13/08/2026
Yin e Yang são as duas caras de um mesmo objecto. Em nenhum caso se pode considerar um deles Yin absoluto ou Yang absoluto, serão sempre relativos, relacionados com a mesma identidade.
Na sua etimologia, Yin representa a presença de nuvens sobre uma colina, interpretada como a face sombria da colina.
Yang representa os raios do sol a caírem sobre uma colina, a face soalheira da mesma colina.
Yin e Yang relacionam-se com a sombra e a luz, com a lua e o sol, com o feminino e o masculino, com a vida e a morte, com o mundano e o transcendental.
Nas leis de Yin e Yang:
→ São opostos e inibem-se mutuamente
→ Têm a mesma origem e geram-se mutuamente
→ Os seus crescimentos e diminuições estão em equilíbrio
→ Em ocasiões extremas, transformam-se um no outro
É esta última lei que me parece mais reveladora quando a olhamos através da experiência humana. Se o que reprimimos não desaparece, mas se acumula até se transformar noutra coisa, num sintoma, num padrão que se repete, numa crise, então negar a nossa sombra nunca é neutro. É, na verdade, uma forma de a alimentar.
E é tão profundo este entendimento que nos traz um paradoxo da vida: a dualidade é parte de nós, essencial e saudável. Ainda assim, no que toca ao ser humano, parece haver uma necessidade de suprimir esta dualidade, de esconder o que é feio, aquilo que menos gostamos em nós, seja nas acções, seja no corpo, seja nas relações.
Negar a dualidade é negar a autenticidade, é negar a essência. É mentir a nós mesmos enquanto vamos mentindo à nossa volta. E nestas formas de agir e de actuar, vamos perpetuando os mesmos padrões que nos impedem de chegar ao mais verdadeiro, que é exactamente essa dualidade, sem certo ou errado, sem bonito nem feio.
Entender que ela nos permeia, e que se faz presente através das nossas interacções, é começar a ver aquilo que está a pedir para ser trabalhado, trazido à luz, com a esperança de ser transformado.
O que é que tens evitado olhar de frente?