03/04/2024
Ontem, 2 de abril, celebrou-se o Dia Internacional da Consciencialização Sobre o Autismo e eu gostava de fazer uma pequena reflexão.
Confesso que ouvir “fulano é autista” ou “o meu filho é autista”, me faz alguma “comichão”. Sim, eu sei que já ninguém tem pachorra, nem consegue acompanhar todas as nomenclaturas e, como forma de contornar isso, evitam-se algumas palavras.
Não quero, de todo, gerar polémica, mas acho que pode ser um assunto interessante a pensar: durante a minha licenciatura, uma professora disse-nos um dia que *”ninguém é autista, tem autismo”*. E fez-me todo o sentido!
Sinto sempre a palavra “autista” como uma redução da pessoa a uma condição. A pessoa pode ter autismo mas terá, certamente, outras características, gostos e uma personalidade que a definem. As palavras têm muita força e, por vezes, o poder de toldar a visão. Há que ver além.
Há uma pessoa, uma história e uma família por trás de cada diagnóstico. Temos de a pôr à frente! Também já não é aceitável dizer a uma pessoa que se desloca em cadeira de rodas que “é deficiente”, pela conotação negativa que a palavra ganhou entretanto.
Tudo bem, sabemos que o autismo é um fator muito relevante na sua vida, mas o meu objetivo enquanto terapeuta é ajudar a que isso não seja uma limitação, apenas uma característica, como tantas outras. É para isso que acordo todos os dias!