02/24/2026
De repente, tudo virou proteína.
Doritos com proteína.
Milkshake com proteína.
Vinho com proteína…
e por aí vai.
E pronto.
Colocou a palavra mágica no rótulo… virou saudável.
Só que não é assim que funciona.
A proteína é importante?
Sim. Muito.
Principalmente para quem passou pela bariátrica, para quem quer preservar massa magra, para quem está em processo de emagrecimento.
Mas importância não é sinônimo de passe livre.
A proteína não anula excesso de gordura.
Não anula ultraprocessamento.
Não anula desequilíbrio.
Na era dos exageros, a gente começa a endeusar.
E quando a gente endeusa qualquer nutriente, a gente para de olhar o contexto.
E tem um ponto que quase ninguém fala:
Proteína também é caloria.
Ela não é neutra.
Ela não é mágica.
Ela entra na conta.
Se você consome proteína em excesso, dependendo do contexto, isso pode fornecer calorias em excesso.
E excesso calórico, independente da fonte, pode levar ao ganho de peso.
Não é porque veio da proteína que o corpo ignora.
Além disso, existem situações específicas.
Pessoas com doença renal ou predisposição precisam de acompanhamento individualizado.
Exagerar pode, sim, sobrecarregar.
Tudo que sai do equilíbrio e vira excesso deixa de ser saudável.
Inclusive proteína.
O mais curioso é que ela virou símbolo de “fit”.
Se tem proteína, pode.
Se tem proteína, está liberado.
Se tem proteína, está tudo certo.
Não é assim.
Saúde não é um ingrediente isolado.
É conjunto.
É qualidade.
É frequência.
É contexto.
É equilíbrio.
Disciplina, sim. Neurose, não.
Você pode e deve consumir proteína suficiente.
Mas o suficiente não é ilimitado.
Não precisa transformar nutriente em religião alimentar.
Porque, quando a gente transforma comida em símbolo moral, a gente perde a maturidade.
E maturidade alimentar é saber que nenhum nutriente é vilão…
mas também nenhum é salvador.