca, apesar de ser um dos menos explicados.

O que acontece no cérebro é o seguinte: o nervo trigêmeo, um dos principais nervos cranianos, percorre o nariz, o rosto e a boca e está diretamente conectado aos centros de processamento de dor. Em pessoas com enxaqueca, esse sistema é hipersensível e determinados cheiros conseguem ativar essa via e disparar toda a cascada que leva à crise.

Não é fraqueza. Não é exagero. É neurologia.

Se cheiros fortes fazem parte dos seus gatilhos, vale levar esse dado para a consulta com o neurologista, ele ajuda a mapear o perfil da sua enxaqueca e definir o melhor tratamento preventivo.

Dr. Philip Glass | Neurologista

Enxaqueca crônica tem solução e ela raramente está em tomar mais remédio.Hoje a neurologia conta com opções que vão muit...
20/07/2026

Enxaqueca crônica tem solução e ela raramente está em tomar mais remédio.

Hoje a neurologia conta com opções que vão muito além do analgésico. Toxina botulínica aplicada em pontos específicos do crânio e pescoço para prevenção em casos crônicos. Anticorpos monoclonais anti-CGRP em injeções mensais ou trimestrais que bloqueiam o mecanismo da crise antes dela começar. Terapia de infusão para casos refratários. E agora o rimegepant, recém aprovado pela Anvisa, que trata a crise e previne novas com a mesma dose.

Mas antes de qualquer tratamento, existe uma etapa que faz toda a diferença: entender a enxaqueca daquela pessoa específica. Frequência, duração, gatilhos, padrão hormonal, histórico familiar, uso atual de medicamentos. Enxaqueca não é igual pra todo mundo e o tratamento também não pode ser.

Se você convive com crises frequentes e ainda depende só de analgésico, existe um caminho melhor. Vale buscar.

17/07/2026

Existem escolhas que a gente demora anos para entender. E existem outras que acontecem em um único instante, dentro de uma sala, sem que ninguém saiba que ali algo mudou para sempre.

Foi assim comigo.

Naquele momento entendi o que a neurologia oferecia. Não era só o cérebro. Era a possibilidade de ler um corpo como quem lê um mapa. De ouvir uma história, olhar, tocar, examinar e traduzir sinais aparentemente pequenos em um diagnóstico preciso, milimétrico, quase invisível para quem não sabe olhar.

Escolhi neurologia por esse desafio. Pela exigência silenciosa de refinar o exame físico ano após ano, pela necessidade constante de estudar, de acompanhar a ciência que não para, de traduzir o que aparece de novidade para dentro do consultório. É uma especialidade que só recompensa quem está disposto a nunca deixar de aprender.

E, todos os dias, essa escolha continua fazendo sentido.

Dá o play e escuta a história. E me conta: qual foi o dia em que você decidiu o que faz hoje?

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