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10/06/2026
O luto mais silencioso que recebo em consultaHá um tipo de mãe que quase nunca aparece nos artigos sobre maternidade. É ...
06/06/2026

O luto mais silencioso que recebo em consulta

Há um tipo de mãe que quase nunca aparece nos artigos sobre maternidade. É a mãe cujo filho adulto, há meses ou anos, decidiu cortar contacto. Pode ter sido depois de uma discussão. Pode ter sido gradual. Pode ter sido sem aviso. Pode ter envolvido um cônjuge, uma terapia, um diagnóstico, uma acusação. Estas mães carregam, simultaneamente, três coisas: o luto, a culpa (real ou imaginada) e a
vergonha social. A última costuma ser a mais incapacitante. Em Portugal, “uma mãe é uma mãe” é uma frase que fecha conversa e fecha boca.

A literatura internacional sobre parental estrangement (Coleman, 2021; Conti, 2015) documenta um fenómeno em crescimento, com etiologias muito diversas. Algumas envolvem responsabilidade materna efectiva. Outras envolvem dinâmicas externas, cônjuges, ideologias, contextos terapêuticos. A maior parte é mista.

Em consulta, o trabalho não é “julgar” se o corte é justo ou injusto. É ajudar-te a viver com ele - com responsabilidade pelo que foi teu, e sem carregar o que não foi.
n 939 957 104

O meu filho está bem. Eu é que não estou.”Há mães que se despedem no aeroporto de Sá Carneiro, de Humberto Delgado, de F...
05/06/2026

O meu filho está bem. Eu é que não estou.”

Há mães que se despedem no aeroporto de Sá Carneiro, de Humberto Delgado, de Faro. Voltam para casa, fazem o jantar, abrem o WhatsApp e fingem que está tudo bem. Para os outros filhos. Para os pais idosos. Para o marido. Para a vizinha que pergunta.

Não para si próprias.

Em Portugal, a emigração dos filhos adultos é um fenómeno geracional. Mas o sofrimento materno que daí decorre raramente é nomeado - porque “o filho está bem”, porque “é a vida deles”, porque “há tecnologia”. A literatura clínica chama-lhe luto ambíguo (Boss, 1999): a perda de uma presença que continua a existir noutro lugar. É das formas de luto mais difíceis de tratar - precisamente porque não é reconhecida socialmente.

Se és uma destas mães, e há mais de seis meses que carregas isto sozinha, f**a o convite: marca consulta. Não é fraqueza. É higiene emocional.
n 939 957 104

Como saber se estás a sarar  sem te enganares?A meio desta semana sobre feridas maternas, faço pausa para a pergunta que...
04/06/2026

Como saber se estás a sarar sem te enganares?

A meio desta semana sobre feridas maternas, faço pausa para a pergunta que mais recebo em mensagem privada: “isto passa?”
Resposta clínica honesta: passa, transforma-se, ou f**a. Depende da história, do tempo, do apoio, do trabalho e do que cada mãe define como “passar”.

A psicologia documenta, há mais de 25 anos, um fenómeno chamado crescimento pós-traumático (Tedeschi & Calhoun, 1996, 2004). Não é universal. Não é obrigatório. Não é a recompensa pela dor.
Mas é observável.

Cinco sinais clínicos que vou identif**ando em consulta:

1. Consegues chorar e rir no mesmo dia, sem culpa por nenhum dos dois.
2. As pessoas tóxicas afastaram-se quase sem esforço.
3. Tens clareza imediata sobre o que importa. Hierarquias antigas caíram.
4. Reconheces-te capaz de coisas que antes não acreditavas conseguir.
5. Já não perguntas “porquê”. Perguntas “como agora”.

Nota crítica: a ausência destes sinais não é falha. Há mulheres que sobrevivem sem crescer e isso é, em si, uma vitória clínica (Bonanno, 2004). A imposição de uma narrativa de transformação alivia quem está a observar, não quem está a sofrer.
Quem te diz “tudo acontece por uma razão” não está a ajudar.
n 939 957 104

O paradoxo da boa parentalidadeTrabalho com mães cujos filhos saíram de casa naquilo a que se chama “o percurso normal d...
03/06/2026

O paradoxo da boa parentalidade

Trabalho com mães cujos filhos saíram de casa naquilo a que se chama “o percurso normal da vida”
— entrada na universidade, primeiro emprego, casamento. Estas mulheres frequentemente sentem-se ilegítimas no seu próprio sofrimento. “Não posso estar assim. Ele só foi viver para o Porto.” Ou: “Ele está bem, eu devia estar feliz.”

A ilegitimidade do sofrimento é, ela própria, agravante.
Há um nome para isto: Síndrome do Ninho Vazio. A investigação mostra que afeta especialmente mulheres cuja identidade se organizou predominantemente em torno do papel materno (Mitchell & Lovegreen, 2009) — o que, em Portugal, é praticamente normativo para a geração que tem hoje entre 50 e 70 anos.

O trabalho clínico aqui não é “preencher o vazio”. É reconhecer que a maternidade não acabou — transformou-se. E que tu também.

Podes falar comigo: 939 957 104

“Recebo 6 tipos de mães em consulta. Choram pelas mesmas coisas.”Esta semana vou publicar, todos os dias, sobre as seis ...
01/06/2026

“Recebo 6 tipos de mães em consulta. Choram pelas mesmas coisas.”
Esta semana vou publicar, todos os dias, sobre as seis populações de mães que recebo em prática
clínica:
— Mães de filhos LGBTI+
— Mães de filhos com doenças graves ou incapacitantes
— Mães cujos filhos saíram de casa no percurso normal da vida
— Mães cujos filhos emigraram
— Mães de filhos que cortaram relações
— Mães de filhos que morreram
Vistas de fora, são histórias completamente distintas. Vistas de dentro do consultório, partilham 70%
do mapa. Todas estas mulheres sofrem aquilo que, na literatura clínica, se chama uma crise de
identidade materna: o colapso do projecto parental que organizou décadas da sua vida.
Não é depressão. Não é “fase”. É uma reorganização identitária que, sem apoio, pode arrastar-se
anos.
Acompanha a série esta semana. Se conheces uma mãe que precise, partilha.
n 939 957 104 · Espinho

Muitas pessoas passam meses ou anos a tentar resolver tudo sozinhas.Pensam maisanalisam maisprocuram mais soluçõesmas o ...
20/05/2026

Muitas pessoas passam meses ou anos a tentar resolver tudo sozinhas.

Pensam mais
analisam mais
procuram mais soluções

mas o padrão mental mantém-se.

Isto acontece porque alguns processos psicológicos, como a ruminação, a antecipação constante ou a evitação emocional, tendem a manter-se ativos sem intervenção.

A psicologia não existe apenas para situações de crise.

Também pode ajudar quando:

• sentes que pensas demasiado
• as decisões parecem cada vez mais difíceis
• a mente nunca parece desligar totalmente

Quanto mais cedo compreendemos os padrões mentais que estão a manter o problema, mais fácil é mudá-los.

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