07/09/2026
Há silêncios que parecem concordância. Mas não sabemos necessariamente o que existe por detrás deles.
Numa reunião, alguém identifica um problema e não o refere.
Tem uma dúvida, mas não pergunta.
Comete um erro e tenta resolvê-lo sozinho.
Tem uma perspetiva diferente, mas decide guardá-la.
Seria fácil concluir que falta iniciativa, participação ou envolvimento.
Mas talvez exista uma pergunta anterior:
O que é que uma pessoa acredita que poderá acontecer se decidir falar?
É aqui que entra a segurança psicológica.
O conceito ajuda-nos a compreender uma das condições que podem influenciar a decisão de questionar, discordar, admitir um erro, pedir ajuda ou levantar uma preocupação.
E há uma distinção essencial:
segurança psicológica não significa conforto permanente.
Não significa concordar com tudo.
Não significa evitar conversas difíceis.
Não significa baixar a exigência.
Nem eliminar responsabilidade.
Uma organização pode exigir rigor e, simultaneamente, permitir que uma dúvida seja colocada.
Pode responsabilizar por um erro sem transformar a sua admissão num ato de exposição.
Pode tomar uma decisão e continuar disponível para ouvir uma perspetiva diferente.
Talvez por isso a pergunta mais interessante não seja apenas:
“As pessoas podem falar?”
Mas também:
“O que acontece quando alguém fala?”
Porque o silêncio, por si só, não nos permite saber se existe concordância, prudência, falta de informação, receio ou simplesmente a escolha de outro momento.
O silêncio não é um diagnóstico.
Para compreender melhor uma organização, talvez seja necessário observar não apenas aquilo que as pessoas dizem.
Mas também o que encontram quando decidem dizê-lo.
E na tua organização?
O que acontece quando alguém questiona, discorda, pede ajuda ou admite que se enganou?
Coleção I | Compreender as Organizações
Capítulo IX | Segurança Psicológica