02/11/2021
Febre tifoide
Por Larry M. Bush, MD, FACP, Charles E. Schmidt College of Medicine, Florida Atlantic University;
Maria T. Perez, MD, Wellington Regional Medical Center, West Palm Beach
Última modificação do conteúdo abr 2018
Febre tifoide é uma doença sistêmica provocada por bactérias Salmonella enterica Gram-negativas do sorotipo Typhi (S. Typhi). Os sintomas são febre alta, prostração, dor abdominal e um exantema róseo. O diagnóstico é clínico e confirmado por cultura. O tratamento é feito com ceftriaxona, ciprofloxacino ou azitromicina.
(Ver também Visão geral das infecções por Salmonella.)
Nos EUA, febre tifoide é incomum e ocorre principalmente entre viajantes norte-americanos que retornam de regiões endêmicas. Em todo o mundo, cerca de 21 milhões de casos ocorrem a cada ano.
Transmissão
Seres humanos são os únicos hospedeiros e reservatórios naturais. Os bacilos tifoides são disseminados nas fezes de portadores assintomáticos ou nas fezes ou na urina daqueles com doença ativa. A infecção é transmitida pela ingestão de alimentos ou água contaminada com fezes. Higiene inadequada após a defecação pode disseminar S. Typhi para alimentos ou suprimento de água na comunidade. Em áreas endêmicas onde medidas sanitárias geralmente são inadequadas, S. Typhi é transmitido mais frequentemente por água do que por alimentos. Em países desenvolvidos, a transmissão é feita principalmente por alimentos que foram contaminados durante a preparação por portadores saudáveis. Moscas podem disseminar o microrganismo de fezes para alimentos.
A transmissão por meio de contato direto (via fecal-oral) pode ocorrer ocasionalmente em crianças durante brincadeiras e em adultos durante práticas se***is. Raramente, pessoas que trabalham em hospital, que tomam as precauções entéricas adequadas, adquirem a doença ao trocar roupas de cama sujas.
O microrganismo entra no corpo pelo trato GI e chega à circulação sanguínea pelos canais linfáticos. Ulceração, hemorragia e perfuração intestinal podem ocorrer em casos graves.
Estado do portador de Salmonella
Aproximadamente 3% dos pacientes sem tratamento, denominados portadores entéricos crônicos, abrigam os microrganismos em suas vesículas biliares e os disseminam nas fezes por > 1 ano. Alguns portadores não têm história de doença clínica. A maioria dos 2.000 portadores nos EUA é constituída por mulheres idosas com doença biliar crônica. Uropatia obstrutiva relacionada com a esquistossomose ou nefrolitíase pode predispor certos pacientes tifoides a portador urinário.
Dados epidemiológicos indicam que portadores de febre tifoide têm probabilidade maior de adquirir câncer hepatobiliar do que a população geral.
Sinais e sintomas
Para febre tifoide, o período de incubação (em geral de 8 a 14 dias) está inversamente relacionado com o número de microrganismos ingeridos. O início é geralmente gradual, com febre, cefaleia, artralgia, faringite, constipação intestinal, anorexia e sensibilidade e dor abdominais. Sintomas menos comuns incluem disúria, tosse não produtiva e epistaxe.
Sem tratamento, a temperatura sobe gradualmente ao longo de 2 a 3 dias, permanece elevada (em geral, 39,4 a 40° C) durante outros 10 a 14 dias, começa a cair gradualmente no final da 3ª semana e alcança níveis normais durante a 4ª semana. Febre prolongada é acompanhada frequentemente por bradicardia relativa e prostração. Sintomas do sistema nervoso central como delirium, estupor, ou coma ocorrem em casos graves. Em aproximadamente 10 a 20% dos pacientes, lesões cor-de-rosa discretas e esbranquiçadas (manchas róseas) aparecem em surtos no tórax e no abdome durante a 2ª semana e se resolvem em 2 a 5 dias.
Esplenomegalia, leucopenia, anemia, anormalidades da função hepática, proteinúria e coagulopatia de consumo discreta são comuns. Colecistite aguda e hepatite podem ocorrer.
Posteriormente na doença, quando lesões intestinais são muito proeminentes, uma diarreia rosada pode ocorrer e as fezes podem conter sangue (oculto em 20%, evidente em 10%). Em aproximadamente 2% dos pacientes, sangramento grave ocorre durante a 3ª semana, com uma taxa de mortalidade de cerca de 25%. Abdômen agudo e leucocitose durante a 3ª semana podem sugerir perfuração intestinal, que geralmente compromete o segmento distal do íleo e ocorre em 1 a 2% dos pacientes.
Pneumonia pode se desenvolver durante a 2ª ou 3ª semana e pode ocorrer por causa de infecção pneumocócica secundária, embora a próprio S. typhi também possa causar pneumonia. Bacteremia ocasionalmente conduz a infecções focais como osteomielite, endocardite, meningite, abscesso de tecido mole, glomerulite, ou envolvimento do trato geniturinário.
Apresentações atípicas da febre tifoide como pneumonite, febre somente ou, muito raramente, sintomas consistentes com ITU podem atrasar o diagnóstico.
A convalescença pode durar vários meses.
Sinais e sintomas semelhantes à síndrome clínica inicial recorrem aproximadamente 2 semanas após a defervescência em 8 a 10% dos pacientes sem tratamento para febre tifoide. Por motivos obscuros, a terapia antibiótica durante a doença inicial aumenta a incidência de recorrência febril em 15 a 20% dos casos. Se os antibióticos são reiniciados no momento da recorrência, a febre cede rapidamente, ao contrário da defervescência lenta, a qual ocorre durante a doença primária. Ocasionalmente, uma 2ª recorrência ocorre.
Diagnóstico
Culturas
Outras infecções com apresentação semelhante àquela da febre tifoide incluem outras infecções por Salmonella, as principais riquetsioses, leptospirose, TB disseminada, malária, brucelose, tularemia, hepatite infecciosa, psitacose, infecção enterocolitica por Yersinia e linfoma.
Devem ser obtidas culturas de sangue, fezes e urina. Como a resistência a fármacos é comum, te**es padrão de sensibilidade são essenciais..