22/07/2026
Há dois meses você chegou. Rápido, satisfazendo minha ânsia de conhecê-lo junto à necessidade da minha mudança iminente.
Trouxe doçura e leveza em meio a um puerpério (quem diria?); um blues possível e consciente, passageiro (e hormonal?), como deve ser. Trouxe também clareza sobre as finitudes e a angústias das “últimas primeiras vezes”, dolorosamente gostosas de serem vividas.
Meu filho, você me fez desejar que as retinas pudessem captar todos os detalhes e que a memória eternizasse as pequenas (grandes) coisas do dia a dia que já me dão saudade. Sei que não será possível resgatar tudo lá na frente. Que seja, então, infinito viver o hoje para minimizar as lacunas mnésicas do futuro.
Obrigada por me permitir sentir um amor desconhecido e tão bonito. Maior do que eu imaginava, intenso e, ao mesmo tempo, fácil — por você e pelos nossos. Obrigada por unir nossa família e preencher espaços que nem eu sabia que existiam e revelar potências escondidas. Por me fazer transbordar em sentimentos (e, algumas vezes, em lágrimas). Por ser suave, sorridente, amável e paciente comigo.
Minha nova versão de mãe ainda está sendo atualizada. Só consigo prometer que farei o meu melhor para ser “suficientemente boa” para você, permitindo que você seja no mundo.
Que eu consiga. Que nós consigamos. Que você possa ser, meu filho!
O seu lugar aqui parece ter existido desde sempre.
Com todo o meu (nosso) amor,
Mainha.