23/04/2026
Quando um filho que sempre teve bom desempenho começa a perder o interesse pelos estudos, isso merece atenção — mas não conclusões apressadas. Nem sempre é preguiça, falta de compromisso ou “fase ruim”. Muitas vezes, esse comportamento é um sinal de que algo mudou emocionalmente, socialmente ou até fisicamente.
Na adolescência, o rendimento escolar pode ser impactado por vários fatores: sobrecarga, ansiedade, dificuldade de concentração, baixa autoestima, conflitos com colegas, mudanças no ambiente escolar, problemas familiares ou até início de sofrimento emocional mais importante.
Por isso, o primeiro passo é tentar entender o que está por trás da mudança, sem transformar tudo em cobrança. Frases como “você está relaxado”, “assim você vai fracassar” ou “na sua idade eu dava conta” tendem a aumentar a culpa e o afastamento.
Mais do que cobrar resultado, é importante abrir espaço para escuta. Pergunte com interesse genuíno:
➡️ ele está com dificuldade em alguma matéria?
➡️ aconteceu algo na escola?
➡️ ele está se sentindo desmotivado, cansado ou inseguro?
Também vale observar se essa queda no interesse é algo pontual ou se vem acompanhada de outros sinais, como irritabilidade, isolamento, tristeza, dificuldade para dormir, excesso de tempo no celular ou recusa frequente de ir à escola.
Em muitos casos, o adolescente não consegue explicar claramente o que está sentindo — ele apenas “desliga”. E esse desinteresse pode ser a forma como o sofrimento aparece.
Organizar uma rotina possível, reduzir distrações, acompanhar mais de perto sem vigiar o tempo todo e manter uma parceria com a escola pode ajudar bastante. Mas, acima de tudo, é importante olhar para o adolescente como um todo — e não apenas para a nota.
Quando essa mudança persiste ou vem acompanhada de sofrimento emocional, buscar avaliação profissional pode ser fundamental.
Dra Laís Barbiero de Almeida
🎊Pediatria e Adolescência | CRM 12832/ RQE 11528
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